Os (des)caminhos de Bolsonaro

A corrida acabou e é certo que perdemos. Retrocederemos 50 anos em 4, desejo de Jair, ou será diferente? Na tentativa de entender essas questões eu fiz uma pequena pensata sobre as possibilidades de JMB e compartilho com vocês para que juntos, quem sabe, cheguemos a alguma luz.

Creio que há 3 caminhos que saltam aos olhos do observador.

I — “Plus ça change, plus ces’t la meme chose” — Tudo será como sempre foi só que um pouquinho pior.

JMB fará um tipo de governo de coalizão, procurará compor com o congresso para garantir seu projeto. Ele avançará inicialmente sobre algumas pautas, infelizmente as mais nefastas pois serão justamente aquelas que dizem respeito aos povos indígenas, populações tradicionais e ao meio ambiente, talvez com algum êxito. JMB não colocará fim ao ativismo como ele prometeu justamente por conta dos pesos e contrapesos de nossa democracia. Entretanto, ele irá tentar e por isso, haverá luta e resistência.

O projeto liberalzinho de Jair tentará ganhar corpo nesse rolê. Nós, o povo, faremos a pressão necessária para que não aconteçam retrocessos e ao final de 4 anos varreremos essa figura desnecessária da presidência da república.

É o meu cenário otimista.

II — O pagador de promessas

Em delírio, Jair se acha objeto de missão divina, arauto da nação brasileira. Nesse papel, ele irá de forma determinada cumprir suas promessas de campanha. Perseguirá ativistas e oposicionistas, buscará implementar à força a “vontade da maioria”. Fará rumar o Brasil a uma teocracia neoliberal e utilizará para isso os meios que dispõe, que são o aparato de violência, seus cães de guarda nos Estados (Sim João Doria, falo de você, entre outros) e principalmente, o congresso nacional, onde seu governo formou ampla maioria para os principais temas de sua pauta. Ele desejará alterar nossa carta magna e se o congresso não concordar ele não se constrangerá em fechá-lo. É a ditadura que iremos viver.

Na bica, implementará o desmantelamento da política indigenista e das áreas protegidas. Perseguirá ativistas, professores e cientistas. Em verdade, ele irá perseguir todos aqueles que não concordarem e teremos um Erdogan para chamar de nosso.

Haverá guerra, de combates duros, até o último homem. E venceremos, não sem traumas e baixas. É o Brasil incerto, o pior cenário. Infelizmente, me parece que é por aqui que caminharemos.

III — O Governo incerto

Nosso presidente será fraco e tomará decisões erráticas. Sem competência para governar ou formar alianças, rapidamente o velho brasil de sempre irá agir para que ele seja uma espécie de Dilma.

Chamarão o Meirelles e o congresso tentará sua derrubada. João Doria, o miserável governador paulista, seu aliado de primeiro momento será o líder do movimento para sua saída, que irá as ruas sob as batutas do MBL, achando que logrará êxito em ser o próximo presidente.

Só que então veremos o General chegar. E talvez ele fique por bem mais tempo do que os desejos de João Doria.

A conclusão

Em todas as hipóteses, perde o Brasil. Mais uma vez e dessa vez pelas próprias mãos do povo, nosso destino enquanto paraíso terrestre é empurrado mais um pouquinho pro futuro.