O hino da resistência ao terrorismo

Por ser símbolo da democracia no mundo ocidental, a França tem sido o alvo de grupos terroristas

A sexta-feira, 13 de novembro de 2015, foi bem mais para a história que um dia rodeado de lendas e superstições. Paris, nove horas da noite, explosões são ouvidas próximas ao Stade de France, ali se iniciava o maior pesadelo da história dos franceses e ligava-se o alerta em todo o mundo. A tragédia contabilizou 128 mortos, mais de 300 feridos e um trauma eterno para os cidadãos de bem.

Teria o terrorismo vencido? O planeta resolveu que não. Foram diversas as manifestações por todos os cantos, entre monumentos iluminados com as cores da bandeira francesa e orações vindas de todas as religiões, uma melodia foi muito ouvida e cantada, trata-se da Marselhesa, o hino nacional da França.

No espaço de poucos dias, a música deixou de ser apenas um dos símbolos oficiais e se tornou o principal grito de solidariedade após os covardes ataques terroristas. Uma maneira para que todos pudessem expressar o seu amparo e comoção aos parisienses e que compartilham e apoiam a resistência adotada pela França.

Foi assim que, quatro dias após os ataques, mais de 70 mil torcedores, em meio a britânicos e franceses, entoaram juntos o Hino da França antes do amistoso entre as seleções, no estádio de Wembley (Londres).

O que mais intriga, e ao mesmo tempo fascina, nesses relatos é que, mesmo sem perceber, cada um dos novos intérpretes da canção está trazendo novamente à tona o seu significado original.

A Marselhesa surgiu no auge da Revolução Francesa. Em 1792, a Áustria estava decidida a invadir a cidade de Estrasburgo, inibindo a luta em todo o território francês e restaurando o Rei Luís XVI ao poder. Desesperado, o prefeito chamou o soldado, e violinista amador, Claude Rouget para compor uma canção que inspirasse a cidade a resistir.

Hino foi criado às pressas para incentivar os oficiais em defesa da Revolução

Conta-se que naquela noite o oficial estava embriagado. Ele voltou aos seus aposentos e em um curtíssimo tempo compôs “A Marselhesa”. Dada como certa por vários historiadores, a hipótese é de que a melodia viera de alguma música popular na época e os versos de pixações em muros e palavras de ordem gritadas pelos soldados.

O resultado desta criação inusitada, é uma canção provocativa e de resistência, capaz de levar esperança a qualquer um que a escutasse.

Deve-se entender que o hino possui uma letra extremamente sanguinária. O refrão entoa: “aux armes citoyens/formez vos bataillons/marchons, marchons” (às armas, cidadãos/formai vossos batalhões/marchemos, marchemos).

Já no início da letra, uma intimação: “allons enfants de la Patrie/le jour de gloire est arrivé” (avante, filhos da Pátria/o dia da glória chegou).

Por alguns instantes, todos foram filhos da mãe França e entraram na luta pela pela paz. O dia da glória ainda não chegou, mas há de vir. E nesse dia, o mundo parará de chorar por ataques terroristas e celebrará a sua harmonia.

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