O caminho da conexão

De onde vem o seu sofrimento? A falta de dinheiro no final do mês, a confusão mental, o desamor, os quilinhos a mais no espelho, as gotinhas antes de dormir, os pais doentes, a insatisfação crônica, os amigos distantes, o tédio em uma terça feira qualquer, a falta de tesão, o pózinho da alegria no sábado a noite, a briga com o chefe.

De onde vem o seu sofrimento? O ar poluído das cidades, a floresta ardendo em chamas, os peixes que morrem afogados em plástico, aquela espécie que não existe mais, os agrotóxicos em nossas comidas, o câncer quase epidêmico, o céu não estrelado, o medo do que está por vir.

De onde vem o seu sofrimento? As crianças dormindo em lonas, a dívida da senhora na Casas Bahia que viu sua vida desmoronar em meio a fumaça do prédio, as tribos em guerra por um pouco mais de comida, a água suja correndo pelas calçadas, a falta de água, o frio corroendo seus ossos no inverno.

Estamos todos sofrendo da falta de conexão, presos em nossas bolhas, totalmente desatentos. Esquecemos que além do nosso ego, existe alma, que além da nossa alma existe o outro, que além do outro existe o planeta, o universo, as galáxias distantes. Estamos todos sofrendo de desconexão, e essa doença pode destruir mundos.

Um antídoto chamado conexão

Há pouco mais de dois anos, comecei a minha investigação para entender o que está por trás da inovação e da criatividade humana, e como isso poderia estar melhor relacionado com a complexidade dos grandes desafios que enfrentamos enquanto humanidade. Nesse processo entendi que para lidar com desafios complexos, seja das nossas vidas, seja em uma grande organização ou no planeta, precisamos de nada mais, nada menos que CONEXÃO.

O que eu chamo aqui de conexão é poesia, teoria, prática.Conexão é fluxo. É sentir a energia se mover de si para o outro, e assim tornar possível a expansão do que se é e do que se vê. É aquele encaixe exato do enrosco com o outro, que faz também em nós entrelaçamento entre razão e emoção, pensar e sentir, mente e coração. Conexão é antídoto a desatenção, quebra de muros mentais, rompimento de bolhas, expansão de consciência, combustível para criatividade.

Conexão é amor que eleva por “aceitar o outro como ser legítimo na convivência” como diz Maturana. É o olhar que causa o colapso de uma nova possibilidade para a partícula quântica, e também dá luz a nova possibilidades de pensamentos, sentimentos e ações por ver e aceitar o que o outro é e, assim, possibilitar emergir o que ele pode vir a ser.

Parece poesia, mas não é.

Um pouco de teoria

Otto Scharmer, pesquisador do MIT e criador da Teoria U, identificou que os grandes desafios que vivemos hoje na nossa humanidade nascem de três grandes desconexões. Desconectados com nós mesmos estamos ansiosos, depressivos, constantemente insatisfeitos. Desconectados com o outro alimentamos a desigualdade social, o conflito, a solidão. Desconectados com a natureza, destruímos a própria vida humana no planeta Terra. Existe outra forma de lidar com grandes desafios e problemas de empresas e do mundo a não ser através de conexões?

Daniel Kim, referência mundial no desenvolvimento de learning organizations, ao investigar o sucesso das organizações entendeu que a qualidade dos resultados de uma empresa está diretamente ligada a qualidade do relacionamento. “À medida que a qualidade das relações aumenta, a qualidade do pensar melhora, levando a um aumento na qualidade das ações e resultados.” Existe forma melhor de alcançar resultados em uma empresa, senão através da conexão entre as pessoas que trabalham nela?

O Heart Math Institute e a ciência do coração já identificaram que quando o coração e cérebro estão sincronizados alcançamos um estado de coerência cardíaca, na qual ficamos mais energizados, conscientes e resilientes. Ao contrário do que se pensava, a comunicação cérebro-coração não é uma via de mão única, e as emoções governam mais a nossa cognição que o contrário. E existe forma melhor de ativar nossas emoções positivas que a partir da conexão profunda com o outro?

Amit Goswami em seus estudos sobre física quântica e criatividade, afirma que nossa mente só pode processar significado antigo, não tendo a capacidade de criar o fundamentalmente novo. Segundo ele, o propósito da criatividade é explorar nossa intuição e fazer com que ela se manifeste. Uma vez que o mundo material não é separado da consciência, intuição manifestada depende do colapso de uma nova possibilidade, o que só acontece de forma consciente através do nosso olhar atento. A física quântica entendeu que não existe novo significado, ou nova possibilidade, se não olhamos para ele. Existe forma melhor de permitir a melhor versão do outro, e novas ações nascerem no mundo senão a partir do nosso olhar atento?

Parece teoria pura, mas não é.

Um pouco de prática

Se estamos todos desatentos, ocupados, ávidos por produtividade e com tantas abas abertas (na vida real e virtual), como podemos então permitir que esse estado de coerência cardíaca se torne presente para que possamos ter liberdade e capacidade de criar na nossa vida pessoal, nas empresas e no mundo?

Quando criamos experiências coletivas repletas de significado, nos conectamos com nossas emoções, aumentamos nossa habilidade de ver o outro, somos vistos, e novas possibilidades criativas começam a emergir. Certas experiências têm a capacidade de soltar as pessoas das algemas da rotina desatenta ao oferecer um veículo artisticamente trabalhado para experienciar conexão e transformação.

Foi partindo daí que resolvi investigar, disseminar e materializar formas de promover esse estado de conexão e você pode se conectar comigo aqui e aqui. Este é trabalho que começa da teoria e se ancora em base metodológica, para experimentar poesia, mensurar, evoluir e disseminar um novo estado de conexão pelo mundo.

E enquanto não chegamos lá, vem conectar comigo!