Photo by Carrie O’Brien (https://unsplash.com/cobrien112)

O novo logo da Oi e o fim do mundo dessa semana

A mais nova marca da discórdia

Ontem, 28 de março de 2016, a internet mais uma vez se revirou e contorceu pelo lançamento de uma nova identidade visual. A empresa de telefonia Oi foi a “bola da vez”.

Já falei sobre o papel do designer como crítico de merda aqui e não vou bater na mesma tecla. Deixo o ódio para os analistas políticos de Facebook, paneleiros de varanda gourmet e outros terroristas de Abercrombie & Fitch.

Piadas à parte, vamos as fatos: segundo o B9 e a revista Veja, essa nova marca da Oi esteve sendo desenvolvida pelas agências Wolff Olins e FutureBrand desde 2012 e custou 350 mil libras (aprox. R$ 1.800.000).

O resultado mais visível (e zoado) desses anos de trabalho e investimento é esse:

Oi!? É pra escolher? 
Não, são todos… e mais alguns, pois essas 70 versões são as matrizes de infinitas formas orgânicas que a marca pode tomar.

Amoeba. Foi essa associação direta que muita gente fez. A seguir vem “não gostei”, “que degradê é esse?”, “difícil redução” e outras denominações menos amistosas.

Como designer me vejo obrigado a olhar debaixo do capô, ir além do visual e ver o que realmente acontece aqui. Vejamos o manual da marca.

Bem, não pretendo escrever um artigo científico nem cagar regras sobre essa marca, sendo assim vou só raspar a superfície e trazer à tona pontos que acredito que sejam mais interessantes colocar em discussão.

O manual da marca é massudo. Material de branding, não é a enrolação rotineira impingida por agências de publicidade.

O manual é difícil. Já trabalhei com manuais de diversas empresas grandes e sei o esforço que é se manter nas guidelines. Provavelmente a agência que atender a Oi e usar esse manual, terá que passar todas as peças por uma outra agência de validação (Brand Desk) que irá, ou não, aprovar as peças de acordo com as regras do manual.

O manual é bem completo. Mesmo assim, devido as imensas variações que a marca pode sofrer, fica impossível cobrir todas as situações, o que abre lacunas para aplicações inesperadas.

O tom de voz da marca busca um rejuvenescimento, uma adequação a atualidade, acompanhar a velocidade das redes sociais. Quer ser descolada, antenada e tudo mais que posso agradar a agilidade da juventude. Quer ser “parça”, usar gírias e emoticons.

A logomarca… Sim, logomarca. Tá escrito no manual, portanto vai assim.
A logomarca é definitivamente o ponto mais sensível e discutível nesse rebranding.
São 70 formas orgânicas irregulares distintas com 3 degradês diferentes. Isso gera um número enorme de aplicações que podem ocasionar diversos resultados. Bons e ruins. Deixando muita responsabilidade nas mãos de quem elaborar as peças.

Uma característica interessante é que, em vídeo, o logo se torna reativo, ou seja, por meio de animação, ele pode interagir com o restante da peça, como é possível ver abaixo.

Por terem como base a aplicação do logo sobre fotos, as cores são fortes e bem gritantes para obterem o contraste desejado em cima das imagens. Apesar de serem bem confusos na aplicação e extremamente controversos, os degradês ajudam a dar um maior destaque no logo e nos grafismos em relação às fotos de base.

A fonte Simplon Oi Headline é a mesma usada anteriormente pela marca. Uma adaptação feita sob encomenda pela Swiss Typefaces (acredito eu).

Essa fonte é usada como base para a confecção dos ícones, que usam as curvas, interligações e espessuras das linhas dos tipos como parte dos ícones.

O manual ainda indica e normatiza a escolha de imagens, montagem de módulos e gris para composição das peças, alinhamentos, disposição de grafismos, linhas e boxes, entre outras coisas.


Acredito que esse é um rebranding bem estruturado, com um proposta gráfica ousada, principalmente no que diz respeito ao logotipo com suas variações e degradês. Isoladamente os logos realmente não agregam muito, parecem imaturos com suas formas desreguladas e cores berrantes. Porém, ganham mais vida dentro das aplicações e principalmente nas animações em vídeo.

Ainda é cedo para saber como essa nova postura irá impactar o consumidor. 
O alvoroço nas redes sociais sobre a aceitação dessa nova identidade visual pode ser proveitoso se os desdobramentos conseguirem atingir seus objetivos.

Em breve seremos bombardeados por publicidade e toda essa novidade e estranheza irá passar… até um próximo rebranding bombástico e novas reações exageradas na internet.



Siga-nos: Facebook | Twitter

Assine nossa newsletter e receba as atualizações no seu e-mail.
Clique
aqui.


Like what you read? Give Matheus Moura a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.