Ainda em fase de testes, medida extrema pode revolucionar uma era de egos

Vitor Hugo Portugal
Jul 18 · 4 min read
Arte por Mayumi Amaral.

Após ter saído uma notícia em abril de que o Instagram poderia tirar o número de likes da visibilidade pública num post, ontem (17), finalmente isso realmente se concretizou no Brasil.

Nessa nova era, a rede social, sendo considerada a mais nociva à saúde mental, segundo um estudo, pode mudar muito seu conteúdo ao longo do tempo. Na verdade, esse é o objetivo da medida. Para o Instagram, “sumir” com o número de curtidas fará com que os usuários busquem por qualidade e não por quantidade (números). Mas como isso pode nos afetar?

Numa geração de surgimento e, ao mesmo tempo, de avanço extremo da internet, marcada pelo egocentrismo, por blogueiras, influencers, uma nova forma de ganhar dinheiro no século XXI, e, consequentemente, uma onda de doenças psíquicas a todo vapor, isso pode ser revolucionário.

Publipost

Os famosos influencers do Instagram podem ser destacados como os principais causadores da padronização estética do app, feito por esse acúmulo de fotos patrocinadas, mais conhecidas como publi post. O fim dos likes pode afetar (até profissionalmente) esses influencers, pois não haverá mais número de curtidas aparentemente. Logo, as companhias não poderiam estar cientes de seus engajamentos e não os patrocinarão. Isso pode fazer com que o número de propagandas no Instagram diminua e, em seguida, a despadronização estética, física ou pessoal avance.

Vida perfeita

Não é novidade pra ninguém que o Instagram é conhecido como a rede social da vida perfeita, onde só vemos pessoas ricas e felizes (aparentemente, ao nosso ver). As fotos têm esse poder na plataforma, de dar uma impressão ilusória da vida de alguém. E isso tem (sérias) consequências, como a ansiedade do FOMO (Fear of Missing Out), que é essa sensação de que estamos perdendo algo na nossa vida por não estarmos vivendo o que o outro está no momento, e mais diversos sintomas depressivos e ansiosos, como a isolação de usuários, baixa auto estima, insônia e, claro, o vício na plataforma e na rotina de usá-la como suprimento a um vazio interno. Com o suposto fim dos likes, as pessoas talvez possam parar de se preocupar em ter algo relevante (em números) a mostrar as outras. Postando uma realidade no virtual mais convicta à do mundo real, a insegurança e desaponto por números inferiores acabam como um ato de amor próprio, sem medo de julgamento causado por números superiores aos dos mesmos.

Por João.

Enquanto num tempo não muito distante tínhamos guerras gigantes por questões sociopolíticas, hoje, com essa nova era de relacionamento no século, já vemos essas diversas controvérsias e negações práticas a essas redes (principalmente ao Instagram) se tornando as guerras pelo mundo virtual. Desde a ascensão do Facebook em 2011 até a do Instagram — de 2013 até agora — as plataformas já perderam diversos usuários críticos a essa superficialidade nas novas “relações” interpessoais. O livro “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais” se tornou referências a muitos desses usuários e até a ensaios na internet. Tem até aqui na New Order um relato do Juan Maia sobre parar de usar o Facebook e eu também já escrevi sobre essa ansiedade ocasionada pelas redes (leia aqui). Pode até ser que com essa novidade na plataforma muitos usuários retornem, visto que se tornará muito menos tóxica ao longo do tempo, se for efetivada.

E claro, a mudança radical se tornou alvo de maior repercussão. No Twitter, o assunto já é falado em mais de 600 mil tweets. Confira alguns:

Controvérsias

Porém, tudo isso também é parte de uma estratégia capitalista, porquê nem tudo são flores. Outra consequência (negativa) pode ser o enriquecimento de Mark a partir de promoções de empresas situadas na plataforma, dos donos desses publiposts ou até mesmos de pessoas que querem só aparecer mais ali. Isso seria devido à decaída de engajamento em suas publicações como consequência da despadronização de tal estilo de vida.

O Instagram não está pensando só no nosso bem não. Não está pensando só na nossa saúde mental. O lucro também vem pra gente, claro, mas eles também ganham muito e não só com promoções. O convívio mais saudável no aplicativo vai fazer com que as pessoas usem e compartilhem mais. Como irão perder o medo do “flop” nas fotos, será compartilhado muito mais coisa, muitos mais dados nossos serão roubados e, consequentemente, muito mais número$ pra cima deles.

Será mesmo que, para nossa felicidade e saúde, os likes vão mesmo continuar sumidos? Mesmo que seus números continuem a aparecer de forma privada a cada um, o Instagram acredita numa forma muito melhor de proveito da rede social, melhorando nossa convivência e vida pessoal junto à qualidade da plataforma. Com menos FOMO, vício, publipost e biscoiteiros, compartilhar fotos pode sim se tornar algo muito mais saudável — para nós mesmo e para os outros — , fazendo com que nosso proveito tenha um efeito muito mais positivo.

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Vitor Hugo Portugal

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Sentindo um tônus

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