O Destino de uma Nação vai além de Gary Oldman

Nos últimos anos, filmes biográficos foram sinônimos de indicações ao Oscar. O Discurso do Rei (2010), A Dama de Ferro (2011), J. Edgar (2011), Lincoln (2012) e O Jogo da Imitação (2015) provam que o público tem muito interesse em ver personalidades reais nas telas de cinema, principalmente quando protagonizam grandes acontecimentos históricos, caso dos últimos que citei e do mais novo filme de Joe Wright, indicado a 05 categorias no Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (Gary Oldman)

O Destino de uma Nação conta a história de Winston Churchill desde sua posse como Primeiro Ministro Britânico, em 10 de maio de 1940, até 04 de junho do mesmo ano, dia de seu discurso e decisão de não fazer acordo com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

A Segunda Guerra é um dos momentos históricos em que se tem muito conteúdo a ser explorado no cinema. No ano passado, por exemplo, tivemos Dunkirk, uma obra em que trazia um dos momentos mais cruciais da guerra, onde soldados ingleses foram resgatados por barcos civis na praia de Dunquerque, dominada por alemães.

A Operação Dínamo também é retratada em O Destino de Uma Nação, mas desta vez nos bastidores. Joe Wright opta por colocar um período crucial de 1940 como um dos focos e funciona perfeitamente bem. Quem assistiu Dunkirk, tem praticamente a obrigação de ver esse. A experiência de ver em sequência, aliás, deve ser fantástica.

Com uma ação praticamente nula, a aposta do diretor é nos diálogos afiados e o bom e velho humor britânico, tratando a personalidade explosiva de Churchill como um artifício dentro da trama. Aliás, há uma humanização do personagem que permite que o público se identifique com ele. Claro que isso é fruto do trabalho fantástico de Gary Oldman.

A caracterização e a atuação de Oldman é impressionante, com todos os trejeitos e maneiras de Churchill. A performance do ator melhor a cada minuto e tudo em volta dele faz com que ele cresça ainda mais dentro do filme sem que isso prejudique a trama ou desconcentre o público para tentar achar o ator, resultado também do fantástico trabalho de maquiagem feito pelo premiado Kazuhiro Tsuji.

O restante do elenco, embora trabalhem bem, servem como mais um artifício para colocar Oldman no topo. Mesmo assim, Kristin Scott Thomas como Clementine, esposa de Churchill e Lily James como Elizabeth, a secretária do primeiro ministro, conseguem se destacar, principalmente James, que no decorrer da trama ganha alguma profundidade. Que ano da atriz, que também estrelou Baby Driver.

Com um ritmo lento e conduzido completamente por diálogos e manobras políticas, O Destino de Uma Nação vai muito além de Gary Oldman e seu trabalho esplendoroso. Apesar de alguns momentos piegas que se aproximam do nacionalismo de filmes americanos do gênero, é possível obter um grande filme político e colher algumas informações importantes sobre os acontecimentos da Segunda Guerra e como a história poderia ter sido diferente.

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