O Princípio de Peter

Funcionalismo público e Caetano Veloso

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Dr. Laurence J. Peter se considerava um hierarcologista. Nos anos 60 começou a ministrar uma palestra onde descrevia o Princípio de Peter, cuja principal premissa é a de que em uma hierarquia, uma pessoa será promovida até atingir o seu grau de incompetência.

Quando uma pessoa é promovida em uma organização, geralmente é porque demonstrou alguma competência nas suas tarefas. Em sua nova nova função, esta pessoa provavelmente desempenhará tarefas diferentes. Se o funcionário for incompetente nestas novas tarefas, chegará na situação que Peter chama de Posicionamento Final e não será mais promovida. Caso a sua incompetência seja fora de comum (o caso do superincompetente) ele provavelmente será demitido.

O corolário de Peter

De acordo com o Corolário de Peter, todas as pessoas de uma hierarquia um dia chegarão ao seu grau de incompetência. É apenas uma questão de tempo. No entanto, dificilmente encontraremos uma organização que chegue a esse estado; ela provavelmente terá acabado antes disso. Ou então novas pessoas que ainda não atingiram o seu grau de incompetência entrarão na empresa e desempenharão suas tarefas com alguma competência.

Em todas as organizações, o trabalho é executado por pessoas que não atingiram o seu grau de incompetência. A eficiência de uma hierarquia será inversamente proporcional ao seu potencial de maturidade (PM), que se define pela seguinte fórmula:

PM = ( Nº de incompetentes / Nº de funcionários) X 100

Quando o PM chega a 100, a organização deixa de desempenhar qualquer tipo de trabalho.

O paradoxo de Peter

Conforme dito anteriormente, se a pessoa for competente, ela será promovida até alcançar o seu grau de incompetência. No entanto, se esta pessoa for supercompetente, ela será mais ameaçadora para as estruturas hierárquicas do que um funcionário incompetente. A incompetência é um mero entrave para uma futura promoção. A supercompetência, por outro lado, pode incomodar e muito os outros membros desta organização. Neste caso, o funcionário também será mandado embora. Seja bom, mas não muito bom!

Gráfico de Peter que mostra a distribuição por grau de competência. Tanto os supercompetentes quanto os super incompetentes, distribuídos nos extremos deste gráfico são fortes candidatos para um desligamento

Quanto maior a quantidade de níveis hierárquicos, maior a incompetência

Se uma organização possui muitos níveis hierárquicos, existem muitas possibilidades de promoção, portanto muitas possibilidades de um determinado funcionário atingir o seu Posicionamento Final.

Aplicações do Princípio de Peter no Brasil

No funcionalismo público

No funcionalismo público temos um exemplo de sistema onde não há promoções; por lei, a pessoa que deseja subir na área pública deve prestar outro concurso. Mas é evidente para todas as pessoas que tiveram contato com uma repartição que a incompetência impera soberana nestes lugares. O que acontece?

Neste caso, uma pessoa competente nos estudos passa para um concurso e vai trabalhar em uma função que nada tem a ver com a sua capacidade de estudar. Portanto é grande a possibilidade da pessoa ser incompetente do ponto de partida.

No caso da pessoa ser competente, a estabilidade e a sensação de estagnação causada pela impossibilidade de uma promoção pode fazer com que ela pare de se importar com o trabalho, atingindo por outra via o seu grau de incompetência.

No Caetano Veloso

Há quem defenda que Caetano Veloso seja um grande artista. Veja bem, eu não concordo com isso, é uma questão de gosto pessoal. A suposta competência dele no âmbito musical e grande sucesso comercial fez com que Caê fosse promovido à posição de Cagador de Regra Nacional. Esta nova posição nada tem a ver com fazer música. O que Veloso precisou para se alçar a artista de sucesso não o ajuda a discorrer sobre assuntos onde ele insiste em meter o bedelho, seja em textos, seja em entrevistas. Portanto, é nesta posição que Caetano chega ao seu Posicionamento Final. Ele não será promovido à posição de Intelectual Sério, exceto por alguns de seus fãs. A incompetência de Caetano Veloso não importa para seus asseclas; o fato deles gostarem de sua música legitima suas opiniões. Para eles Caê pode tudo.

Conclusão

Na verdade eu não tenho muita coisa pra dizer mais. Talvez eu já tenha atingido o meu grau de incompetência. Acho que esse texto todo foi pra dizer que eu acho que o Caetano Veloso não tem autoridade pra opinar sobre porra nenhuma e nem deveria ser levado a sério. Eu deveria ser levado a sério. Me leve a sério.


Para saber mais sobre o Princípio de Peter, compre o livro “O Princípio de Peter”. Leia também o meu texto sobre o Princípio de Gervais: