O Diabo e o Padre Amorth decepciona, mas não é 100% descartável

O Exorcista é um dos principais filmes da história do gênero de terror. Indicado a dez categorias no Oscar de 1974, o filme dirigido por William Friedkin adapta o livro homônimo de William Peter Blatty, que por sua vez, se inspira num caso de exorcismo real de um garoto de 14 anos, registrado em 1949.

No entanto, muito além de apenas uma garota se contorcendo e antes mesmo de tomar uma atmosfera que impressiona, há uma certa discussão psicológica e religiosa dentro do filme que fazem com que ele ganhe um contexto ainda maior e que volta à tona agora com o documentário que acaba de chagar à Netflix.

Dirigido também por William Friedkin, O Diabo e o Padre Amorth é um documentário que busca mostrar ao público como é feito um exorcismo nos dias de hoje pelo padre Gabriele Amorth, conhecido mundialmente como um dos exorcistas do Vaticano.

O encontro entre os dois aconteceu por conta de uma entrevista que o diretor fez com o padre para uma revista, já que o italiano já havia dito que O Exorcista era, com exceção dos efeitos exagerados, semelhante a um ritual de exorcismo. Friedkin não deixou a oportunidade escapar e o convidou para realizar o tal documentário.

O início do filme faz com que os fãs do clássico de 73 se interessem, pois antes das filmagens do tratamento acontecerem há alguns depoimentos interessantes sobre o filme, incluindo um arquivo de William Peter Blatty contando um pouco mais sobre seu processo criativo do filme.

Passando por alguns depoimentos sobre o tal Padre Amorth e também de uma de suas pacientes que diz ter se curado da possessão, chega a hora mais esperada, a que mostra o procedimento em tempo real, ou seja, cerca de 15 minutos sem cortes de um processo de exorcismo.

Porém, o grande problema está nessa garantia que o diretor dá ao público de que é tudo verídico, incluindo até uma voz um tanto quanto distorcida. Tudo parece muito bem orquestrado dentro da sala onde a mulher profere algumas palavras ofensivas na presença de seus familiares, que mesmo sabendo que dentro dela há um demônio, não esboça nenhum tipo de reação, como se tudo aquilo fosse normal e corriqueiro na vida deles.

Embora o tom sensacionalista tome conta da produção, há alguns elementos e discussões que a impedem de ser descartável, como a abordagem do ponto de vista médico, onde há uma discussão de que aquilo é, sim, um problema psicológico ou um delírio, já que apenas pessoas que possuem religião ou alguma crença cultural passam por essa situação.

O Diabo e o Padre Amorth não tem nada de tão impressionante, mas a atmosfera que William Friedkin cria, principalmente no final, pode fazer com que alguns se deixem levar pela imaginação. Ainda assim, fica muito difícil comprar a ideia de que aquilo tudo é verdadeiro, portanto, fica apenas como uma história interessante contada do ponto de vista do diretor de um dos grandes clássicos do terror.