O dia em que tive que lidar com um babaca

e me controlar para ser uma pessoa coerente em um ambiente corporativo.

Existem coisas piores que gente imbecil para acabar com o seu dia. Melhor não se desgastar.

Vou aproveitar que hoje eu tive um dia bem ruim no trabalho para escrever esse texto. Sabem, eu escrevo muito melhor quando estou nervosa, irritada ou aborrecida com alguma coisa, não sei bem porque isso acontece. Mas o meu objetivo ao começar a colocar algumas letrinhas por aqui é disseminar uma mensagem que deveria repercutir por todo o cosmos afim de manter a paz mundial (ou, ao menos, a boa convivência empresarial):

Não sejam cuzões com seus colegas de trabalho. Nunca. Em hipótese nenhuma. São as pessoas que te apoiam no cotidiano que vão provar que você tem valor.

Fui clara? Melhor explicar.

No ambiente corporativo é inevitável termos que lidar com as diferenças. De opinião, de cargo, sociais, religiosas… Encontramos uma fauna rica em espécies das mais variadas — que devem ser ouvidas e respeitadas dentro de suas peculiaridades.

Eu não preciso concordar com o modo como uma determinada pessoa toca suas demandas, mas sou obrigada, por questões óbvias, a lidar com ela diariamente. Nesse caso, é importante ser flexível e saber ceder muitas e muitas vezes. Fazer aquilo que não gosta, escrever sobre o que não quer, alterar coisas que não vão dar exatamente o resultado esperado, mas ok: ordens são ordens, e mesmo que você seja pago para pensar, como eu sou, há momentos em que calar é o melhor remédio.

Sempre preferi ser feliz a ter razão e a levar a felicidade a todos a minha volta. Fazendo piada das dificuldades, perguntando quando existiam dúvidas e dando ouvidos, invariavelmente, aqueles que tem mais expertise que eu — ou aqueles que, mesmo sem saber de nada, insistem em ajudar. Ao meu ver, os melhores.

Trabalhar não é viver numa ilha. Na comunicação, conversas constroem melhores ideias, planos, estratégias e tornam todo projeto mais bonito. Gosto disso. Gosto de pensar que os muitos e particulares universos que temos ao nosso redor auxiliam nas difíceis tomadas de decisão que, não são poucas, mas fazem diferença quando divididas.

Eu não sou uma pessoa impaciente ou insolente. Não sou alguém para ser temida, idolatrada ou para ter um tamanho distanciamento dos outros a ponto de não aceitar uma crítica — em um ambiente corporativo, sou gente da gente. Vou te dar à mão quando você quiser, vou te aconselhar e te defender sempre que puder. Não consigo conceber que para sermos grandes e bons precisamos diminuir os outros. Nem ninguém deveria associar o desprezo, o descaso e o mau caratismo ao sucesso.

Mas ainda vivemos um tempo em que a postura do completo babaca é bem vista por aí, infelizmente.

Acho que as pessoas que tem ataques de celebridade precisam ser estudadas, tanto pelo fato de não se perceberem ridículas, como o são, no alto da sua soberba, como por não conseguirem dividir a parte boa que tem. Se eu sou a melhor melhor do mundo em algo, que outras pessoas conheçam isso — e me ajudem a crescer com elas.

Agora, o que me deixa maluca, maluca mesmo, é ter que lidar com quem, que além de desqualificado para uma determinada carreira, julga todo o resto ao seu redor um lixo — e é exatamente sobre esse tipo de babaca que estamos falando nesse texto, o babaca vazio. O babaca da sociedade pós moderna em que parecer é mais importante que ser. Aquele que, além de inconveniente em toda e qualquer situação social não se contenta, e precisa registrar de todas as forma possíveis sua imbecilidade: com ordens, exigências e cobranças infundadas. De preferência, dando carteirada.

Fico doida.

Achava que na vida adulta a gente não podia mais culpar o cachorro por ter comido nosso projeto, se é que vocês me entendem, não sabia que havia uma institucionalização dos babacas vazios em ambientes corporativos até isso me atingir. E sério, me fazer perder a linha.

Tive um surto. Uma vontade de usar todas aquelas expressões horríveis que nossas avós abominam de uma só vez. Um misto de enfiar, socar, cu e outros palavrões, assim, indigitáveis. De dar vergonha só de pensar.

Mas fui profissional. Expliquei. Contornei. Engoli. Como nos pede mesmo a vida muitas vezes. Deixei o peixe morrer pela boca, deixei ele tremer, e pular e agonizar com a própria situação que criou, mas não sei ainda se essa foi a melhor estratégia. Sei que foi, certamente, a mais prudente, mas agora estou aqui, escrevendo e escrevendo tudo o que não pude falar.

Não seja o babaca vazio da sua firma. Trate todo mundo como igual. Mesmo que você seja o cara da xerox, ainda que você seja o CEO, não deixe o ego dominar a sua vida corporativa. Sua vida como um todo, aliás. Ninguém é mais ou menos importante que você em nenhum ambiente e ninguém merece ter as provas brutais da sua falta de educação. Porque, honestamente, só isso explica esse seu complexo de Zeus, essa ausência total e absoluta de limites que andam inundando os escritórios por aí.

Ser babaca não é ser forte, não é ser mais importante, não é ser bom. É só ser babaca. E magoar um monte de gente que vai ter o prazer de te foder na primeira oportunidade, ou, ao menos, de comer aquela pipoquinha vendo você cair na cova que cavar. Justiça tarda, mas não falha. E tenho dito.