O respeito do homem árabe por sua esposa

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Britânico estava com aquela cara entediada durante o almoço, preocupado, mas reclamando da vida. A mulher estava na capital, perto dos mimos, das lojas e do cartão de crédito, enquanto ele trabalhava no interior. Não há bom emprego capaz de pagar a paz de espírito.

Ele contava as lamúrias para o curioso Brasileiro, enquanto Árabe comia calado, como se não estivesse ali, mas atento a tudo. Britânico comeu rápido e voltou para o trabalho. Mais à vontade somente com Brasileiro, Árabe questionou:

Por que vocês, ocidentais, falam mal de suas mulheres? Não importa o problema, eu nunca falaria mal da minha esposa.

Esta cena é real. E capaz de quebrar os paradigmas existentes sobre o homem árabe.

A cultura árabe continua a mesma: patriarcal, sexista. Feita pelos homens e para os homens.

Um dos maiores erros cometidos pelos ocidentais é olhar para o mundo árabe com suas lentes culturais. Cada lugar é de uma forma e pensa de maneira diferente. Nisto reside a beleza do mundo. Mas os ocidentais insistem com a ideia de pasteurizá-lo.

O casamento no mundo árabe está bem vinculado a sua essência: é um negócio. Desde os primórdios da história, ele "é um instrumento de controle básico da transmissão do patrimônio e de acordos familiares" conforme apresenta a historiadora Dr. Maria Beatriz Nader, da Universidade Federal do Espírito Santo.

As duas mudanças essenciais no sentido do casamento ocorreram 1) no século XII, quando o catolicismo o transformou em sacramento cristão, como forma de exercer controle social, e 2) na modernidade, quando o indivíduo passou a ter mais controle de sua própria vida, passando a escolher com quem dividiria o teto e a cama.

Na grécia de Platão, o casamento era a forma dos homens livres se darem filhos legítimos à pátria, diz Beatriz. E no mundo árabe a lógica atual está próxima deste raciocínio.

A poligamia existe, mas somente com a permissão da mulher. Ao presentear uma, a outra recebe o mesmo tratamento. Ao comprar presente para o filho de uma, todos os filhos são igualmente agraciados. Isonomia para uma boa convivência.

É interessante a relação de afeto dos pais com os filhos. Eles fazem questão de ter as crianças em volta de si e o recém nascido vai em seus braços. Uma demonstração explícita dos filhos que foi capaz de gerar.

Eles também se apaixonam. Logo, mães e irmãs existem para sondar a família da mulher, para descobrir se há possibilidade de abrir os cortejos — e as negociações.

Vê-se nestas bandas maneiras diferentes de olhar a relação conjugal. É outro referencial. É preciso conhecer primeiro antes de emitir "concordâncias e discordâncias".

Como em todas as sociedades, também há o desrespeito — e Maria da Penha existe para os momentos de excesso no Brasil. Os casais também possuem o direito ao divórcio para quando os limites do acordo são excedidos. Interessante ver nos Esmirados Árabes Unidos uma campanha do governo orientando as mulheres a se valerem deste instrumento.

No entanto, o mais interessante é o respeito e a proteção de sua mulher. Tenho certeza que muitas se sentiriam amadas e correspondidas com uma atitude semelhante a dele.

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