O Futebol brasileiro e suas dificuldades peculiares

Quando a protagonista é a bola, não os cartolas


A paixão do brasileiro sempre foi e sempre será o futebol. Dito isto, faço a pergunta: será que hoje vale a pena acompanhar um jogo de série A do campeonato brasileiro, o mais disputado do mundo? A resposta é não.

Muito tem se falado, é verdade, do nível do futebol brasileiro atualmente. Você espera o domingo ou sábado para assistir o seu time em campo. O que você espera? Que seu time ganhe, que seja uma partida disputada, que tenha certo tipo de emoção. O telespectador, assim como eu, exige isto. Mas infelizmente não é isso que tem acontecido. Tá bem triste a situação do futebol brasileiro. Jogos chatos, sem emoção, nível técnico horroroso. Um jogo ou outro que realmente tem um destaque, mesmo assim não deixa de ser um show de horrores.

Aí, batemos naquela tecla do preconceito de quem torce para times europeus. Minha opinião sobre isso é a seguinte: deixa os caras, sabe. Os caras tem mais é que curtir um futebolzinho europeu mesmo. Lá, pelo menos, o futebol é jogado com classe. Você sente, sério, prazer em assistir um jogo do campeonato inglês, veja só!

É natural que as pessoas tenham mais vontade de assistir futebol europeu do que assistir o nosso futebol. Não agrada, é pífio. O nosso futebol foi excelente em qualquer quesito lá pelos anos 90. Eu sou de 1991, então tive a sorte de ter pegado um pouco daquela época. Ali sim o futebol era jogado de uma forma totalmente diferente do que é hoje. Naquela época você não cochilava, por exemplo, assistindo ao jogo. Hoje, pelo menos falando por mim, é bem corriqueiro eu cochilar assistindo jogos do brasileirão. Sim, confesso, é um saudosismo completo.

Eu não sei se vai melhorar, a tendência é que melhore. Se o futebol brasileiro começar a investir na base, como o Santos faz, quem sabe não conseguimos ter um Neymar da vida, ou até mesmo um Robinho, a cada temporada? Utopia total. Tem outra coisa, no futebol brasileiro existe esse lance de revelar jogadores e logo cedo mandá-los para a Europa ou pro mundo árabe. Eu acho isso bem errado. Direto me deparo com algum jogador brasileiro na Europa do qual nunca ouvi falar, mas que jogou aqui um certo período e penso: poxa, não quiseram investir nesse cara? Tá certo que muitos saem daqui por conta do dinheiro, os empresários querem isso mesmo, não se importam com o lado profissional do atleta, vivemos nesse sistema que o que vale é o dinheiro. Eu já achei que o Neymar ficou muito tempo aqui, achei um milagre, para não dizer mais. Muitos e muitos moleques bons de bola você vê jogando em times da Alemanha, França, Espanha, etc. São jogadores preciosos, que realmente são diferenciados, mas que sequer conseguiram ter algum espaço aqui no Brasil. O que sobra? Jogadores medíocres, que jogam aquela bolinha mixuruca, que você olha e pensa: eu faria melhor.

O futebol brasileiro precisa mudar, e rápido. Porque se não vai ser bem natural olhar pra molecada na rua vestida com camiseta do PSG, Barcelona, Arsenal, Real Madrid, etc. O brasileiro sente falta de assistir um jogo que faça ele ficar grudado na TV, que não faça ele mudar de canal e colocar no Gugu. Nada contra o Gugu, que fique bem claro.

Quem sabe se não voltássemos com a fórmula do mata-mata? Não sei, acho que melhoraria um pouco. Eu sinto falta da época do mata-mata.

O futebol é a nossa paixão. E como é a nossa paixão, exigimos que os engravatados da bola não influenciem em nada, não sejam protagonistas. Os protagonistas são os 11 que entram em campo. Basta!