O que você espera do outro?

Esse texto surgiu como uma variação de um outro que eu pretendia escrever, sobre confiança, mas infelizmente ele acabou se tornando pessoal demais, íntimo demais e acima de tudo, cedo demais. Por isso resolvi partir para esse segundo texto, que de certa forma fala do mesmo tema, mas com uma abordagem levemente diferente.

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As vezes somos pessoas boas, fazemos muitas coisas pelos outros, estamos dispostos a abrir mão de várias coisas pensando no bem do outro, mas na hora da retribuição, na hora que você é quem precisa do outro, não recebe nada em troca, ou as vezes até recebe, mas de forma bem superficial certo?

Isso gera insatisfação, sensação de injustiça, de que você faz tudo pelos outros, mas que ninguém faz nada por você, mesmo que você jamais admita e diga que está tudo bem, não está, lá no fundo esse sentimento existe… eu sei, ele também existe as vezes em mim.

Uma pergunta que cabe nesse momento é, você já parou e falou para essa pessoa como se sente? Ela sabe que você está se sentindo desamparado ou você simplesmente espera que ela adivinhe como você se sente?


Eu pergunto isso, por que sou uma pessoa extremamente empática e tenho bastante desenvolvimento na inteligência interpessoal, ou seja, capacidade de entender e interpretar o outro e a melhor maneira de agir em relação aos sinais dele (isso baseado na teoria das 9 inteligências de Gardner, que farei um texto ou talvez uma série sobre futuramente). Por ter isso desenvolvido em mim, muitas vezes sei dizer, pelas variações de postura e forma de falar do outro, como ele está se sentindo ou se precisa de mim, e as vezes, por isso, acabo não falando como me sinto pois espero que as pessoas percebam também.

Muitas vezes projetamos no outro as nossas capacidades e sentimentos, e se formos parar pra pensar, é algo que não faz tanto sentido assim certo? Somos indivíduos únicos, com pontos fortes e fracos, e acredito eu, sem capacidade de leitura de mentes. Então o melhor caminho é o diálogo honesto e se o outro realmente se importa conosco, ele vai querer ouvir e levar em consideração como nos sentimos e quando precisamos de apoio.


Como dito em textos anteriores, a amizade é uma forma de relacionamento, e como qualquer relacionamento, para funcionar direito, é extremamente necessário o diálogo. Eu sei que as vezes sendo sinceros vamos nos sentir atrapalhando o outro, sobrecarregando ele ou que estamos exigindo demais… Mas, pergunta sincera aqui, não é um direito do outro decidir isso? Além de privarmos a pessoa de nos ajudar, quando sabemos que precisamos, ainda tiramos dele o direito de decidir se está disposto a fazer isso ou não… Pode soar estranho, mas é uma forma bem egoísta de tentar não ser egoísta.

Durante a nossa vida escolar, somos educados a não expor nossos sentimentos, aprendemos que a lógica e a matemática são mais importantes que as outras áreas, que mostrar nossos medos e inseguranças, principalmente perguntando as coisas que não sabemos, é uma forma de fraqueza. E isso evolui para nossa vida pessoal e vamos nos fechando, aprendendo que demonstrar insegurança é ruim, logo o processo para se livrar desse modo de agir e pensar é longo, mas nem perto de ser impossível.


No caso da pessoa estar aberta a te ajudar, você vai diminuir uma carga que não é obrigado a carregar sozinho, o ser humano é um ser social e precisa de outros para funcionar, não só na hora da festa, da cervejinha ou “n” situações sociais, mas também na questão do apoio e suporte emocional. Por isso ter a liberdade para ser sincero com os próprios sentimentos e o papel que você quer que o outro tenha na sua vida torna não só a própria amizade melhor, mas também a sua saúde mental.

Existe também a possibilidade do oposto acontecer, a pessoa não corresponder as suas expectativas ou simplesmente não querer isso, e está tudo bem. A partir do momento que você coloca o que sente para o outro, você divide isso, ele passa a ter poder de decisão também. Então, daí para frente ele tem, como indivíduo único que é, com seus defeitos, qualidades, capacidades e vida pessoal, dizer que sim ou não para você.

Eu sei que o “não” pode parecer ruim, mas não é ainda pior, para ambas as partes, receber ajuda de alguém que não quer te ajudar? Uma pessoa que não presta atenção quando você precisa ser ouvido, alguém que te diz só “vai ficar tudo bem” quando você precisa de um apoio mais completo que isso? As vezes meia ajuda pode ser bem pior que ajuda nenhuma.


Para finalizar, caso o amigo não corresponda as suas expectativas, não fique brabo com ele, não se afaste, não guarde mágoa ou rancor. Essa é uma amizade que pertence a uma categoria diferente. Temos amigos de falar sério, amigos de festa, amigos de faculdade, amigos de infância, amigos de só falar merda, amigos de “se pegar” e uma infinidade de tipos de amizades. Com cada um desses grupos, somos e agimos de modos diferentes, mesmo que a nossa essência seja a mesma com todos.

Se somos capazes de ter amizades de formas diferentes, também somos capazes de aceitar apoios e papéis diferentes. Se um amigo disser não ou não estiver presente, mesmo você pedindo, ele não é uma pessoa ruim, é apenas outro tipo de amigo. Dito isso, não dependa dele ou desista de procurar alguém que pode se abrir, talvez ele esteja em outro lugar e você somente não achou.

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