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O que foi corroído

Às vezes sinto surgir 
Uma grande energia dentro de mim.
Desejo que ela não vá,
Não se dissipe.
Aqui dentro contida,
Crescendo, 
Ganhando corpo e força.
Essa energia pede para ganhar o mundo.
Pede meus pés para dançar, correr, dar um salto de fé. 
Pede minhas mãos para aplaudir, abraçar ou repelir.
Pede minha vontade para fazer, agir, criar.
Desejo que ela não esmoreça,
Não se acabe.
Aqui dentro crescente,
Alimenta-se de si mesma.
Pede minha boca para posicionar-se, cantar, beijar.
Pede minha mente para fazer a diferença, entender a sentença.

Às vezes uma grande energia me é drenada.
Coração e mente em conflito
Para entender o incompreensível, o que não deveria ser dito, ou ouvido, ou sentido, mas é. 
É sem sentido
Qual o sentido?
O indizível é compartilhado, justificado, passado a limpo e ressignificado, enaltecido.

Toda minha energia agora é difusa.
Esforço-me para mudar de foco, desviar do fogo cruzado, recuperar a sanidade,
Mas a atenção dispersa facilmente.
Já não encontro minha energia.
A tensão se faz presente.
A multidão me isola, me questiona, me julga.
Me julgo.
Paro de correr, de dançar, de saltar, de aplaudir, de abraçar, de repelir, de fazer, de agir, de criar.
Paro de me posicionar, de cantar, de beijar, de ser quem eu sou.