O que nos impõe o voto deste ano?
Se você conseguir olhar para si (e tudo que te cerca) vai entender que o voto no pleito deste ano – mais do que nunca – impõe um aguçado exercício de empatia.
Se, até aqui, suas pautas pessoais guiaram suas escolhas – que é método salutar e positivo, afinal não podemos partir daquilo que não conhecemos/sentimos – as eleições deste ano vão permitir avançar além do que nos cerca. A aplicação nos exigirá muito – mais do que podemos imaginar.
No entanto, se você tem grave apreço pela liberdade, grande senso de humanidade e justiça, conseguirá superestimar o outro, suas necessidades e lutas. Este ano, nessas eleições, proponho o apagamento de desejos individuais.

Parece soar polêmica a proposição, mas – em outras palavras – ela significa a possibilidade de existir em coletividade, consciência pouco difundida, estimulada e valorizada.
Aquela íntima vontade de ser membro melhor, mais responsável socialmente, pode encontrar lugar na escolha de candidatos que encaixem mais satisfatoriamente nas demandas dos outros e não nas minhas/suas.
Assim, não dê o “trocado” no sinal ou a “sobra” do almoço; pense: “Vou te dar um presidente! Um deputado! Um senador!”
Não tenho dúvida que esse pensamento de afeto, de compromisso, te levará para a escolha assertiva, pois ao “esquecer de mim/si” você terá capacidade de se encontrar muito mais, muito mais.
Pensar na maioria – e nas suas faltas de quase tudo – e na minoria – e sua invisibilidade social em quase tudo – vai te fazer encontrar o equilíbrio no entendimento e a extinção do egoísmo, livre, livre, finalmente livre das paixões!
O que nos impõe o voto? Sermos melhores! Aproveite essa oportunidade!
Afinal, a “liberdade política não pode se resumir no direito de exercer a própria vontade. Ela reside igualmente no direito de dominar o processo de formação dessa vontade”. Mattelart (2005, p. 191).

