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O empreendedorismo contra o design

Gato por lebre é mato

Hoje em dia, talvez em razão da crise ou da moda, não basta ter uma especialização ou profissão. A ditadura corporativa, agora demanda que se tenha uma coisa chamada empreendedorismo. Temos o programador empreendedor, o engenheiro empreendedor e, claro, o designer empreendedor.

O culto ao empreendedorismo exalta a independência. Ter o seu próprio negócio, em que você faz as regras e dá um pé no rabo do patrão. Pegar o seu notebook e vai viajar o mundo, mandado emails das praias de Bali, fazendo seus horários, curtindo a vida e ganhando bem.

Bom, não vou aqui desmistificar isso, pois não é preciso ser um gênio para tirar um CNPJ, trabalhar por conta própria e começar a desconstruir a fábula do parágrafo anterior.

Entretanto, o que tem me chamado atenção é o número crescente de empreendedores no design que são apenas empreendedores. Pessoas que oferecem produtos relacionados a design, sobretudo na área de ensino e serviços, mas que, na verdade, nem sequer sabem o que estão vendendo.

Diariamente, nas redes sociais, deparo-me com diversas ofertas de cursos, webinars, workshops e serviços em que, logo na apresentação, é detectável que o conteúdo não é de qualidade. Não vou aqui “dar nome aos bois”, porém, da mesma forma que há pessoas e instituições capacitadas oferecendo serviços excelentes, há também outras sem a mínima capacitação ou potencial para oferecer nada. Tudo isso acontece sem nenhum filtro, respaldo ou supervisão, cabendo apenas ao consumidor a decisão de adquirir ou não o produto.

A valorização do empreendedorismo em relação à disciplina, métodos e conteúdo cria uma geração mais preocupada em monetizar qualquer coisa, antes mesmo de saber o que. Um oportunismo cego com consequências graves na percepção do design como uma atividade profissional valorizada.

Nesses casos, o empreender é muito mais importante do que uma contribuição para a sociedade ou um aprimoramento de mercado. O lucro imediato é o termômetro do sucesso, e isso basta.

Sendo assim, antes de adquirir qualquer conteúdo, procure se informar se as pessoas ou instituições provedoras do material tem certificação, habilitação ou qualquer tipo de amparo que valide a qualidade do que lhe é vendido.

Para alguém com alguma experiência na área fazer essa peneira é mais fácil, porém, um iniciante pode ser enganado e ser apresentado há conteúdos inadequados logo nos primeiros contatos, o que pode levar a considerar métodos e práticas erradas como verdadeiras, perpetuando a cultura de desvalorização do próprio designer.

Reforçando: prefira material de fontes seguras, de pessoas ou empresas com conhecimento comprovado e reconhecidas pelo mercado. Desconfie de preços extremamente baixos e procure por material que tenha algum embasamento científico ou prático.

É muito cacique para pouco índio. Fique atento!