Photo by Volkan Olmez (https://unsplash.com/@volkanolmez)

O designer invisível

Sendo engolido pelo mercado opressor

Todos os anos, diversas turmas de formandos em design gráfico são despejadas no mercado de trabalho. Não é preciso ser nenhum matemático para ver que o número de estúdios de design não absorve todos recém-formados. Sendo assim, onde essa gente acaba trabalhando?

Bom, tirando o pessoal que desiste da profissão por “N” razões (leia-se dinheiro) e os que fizeram faculdade só para ter diploma, ainda sobra muita mão de obra. Esse excesso de contingente vai parar num lugar mágico e cheio de glamour, chamado “agência”.

Essa agência pode ser de publicidade, de comunicação, de internet. Enfim, qualquer lugar que precisem de alguém para mexer no Photoshop e fazer umas “artes”. Sim, arte. Provavelmente seu cargo terá “arte” no fim também.

Se a agência que entrar não tiver nenhuma estrutura metodológica relacionada ao design, pode rasgar seu diploma, pois, a partir desse ponto, ele já não se serve para nada. Com certeza existem agências por aí com workflows mais avançados, onde o design é valorizado. Porém, pelo que vejo (e vivo), o designer na agência é o “menino da arte”. Aquele que faz tudo ficar bonito, aquele que agrada ao patrão e ao cliente, aquele que tem que tornar atraente aquilo que os outros planejaram. E só.

Todo romantismo didático apresentado na faculdade vira folclore, e, com o passar do tempo, acaba se tornando algo cada vez mais distante e surreal. Cada novo “faz pra ontem, mas bonitinho”, com briefing de duas linhas, é um prego no caixão daquele designer cheio de sonhos que costumava ser.

Essa pasteurização dos processos dentro das agências acaba enterrando talentos com segregações obsoletas. Suprimindo o papel não só do designer como também de outros profissionais.

Esses fatores ocasionam a invisibilidade do designer sugerida no título. A inovação e a solução adequada para um problema específico são esmagadas pela industrialização da comunicação, proposta pelo ambiente das agências. Com isso, cria-se um ciclo, em que o designer é cada vez menos relevante.

Sendo assim, se quer trabalhar realmente com design gráfico: fuja das agências!
Claro que há agências por aí que valorizam seus designers, porém tome cuidado para não ser engolido pelo mercado e, quando menos esperar, tornar-se um glorificado operador de software gráfico.



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