Bruno Deolindo
Jul 20 · 4 min read

O Rei Leão não é um reboot, a volta de algo antigo e esquecido requentado numa roupagem mais moderna, nem um remake, algo refeito da base mas com todas as liberdades poética possíveis, O Rei Leão na verdade é um verdadeiro remaster, o material original pego em sua forma mais fiel e pura possível e atualizado com gráficos de ponta e atuações magistrais. Confesso que essa pegada de refazer um filme quase quadro a quadro pode não agradar a maioria das pessoas, mas a mim agradou imensamente, por ver um clássico tão marcante da minha infância tendo esse tratamento super respeitoso, algo que me deixou muito feliz e satisfeito com o resultado final.

A Disney já está a um tempo revivendo seus grandes sucessos do passado e dando a eles uma nova roupagem, já rolaram filmes como Mogli, A Bela e a Fera, Malévola, Dumbo e recentemente até Aladdin, para numerar alguns, além disso, ela possui ainda outros inúmeros projetos no forno como Mulan, A Pequena Sereia e A Dama e o Vagabundo que devem ter o mesmo impacto em nós, crianças adultas e dar uma bela repaginada em velhos contos da empresa.

O Rei Leão vem na esteira desse projeto bem sucedido e porque não dizer lucrativo da companhia do rato preto, o filme assim como todos os outros projetos anteriores vem com a injusta missão de fazer frente a um grande cult do imaginário de toda uma geração e atualizar ele a novas audiência. Devo dizer ele não faz feio em suas atribuições, por mais que jogue na bolinha de segurança e pouco explore a trama para apresentar algo novo do que todo mundo já viu sobre a historia, é inegável todo o cuidado que o projeto teve, desde a escolha do elenco composto por inúmeras estrelas doando suas vozes e talento ao filme, do cuidado quase paternalista e perfeccionista em pouco modificar a trilha sonora e músicas icônicas do filme ou até mesmo a um investimento abundante que nos dá um dos melhores efeitos especiais já visto no cinema, com animações soberba dos animais.

Essa nova interação do filme, por mais que possa não acrescentar muito ao imaginário daqueles que nunca perderam o filme de sua imaginação desde que assistiram a ele quando criança, faz um bom trabalho ao apresentá-lo a novas gerações e refrescar as antigas memórias e lágrimas de alguns.

Relacionado a trama como informado realmente não há muita coisa nova, ao ponto até mesmo de alguns diálogos serem exatamente iguais a animação original datada lá de 1994, porém mesmo assim o filme até consegue dar uma lapidada nas ideias originais dele, deixando talvez a famigerada moral da história mais fácil de ser compreendida e inacreditavelmente transportando um tema pouco debatido na década de 90 a algo extremamente presente nos dias de hoje.

Porém mesmo incluindo os exatos diálogos de antes, as atuações realmente são estelares, a maioria dos atores está muito confortável nesses papeis icônicos sendo os meus preferidos a presença política que Chiwetel Ejiofor dá ao seu Scar, ou o tom paranoico de Zazu vivido aqui por John Oliver e o ótimo duo formado por Billy Eichner e Seth Rogen dando vida a dupla mais icônica do filme, Timão e Pumba. Mesmo essas sendo as melhores interpretações do filme pelo meu ponto de vista o resto do estelar elenco que possui nomes como Beyoncé, Donald Glover, Alfre Woodard e até mesmo James Earl Jones reprisando seu papel como Mufasa não fica atrás em atuações.

Já na questão da trilha sonora o cuidado é tremendo, o fato do filme possuir muitos atores/cantores em seu elenco como Donald Glover também conhecido como Childish Gambino, Beyoncé e até mesmo a versão jovem de Simba vivida aqui pelo talentoso JD McCrary provavelmente facilitou muito na questão musical do filme, até mesmo Seth Rogen em seu pouco cacoete de cantor faz um trabalho bem divertido. Além disso, o time de produtores musicais do filme que desde o original já contavam com Hams Zimmer, Tim Rice e Elton John recebeu o reforço de Pharrel Williams, transformado minimamente toda a trilha sonora que já era genial em algo primoroso sendo o maior reflexo disso a regravação da imponente musica Circle of Life que inicia o filme.

Se o filme pouco arrisca em seus diálogos e trilha sonora o mesmo não pode dizer de seu formato de exibição que abandona o desenho animado e o design tradicional dos personagens e aposta em uma nova interação hiper-realista em computação gráfica, trazendo um design realista a todos os animais presentes no filme. É uma das melhores experiências de animações já vista em qualquer mídia praticamente, não há como descrever o quão belo e realista é todo o universo criado para a película desde os pequenos detalhes como o pelo dos animais, sombra, luz, reflexo, texturas tudo é perfeitamente executado.

Essa interação de O Rei Leão pode não ser icônica como a original, mas certamente é um belo e puro tributo a toda uma geração que sempre cantarolou suas músicas por aí, ou até hoje apresentam seus filhos no mesmo formato que Simba nos foi apresentado ou até mesmo aos que fizeram de Hakuna Matata seu lema de vida. Feito com o cuidado e porque não dizer o amor de pessoas que sabem o quanto significou em sua infância e na de toda uma geração esse filme.

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Um cara que anda por aí chutando as latinhas de Coca-Cola na rua da vida e escrevendo um pouco sobre o que o coração das cartas mandar.

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