O processo de escrita é dolorido

E suas consequências fogem ao nosso controle

Fonte: Pixabay.

Precisamos parar de romantizar uma questão: nem todo texto é prazeroso de se escrever.

Há ideias de textos que doem para ser transformadas em palavras. E para esses textos você precisa ter muita força para resgatar lá do fundo da alma tudo o que precisa para materializar aquela ideia em palavras concretas, a fim de que outras pessoas também possam ter acesso a esses pensamentos.

Existem textos que doem na mente e na alma de quem escreve, ainda que também existam os textos que tiram sorrisos bobos do próprio escritor no processo de produção textual.

Há textos que doem porque a vida nem sempre é fácil para as pessoas e os textos refletem tudo isso: o contexto em que ela está envolvida, sua situação física e emocional atual, sua relações afetivas enquanto ser social, a vontade ou não que estava de escrever um determinado tema versus a necessidade de se escrever sobre aquele assunto.

Contar experiências de vida em textos, por exemplo, nunca é algo fácil. Você, geralmente, precisa remexer em todo o seu interior, reavivando sentimentos e sensações que, talvez, mesmo que por um breve período de tempo, tenham ficado no seu âmago adormecidas. Mas você remexe e ao fazer isso reaviva todas as sensações porque sabe que aquelas experiências, transformadas em palavras e difundidas por ai pela facilidade da internet, podem ser úteis para outras pessoas que passaram ou passam pelo mesmo que você.

Você sabe que pode fazer um diferencial na vida daquelas pessoas, ao mesmo tempo em que ao escrever você também consegue se compreender melhor, refletir melhor sobre sua própria existência e situação de vida.

Um texto nunca é um processo fácil. Além de muitas vezes doer, é difícil expressar tudo o que está claro em sua cabeça — seja na forma de ideias, seja na forma de sensações — em palavras concretas que podem ser perfeitamente (ou quase perfeitamente) entendidas pelas outras pessoas a sua volta.

Além disso, o trabalho de escrita é difícil porque você não pode simplesmente chegar, escrever e logo publicar. Isto porque as palavras carregam em si significados mais forte do que o simples aspecto semântico. Palavras carregam energias positivas ou negativas, conforme elas foram sendo empregadas ao longo do tempo. Há palavras que são ofensivas para alguns, ao mesmo tempo em que há outras que, embora usadas pejorativamente ao longo do tempo, hoje foram reapropriadas representando símbolos de força de muitas populações marginalizadas e vítimas de opressão.

As palavras também, quando transformadas em textos, têm a força de mudar vidas. Não apenas do leitor, mas do próprio escritor. Não apenas positivamente, como também negativamente.

Quando um texto é criado, você não tem mais controle sobre ele e ele passa a vagar pelo mundo, em um distância curta ou em uma que atravessa continentes. A palavra ali escrita, embora possa ser editada posteriormente, foge ao controle de quem as escreveu. Justamente por isso, um texto precisava ser muito bem pensado antes de ser escrito. Um equívoco pode continuar sendo um equívoco para muitos, mesmo que você o conserte por meio de edições após a publicação do texto.

Um texto pode machucar pessoas, que talvez nunca mais se recuperem, ao mesmo tempo em que também pode reerguer pessoas que precisam de força devido a situação de vida atual delas.

Um texto tem força e justamente por isso o escritor tem muita responsabilidade sobre o que ele veicula, assim como também o leitor que o lê.

Fonte: Pixabay.

E textos doem para ser concretizados. Nunca é um processo fácil.

E apesar da dor e de toda dificuldade, continuamos escrevendo. Escrevendo para nós e escrevendo para os outros. Por motivos diversos, sejam eles egoístas ou em prol de um bem maior.

Escrevemos com a dor e com a alegria, na esperança de que nossas palavras sempre encontrem os mais diversos recantos, repletos de pessoas, dos mais diversos tipos.

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Vitor Garcia de Oliveira

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Ativista na TODXS. Escrevo pra não sufocar. Email: vitorgarciaoliveira@gmail.com

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