O caso da criança no calabouço sueco

A criança

Houve um tempo em que os pais eram os responsáveis por educar e conduzir seus filhos. Agora, no eterno alvorecer, no perpétuo domínio dos especialistas — que herdarão o mundo que há de vir, como nas bem-aventuranças — não mais será necessária esta desconfortável e quase obscena missão: educar os próprios filhos.

Talvez seja este o caso da Criança no Calabouço. É o que uma discussão e uma pesquisa fizeram surgir no horizonte da última semana.

Falamos da Suécia. Não das suecas, mas da Suécia mesmo, aquele país em que tudo funciona perfeitamente, em que alguns já supõe as crianças nascem como os anjos, sem sexo, e o feminismo é responsável pelo sucesso econômico. Note-se que o feminismo na Suécia é ter filhos para movimentar a economia. Um país em que as empresas serão processadas e multadas pelo governo se não tiverem mulheres nos seus quadros de liderança. Enfim, podemos ter uma idéia do quão omnipotente é o Estado sueco.

Mas o assunto que nos assaltou foi o seguinte: cirurgia de mudança de sexo para menores sem o consentimento dos pais no Brasil, num vídeo em que o Pastor Silas Malafaia, depois de demonstrar o absurdo do projeto, fez a autora do mesmo sair envergonhada e desmoralizada.

Não sei todo o teor nem se o projeto foi à frente. Os trechos do vídeo falam por si mesmos, assistam, pois esse foi apenas o estopim da tsunami que iria atingir a Suécia.

Quando não se espera mais nada do rojão que parece ter falhado é o momento mesmo em que ele estoura. Pois se aqui tentam passar uma lei, ou norma, em que as crianças poderiam mudar de sexo, imagine você, leitor, na Suécia onde já não há nem mais sexo definido. Mas deixemos a Ideologia de Gênero para outra ocasião, também não é ela a responsável por ter trancado a Criança no Calabouço.

O que se observou é que o Estado, esse mesmo ente que garantiria as futuras mudanças de sexo aqui no Brasil, lá na Suécia, dispõe de um número de telefone para que as crianças denunciem seus próprios pais. Dito desta forma, parece-nos que neste momento há uma criança loira com um celular nas mãos, reclamando com um atendente estatal que seu pai não o(a)(x)(?) deixa trocar de sexo.

Entretanto, este mísero número de telefone — que nem mesmo se tem certeza de que existe — , ganhou dimensões tal que algumas boas almas que confiam no Estado disseram: mas e se a criança estiver sendo mal tratada, se ela não tiver este telefone? Se ela não tiver socorro? Se ela estiver esmagada por uma família de trogloditas violentos? E se estiver trancada? E se estiver trancada num calabouço? — completei por último.

Estamos em outro patamar, mas o que virá será a coroação dos tempos, o ápice da técnica. Mas se a criança, não estiver trancada neste terrível calabouço escuro? Quem vai saber? Simples: um especialista. Não se sabe de quê nem de onde, mas será altamente treinado e solucionará qualquer questão por mais difícil que seja, tendo como margem de erro 1% dos casos. Claro que a estatística é ficção, mas a crença no especialista, não.

Ora, o fato não é desacreditar a técnica — muito menos a ciência no sentido moderno — , mas dar ao Estado — último mediador — a prerrogativa científica de instituir seus especialistas para gerir as vidas de seus cidadãos. Mas, é claro, tudo em nova embalagem, com ursinhos e frases de efeito, como “direitos das crianças”.

Então voltamos ao vídeo do Pastor Malafaia. O argumento da mulher que ia embora constrangida era exatamente o mesmo: especialistas decidirão se o pequeno candidato poderá fazer a cirurgia de mudança de sexo ou não. Especialistas, mais uma vez, do Estado.

Por esta estrada não há propriamente um limite em dizer também: o estado sabe que educação seu filho deve ter. Aliás, já é assim no nosso país. E talvez ele saiba também que sexo uma criança deve ter. E claro, ele saberá se um guri está passando por maus bocados num calabouço ou se está com o videogame pausado enquanto denuncia os próprios pais.

A tese de que devemos entregar as nossas responsabilidades aos especialistas do Estado a alguns cheira bem, parece-lhes uma inocente e bem-vinda ajuda, ou até uma terceirização confortável. A outros, porém, tudo isso tem um odor totalitário, um ranço de mofo ditatorial.

As famílias vão se tornando mais frágeis quando é o Estado que passa a decidir por elas, tomando seu lugar. Levando ao extremo, que diferença faria se entregássemos nossos filhos, ao nascerem, às babas do Estado para que elas os acomodassem no colo estatal? Poderíamos buscá-los de quando em quando, para passar um final de semana no calabouço.

[Mais informações sobre a Suécia em https://www.publico.pt/mundo/noticia/os-campeoes-da-igualdade-continuam-a-lutar-1695342]