O que significa o sexo para você?

Foi ao ler o texto de um grande amigo (esse aqui) que, pela primeira vez, pensei nisso. Afinal de contas, crescemos expostos a todo tipo de estímulo sexual, mesmo antes de compreendermos isso: na novela, no finado show da Xuxa, na letra da música da Angélica, na banheira do Gugu. Intrínseca à imagem do relacionamento está a idealização do sexo, tanto quanto da relação em si.

É até estranho ver o que a gente podia ver na TV aberta num domingo a tarde

É fácil pensar o que significa o sexo pra muita gente: Freud, Almodóvar, Manoel Carlos, E. L. James, Björk, Lars Von Trier, Terry Richardson, Jorge Amado… Todos esses nomes podem ter contribuído com a formação da nossa noção do que é sexo. E claro, há a pornografia, acessível como nunca. E que, bem sabemos, é feita para ficar bonita na câmera e não para ser replicada (quem já tentou sabe a dificuldade, risos).

Isso tudo torna difícil, bem difícil, separar o que é idealizado e o que é real depois de tanta influência externa — e não necessariamente, positiva. Até agora ainda não cheguei a uma resposta única. Mas tem duas que estão quase lá.

Sexo é viver o outro por alguns instantes: essa é a minha definição “romântica”.

Cheguei nessa frase rapidamente, sem pensar muito, e por isso mesmo estou considerando ela aqui — o subconsciente, as vezes, é bem inteligente. Vai que essa é uma delas.

O raciocínio por trás, quando parei pra dissecar o conceito, pareceu simples: é durante o sexo que nos permitimos sermos menos “eu” pra ser mais “nós”. É onde a ligação com outra pessoa se estabelece de tal forma que ela não pode ser ignorada. É o máximo da presença do outro — e não só fisicamente — que a grande maioria de nós irá vivenciar. E justamente por isso é um grande exercício de empatia, que, muitas vezes, nem percebemos.

Será que quem “transa mal” é pouco empático?

Foi pra mim, de verdade ❤

Sexo é se dividir (quase) sem medida. Essa é a minha ideia de sexo que é mais, como dizer, menos romântica.

Penso que é o equilíbrio entre o que eu quero e o que o parceiro quer que forma a dinâmica da relação. E quase sempre alguém terá que ceder em algo. E, dentro dos próprios limites, se propor a estendê-los, tentar coisas novas. Pelo outro, mas também por si próprio.

É a beleza dessa troca, que ao meu ver, deve ser quase desmedida (menos racional), que torna o sexo algo tão bonito. Não se trata do que eu quero ou do que ele quer, mas sim do que queremos juntos, do que nos permitimos.

Isso nem sempre será fácil, mas sempre (ou pelo menos, quase sempre) será gostoso.

Björk sensualizando enquanto frita ovos — o símbolo da fertilidade feminina

Ainda não sei o que o sexo significa pra mim, e talvez eu não venha a saber tão cedo. A única certeza é que não é parecido com filme ou novela, e muito menos poema.