Ou como você desperdiça tempo e, ao mesmo tempo, deixa de fazer as coisas que gosta

Elvis Picolotto
Sep 16 · 3 min read
Photo by Djim Loic on Unsplash

Eu tenho recebido reclamações sobre meu estado de estresse ou como ele tem me feito ser mais agressivo e menos produtivo.

Muitos Olavos de Carvalho deboistas apregoam que o desapego é uma solução para o mundo caótico em que tentamos viver e, por consequência, para o estresse. Mas, na maioria das vezes, não compreendemos o real significado de desapegar.

Pensa-se num plano material, desvencilhado da necessidade de bens. Ou até da necessidade que temos da proximidade das pessoas. Mas eu tenho notado que, na verdade, o desapego, seja ele material ou não, já é um exercício curativo.

Vejamos meu exemplo pessoal:

Decidi, há 5 minutos atrás, desapegar do twitter. Desinstalei o app depois de me despedir da plataforma online com 140 caracteres redentores. Você lerá esse tweet em alguns minutos.

O efeito é impressionante e, convenhamos, faz apenas 6 minutos que tomei a decisão.

No primeiro minuto já ficou claro: não ter twitter libera espaço. Seja na tela inicial do meu celular, que agora tem vaga para mais um app, seja na memória do aparelho ou, no meu tempo de vida.

Como disse, tenho recebido reclamações, principalmente da família, sobre meu estado de estresse e sobre como isso tem me feito ser mais agressivo, menos compreensivo e por causa disso muito chato.

Não que o twitter seja a causa sozinho de tudo isso, mas veja o seguinte relato:

O estado das coisas da polícia brasileira e meu insistente interesse nela me tornam mais agressivo, menos empático e, por consequência, torna meus dias mais pesados e eu, claro, mais chato.

Esse é um tweet meu de 9 minutos atrás. Ele, provavelmente me ajudou. Mas, eu o fiz no twitter, onde logo em seguida li algum absurdo sobre algum deputado de merda e, sem conseguir evitar o palavrão mental, já estava eu lá, puto com a vida com o cara e, pasmem, isso foi há 8 minutos. O que aconteceu, na prática, foi que eu fiquei no estado em que sou mais idiota: tenso. E agora, no fim desse texto, eu já me sinto melhor.

O twitter, claro, é só um exemplo. Sem perder minutos a rolar sua timeline, por exemplo, posso gastar minutos agora fazendo algo que sempre me deu prazer: escrever. E estando assim, faço o oposto do que acontece no twitter: relaxo.

Troque escrever por mandar mensagem para alguém que eu amo. Ou por ler uma crônica e pronto, já usei melhor aqueles minutos que gastaria na tarefa inútil que é a time line contínua de frustração.

De bem com a vida, obviamente terei mais condições de ser mais compreensivo, empático e assim, menos chato. O twitter era parte dispensável da minha vida há 10 minutos, e foi assim por dois anos. Agora, onde antes estava um latifúndio de tensão política e memes há um espaço livre.

Vou usá-lo. Talvez você veja mais textos por aqui, afinal. Ou talvez eu veja mais filmes.

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Elvis Picolotto

Written by

Jornalista, membro do Núcleo de Estudos em Cinema da Universidade de Passo Fundo e apaixonado pela literatura latino-americana.

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