O poder do WhatsApp de mudar o país.

Ok, eu exagerei no título, mas só um pouco. Continue lendo, ignorando o fato de que eu roubei no jogo, e acredito que irá concordar comigo. Vamos lá?

Nas próximas eleições a batalha entre o horário político eleitoral na TV e o Facebook será vencida pelo WhatsApp.

Soou estranho? Pode ser, mas é a pura verdade.

Quem aqui gosta do horário político eleitoral? Acho que tirando eu — ou outras pessoas que trabalham com isso — só aqueles que morrem de rir com o material tosco de muitos vereadores. É inegável que apesar do alcance, afinal é TV aberta, o resultado dos programas de TV vem apresentando uma eficiência questionável. A TV está lá, ligada, mas tem alguém prestando atenção? Isso se a TV estiver ligada, estamos na era NETFLIX!

Ah, mas tem o Facebook, a campanha continua lá! Hum… é e não é.

Ok, confuso novamente. Explico.

Marquinho, a quem carinhosamente chamo meu amigo Mark, não é bobo nem nada. Ele foi reduzindo o alcance das publicações das páginas na medida que sua rede social foi dominando o mundo. Quanto mais gente, menos gente. Você pode falar com milhões e milhões, mas com muita sorte irá falar com milhares. Para falar com milhões, ou mesmo com as pessoas certas, terá que por dinheiro no bolso do Mark. Pra seu conteúdo alcançar muita gente você vai precisar gastar com mídia e não vai poder fazê-lo durante a campanha, isso é proibido.

Ah, as diferenças entre a campanha off line e on line e… OPA, aí que está o erro.

Esqueça essa coisa de on line.

Isso não existe mais, você não consegue mais separar seu tempo on e off, não é mais aquilo de "ah, sentei na frente do desktop e entrei na internet". Hoje, amigos, estamos on life. Estamos conectados o tempo todo.

Olhe à sua volta!

Acabou aquilo de micro-tédio (o usar o celular na fila do banco). Observe o mundo ao seu redor. O frentista está no smartphone. A manicure também. O balconista. O vendedor. O gerente. O executivo. O CEO. Estão TODOS conectados.

Sua mãe está trocando imagens divertidas no WhatsApp. Sua tia também. Assim como seu pai. E o zelador do prédio. Fazem isso no trabalho. Fazem isso no ônibus. Fazem andando pela rua, ignorando o risco de roubo ou de queda. Fazem isso ao acordar, muitas vezes antes mesmo de dar bom dia para alguém.

Estamos ON LIFE.

Com mais de 100 milhões de brasileiros conectados, uma usabilidade simples e uma cultura acolhedora, capaz de seduzir um adolescente ou um idoso, o WhatsApp surge como "a rede que vai unir todas as tribos… ao menos até lhe colocarem no grupo da família".

Acreditem, é lá que boa parte da campanha de 2016 vai acontecer. O lado B, os vídeos engraçados sacaneando adversários, as opiniões revoltadas, as denúncias, as declarações de voto e apoio, as mobilizações… um simples "encaminhar" e aquele vídeo está no grupo de amigos. Com apenas um clique outras centenas de pessoas são atingidas. Uma pirâmide se forma. O alcance se multiplica. A mensagem ganha vida própria, sem origem definida, sem dono, mas com um objetivo claro.

Redes mais usadas no Brasil.

Com a API fechada, o que impede a automatização dos processos, vemos muitas empresas oferencendo disparos no WhatsApp. É SPAM, puro e simples. Isso não ganha voto. Nem tira. É pouco eficiente e, convenhamos, muito chato. Ignore essas propostas.

Lógico que temos passado os últimos meses estudando formas de usar o WhatsApp em benefício de nossas estratégias. Criação de grupos de militância, treinamento de gestores para esses grupos, produção de conteúdo especialmente projetado, processos para disparo e interação. Cada detalhe. E o esforço vale a pena.

Porque, amigo, pode anotar: o WhatsApp será fundamental para as eleições de 2016.

Ele pode ajudar a colocar as pessoas certas no lugares certos, ou evitar as erradas de chegarem lá.

E aí, pode ou não pode mudar o país?