Os dois Lados da mesma Política

Quando o problema não é Cara, nem Coroa, mas a Moeda mesmo

Na madrugada da quarta-feira, dia 30 de novembro, a Câmara dos Deputados desconfigurou a proposta de medidas anticorrupção, que intenta criar meios de impedir desvios políticos chancelados pela impunidade. A decisão aconteceu um dia depois da queda do avião da Chapecoense, acidente que comoveu o país deixando aparente o oportunismo deste grupo de interesses em se aproveitar da “distração” popular para executar uma manobra “justificada”, como tantas outras, algo que o Legislativo parece ser mestre em fazer. Certamente outro grande exemplo disso, para este ano, foi o próprio impeachment da presidenta Dilma Rousseff, cujo assunto indico texto no link abaixo e que se relaciona em grande medida ao que pretendo trazer neste que agora escrevo.

Publicado no dia 17 de maio, o texto trata sobre esta que foi certamente a principal discussão política do ano, o impeachment.

Reler este texto pra escrever o presente traz-me uma constatação interessante: Em poucos meses o quadro brasileiro tornou-se mais nítido. O que sigo escrevendo confronta-se com o referido, e traz uma progressão da imagem desenhada pelo mesmo (que é do que começo a falar). E esta progressão é, para mim, um sinal.

Dois lados sim, Esquerda e Direita não!

Durante um longo tempo viu-se o confronto de duas colocações antagônicas: os que eram a favor do processo de impeachment de Dilma, e os que eram contra e percebiam nisto uma tentativa de Golpe de Estado.

Em meio a tais posições predominantes outras se erguiam, talvez um tanto quanto neutras, como a que compartilhei no referido texto, que aponta a perspectiva de que o maior problema reside já na Constituição de 88, que dá brechas, por exemplo, a que um Presidente (chefe do Executivo) seja retirado de seu cargo sem qualquer julgamento do mérito da acusação, com ou sem o aval da população.

Assim, sobre o assunto, disse: “para uns há golpe de Estado em decurso. Para outros, não há golpe. As duas visões não estão certas. Ou melhor, as duas visões estão certas.”

Só para explicar brevemente e contextualizar, falar de golpe sobre o impeachment de Dilma estava certo e errado ao mesmo tempo. Não era golpe porque foi legítimo o impeachment segundo a Constituição brasileira, mas era golpe porque o Legislativo utilizou-se de estratégias torpes para alcançar legalmente o que desejava. Para os crentes da existência de uma Esquerda o golpe ocorreu — sim, mas muito antes do impeachment (pode-se dizer, desde a promulgação da constituição de 88) — e para os crentes da existência de uma Direita, se formos fiéis ao sentido da palavra em si, que remete a uma ação realizada por alguma entidade (física ou jurídica), então o que há é um sistema e estrutura desenhados para prover o domínio de um grupo, e não golpe propriamente dito.

Contudo, não é isso o que quero apontar, pois algo se mostra diferente. Naquele texto disse que não haviam lados e, na realidade, existem sim, dois lados, como se pode dividir. Não, não mais uma Esquerda e Direita, ressalto. E sim, um lado dos que querem manter o poder que já possuem, e o daqueles que arcam com este custo (nós). Isso fica mais nítido agora e é importante que todo brasileiro enxergue bem.

Esquerda e Direita, hoje, é uma ilusão frente a um sistema que funciona do mesmo modo pra todas as divisões ideológicas, beneficiando quem está no poder, com a vantagem para o Legislativo, por ser a esfera que faz as leis. Se já está no poder, isto é, se já foi eleito — membros do Legislativo e Executivo — ou se já foi escolhido — ministros do STF — , não é o exercício da função que vai contar dentro da Câmara, do Tribunal, ou da Tribuna, tão pouco a eleição/escolha futuras. Se já está no poder, todo o restante já é encenação, não faz diferença significativa, uma vez que é fruto de um mesmo jogo, e o jogo acaba ficando contra nós, a população. Isto tem de ser entendido, precisa estar claro.

Há que se lembrar que já existe uma instituição, uma organização ali ancorada antes mesmo das escolhas finais realizadas em quaisquer destas “eleições”: o Partido. Importante recordar que não é tão relevante quem figure nas cadeiras políticas, os partidos permanecem estáticos, existindo, ano após ano, e os principais do Brasil são preexistentes à Constituição de 88.

O que isto significa? Já que citamos o acidente da Chapecoense, vamos fazer mais uma vez uso do futebol para entender. Um clube de futebol tem cada vez mais possibilidade de contratar excelentes jogadores e assim ganhar mais campeonatos, quanto mais campeonatos ganhe (é assim, redundante mesmo). Contudo, basta a renda do Estádio e os aportes financeiros que conseguem (muitas vezes às custas de altas dívidas, que é uma prática corriqueira) para manter a coisa toda funcionando. Não existe “praticamente” possibilidade de um time conhecido de futebol fechar as portas no Brasil. Da mesma forma, quanto mais cadeiras um Partido ganhe, mais condições de verter vantagens do esquema o partido tem. Basta, entretanto, a renda mínima que eles já recebem de qualquer jeito — como o fundo partidário, que em 2015 e 2016 bateu a casa dos 800 milhões, o dobro do saldo anterior em função da proibição das doações para campanhas políticas, fora o abatimento de despesas — para continuar funcionando, tal como os clubes de futebol.

A organização dos Partidos, portanto, já se instaurou e já se faz, também, canal de recursos (ponte) entre a iniciativa privada, capaz de conseguir a manutenção (financeira) do grupo de interesse, obtendo as facilitações de contrapartida que estão presentes nesta relação. A proporção dos agentes que figuram eleitos na câmara pesam no grau de influência com que articularão ações e projetos. E é certo que o fluxo monetário já existe — para alimentar o grupo e as instituições, simplesmente por ali estar — em vista dos salários e recebimentos previstos para as funções e atuações. Afora isso, num sistema corrupto como o brasileiro, basta entrar nele para que somas inimagináveis e irrastreáveis (ou quase) circulem, talvez mesmo entre os pequenos partidos (não duvido totalmente), tomando em consideração, como dito, que a mera presença já faz funcionar o sistema, que tem como mecânica a manutenção — a extração e a exploração — do próprio poder.

Veja que o buraco é mais embaixo. Existe a instituição dos Partidos que envolvem Legisladores — sendo deputados, senadores, vereadores — , envolvem o Executivo (por exemplo, o presidente). Também envolve o Judiciário, pois a indicação dos ministros que ocupam a instância máxima da esfera Judiciária é realizada pelo Presidente (chefe do Executivo) e aprovado pelo Senado. Isto significa que todos os três poderes estão vinculados de alguma forma às instituições/organizações dos Partidos. Fora tudo isso, vale como adendo mencionar que o comandante-geral da polícia é um cargo também de indicação política da parte do chefe do Executivo em exercício, e que nossa impressa de massa, por ser concessão do Governo, já tem suspeita sua isenção e imparcialidade, e não vou citar aqui todas as instituições da sociedade que possuem indicações políticas para o cargo máximo de suas hierarquias. Em suma, os Partidos governam, os Partidos, de certo modo, detém o poder tão somente pela capacidade de influência que tem. E se colocarmos tudo junto como uma única instituição hegemônica, isso fica parecendo mais uma Máfia legitimada do que qualquer outra coisa.

Partidos são empresas, visam lucro, e depositam no lucro a expectativa de cumprir suas ideologias, se é que a ideologia importa alguma coisa — a realidade é que ao menos para os principais partidos sua importância é completamente secundária.

Aquilo que poderia distinguir os direcionamentos partidários, que é essa ideologia de cada partido, é insuficiente numa cultura em que as motivações são orientadas pelo capital financeiro, que como razão suprema, fica facilmente acima dos interesses ideológicos. Se não encontramos este tipo de altruísmo nas instâncias mais necessitadas da sociedade, encontraremos ali, no meio político?

A quantidade de partidos no Brasil é uma das maiores (senão a maior — são atualmente 35 partidos com mais 34 em formação) do mundo. Mesmo assim, a quantidade deles comporta facilmente pelo menos um representante de cada partido reunido numa única sala de jantar com intuito de fechar um acordo em prol do interesse que os que já estão no poder compartilham: meios de continuar o usufruto do esquema financeiro e de manter o fluxo do poder aonde já está (o “como” não importa muito). Além da ocasião dos “jantares”, a própria convivência na Câmara tornam muito fáceis acordos que, na prática, envolvam essa aliança mais profunda, no sentido de que tudo ali seja fatidicamente uma só Organização. É claro que, vale repetir, provavelmente existem pequenos partidos que podem não participar do jogo por divergência ideológica, mas se os principais já são participantes nada impedirá uma fusão velada que arraste consigo ou se oculte dos (ou oculte os) divergentes, de modo que o que se assiste ali é nada mais, nada menos que um teatro.

Encontrei essa matéria no mínimo interessante:

Aliás, por falar em encenação…

É preciso lembrar que os sujeitos políticos são excelentes atores. São escolhidas pessoas com vocação para a retórica, basta o fato de terem conseguido a quantidade de votos necessária para o pleito. São pessoas que sabem se posicionar muito bem, que tem a capacidade de quem fica totalmente por conta de pensar soluções para que suas arte-manhas tenham sucesso (e isso faz diferença). E tem o apoio de assessores extremamente inteligentes e preparados para lhes auxiliar nos esforços de manter o status quo — uma vez que a perenidade de um agente político representa, a perenidade de seus assessores e cargos de confiança. Isso permite inferir que cada ação, cada passo é estudado e alinhado com os acontecimentos e eventos que decorrem mundo afora. O aproveitamento dos eventos de impacto justificam, por exemplo, a votação das medidas num momento em que ocorre uma queda de avião com brasileiros que, como no dito popular, “parou o país”. Estes indivíduos facilmente se justificam e, o que é pior, convencem uma parte das pessoas — do lado que arca com o custo — de que suas ações foram desinteressadas e apenas conforme a ordem vigente.

Então medidas anti-corrupção, aposentadoria, posicionamentos que extrapolam todos os adjetivos derivados do absurdo são práticas corriqueiras de um agrupamento que não tem a menor preocupação com o efeito de suas decisões, apenas com a maquiagem que determinará as aparências.

Tudo faz parte de um mesmo esquema que é funcional simplesmente por existir, e que enriquece (pelo menos pode enriquecer) quem está eleito só por lá estar.

A direita e esquerda só existem aos olhos das pessoas e no “figurino” que os políticos acreditam ou precisam vestir.

O grave problema disso e a necessidade de se conscientizar sobre, o quanto antes, é que são combates como os desta divisão de lados Esquerda x Direita entre as pessoas comuns que faz a manutenção deste poder, isto é, que mantém o poder com quem já está no poder. Existem, como disse, dois lados reais, mas quando um destes lados se divide em dois e está brigando entre si (entre a ilusão de Esquerda e Direita) o outro lado real (o dos agentes políticos que querem manter o status quo) ganha força, porque “surfam” nos argumentos que a própria população lhes dá. É como defende Etienne de la Boétie no texto Discurso da servidão voluntária ao dizer que governos são como fogueiras em que as pessoas colocam lenha, mas bastaria que elas parassem de colocar para que o governo perdesse seu poder.

Hoje a cultura se tornou híbrida de modo que não existem — olhando conforme as ideologias — crentes de Esquerda que não participem da Direita e não existem crentes de Direita que não participem da Esquerda, o que indica a necessidade de que o crente de Esquerda entenda que quem defende uma Direita faz parte da Esquerda e que o crente de Direita entenda que quem defende uma Esquerda faz parte da Direita, em todo caso, sem que o saiba.

A situação é crítica, sobretudo, quando esta divisão entre a própria população não é meramente conceitual, mas guerreira, de modo que seu esforço seja de buscar “revelar” (e distinguir) aqueles que estão com a razão dos que não estão. Um exemplo atual: o esforço de “convencer” o outro de que ele errou, de que “foi avisado”, “de que agora deve-se aguentar” quanto ao impeachment de Dilma, e coisas semelhantes, revelam no fundo uma vaidade orgulhosa de quem se faz inerte para conseguir condenar o outro ao fracasso máximo, mas que acaba deste modo por se igualar ao próprio carrasco. Ou revelam uma exigência perfeccionista que é míope, pois desconsidera, dentre outros aspectos, que é próprio de uma democracia a diversidade de pensares, e é perigoso, inclusive, uma uniformidade forçada. Fora o fato de que, como já foi abordado aqui, afirmar que foi ou não golpe não indica que se estava com a razão diante a realidade excepcional de que ambas as proposições estão certas e erradas ao mesmo tempo. Com tais disputas, continuamente se dão elementos para que os próprios políticos permaneçam aonde estão.

Por isso, é preciso se focar não no fruto, mas na árvore; quero dizer, observar não uma decisão isolada como geralmente fazemos — a exemplo, do impeachment de Dilma por si só — , mas o agente podre que dia após dia usa do poder para continuar vivendo do Poder. O Poder é como se fosse a empresa, e esta tem exercido um monopólio em seu “mercado”.

Mas Meu Poder nasce no Outro quando fazem-se Nós

Os poderes (os três poderes) vertem somas impressionantes de dinheiro do país em salários exorbitantes injustificáveis, benefícios desnecessários e todo o tipo de exagero que são diretamente responsáveis pela falência social de décadas. Isso para além de demonstrar a responsabilidade de cada ator nestas esferas de poder sobre cada centavo que utiliza, indica a necessidade de uma reflexão e conscientização social sobre a autorização de poder que estamos entregando e sobre o quanto este governo é dispensável, em certo sentido.

Não se trata de eliminar o Estado, dispensar sua estrutura e se declarar anarquista. Saber que o governo — tal como ele se faz hoje— é dispensável é diferente de dispensá-lo simplesmente. Saber que é dispensável é importante para começarmos o processo de “pensar” novas formas de governabilidade. Não existe uma resposta pronta para o “como”. Essa resposta tem de ser construída por nós. Mas para essa resposta existir, é fundamental que as pessoas parem de limitar sua procura às soluções das velhas práticas políticas. É crucial, em outras palavras, parar de buscar nas formas de governo já existentes uma resposta. A partir disso, considerar que, assim como cada dia no mundo é inédito, é bem possível surgir uma resposta inédita, sobretudo, quando o mundo passou por uma revolucionária transformação pós-moderna, começando de tal forma a explorar o quadro de possibilidades ainda desconhecidas pela capacidade conectiva, as quais são muito pouco (ou quase nada) exploradas especialmente para o viés de soluções para a governabilidade.

Não é mais novidade que não vivemos num país plenamente democrático, quem dirá, controlado pelo povo. Mas ainda há quem deposite todas as suas fichas no voto e a culpa nos que escolheram a opção diferente, sem se atentar para o fato de que qualquer que sejam os resultados nas urnas, não farão diferença se o que continuar a se seguir não for a evolução de uma conversação popular que continue a se apropriar da rede, do discurso, do conhecimento, da ação (por pequenas mas múltiplas ações), nesta ordem. Até então temos nos apropriado do discurso, mas nos falta apropriar-mo-nos da rede para que o restante se dê. Isto ainda é complicado, posto que se apropriar da rede implica em conversar e carecemos deste aprendizado, de saber conversar.

De cada pauta que surge no âmbito das Câmaras, nasce um conflito popular pela disparidade de opiniões, sem compreender que não é o mais importante existir clareza de conhecimento em todos nós sobre a matéria com que eles articulam. Precisa, sim, que exista uma visão de futuro comum e a capacidade mútua, popular, de conversar, de buscar convergências nas falas, mesmo quando estas falas de um modo geral divergem. Isto porque é necessário dar o direito às pessoas à ignorância, pelo simples fato de que não tivemos Educação Democrática e estamos, por meios populares, conquistando isso aos poucos, através destas mesmas conversas que divergem, mas que acabam convergindo no fim.

Realizar a Educação Democrática — dever inerente a todo aquele que se preocupa com a democracia, sobretudo aqueles que se entendem na qualidade de “opinadores” — tem como exigência condicional não exigir o conhecimento democrático de ninguém, e sim defender a disposição a este aprendizado, disposição mesma à qual você precisa demonstrar, na capacidade de construir diálogos.

Vasculhar convergências e, encontrando-as, trabalhar nelas, é muito mais importante do que combater, convencer, reverter ou transformar as divergências — tal, é um gasto de energia inútil. O que se tem de comum e consenso deve se fazer ação conjunta. O que se tem de divergente funciona como um cinzel, serve para lapidar.

Existe uma pirâmide em cima de nossas cabeças. O domínio “Faraônico” paira sobre nós, como na história bíblica da escravidão dos Hebreus. Existe um poder. Este poder emana do povo. Este poder não está com o povo. Mas este poder É do povo.

A intenção não é gerar pessimismo, mas apontar que entender como “emanamos” o poder é a chave para empoderarmos a nós mesmos.

Uma coisa é certa. Temos uma escola de como se apoderar do poder no próprio governo. Basta fazermos o que ele faz e esta realidade muda.

Para tanto, o grande desafio desta ação simples é parear com as instituições sem constituir uma. A topologia de uma instituição é hierárquica, que na prática significa que o comando de uma única (ou poucas) pessoa vai ser seguido conforme sua vontade. Representa um poder porque há uma multidão, um exército, que se move como uma única pessoa manda, quanto mais forte é a hierarquia.

Relembre o que o presidente da Coréia do Norte levou seu povo a fazer quando seu pai morreu. Toda a população chorava e se debatia enquanto no fundo de suas almas queriam que tivesse também morrido o seu filho, sucessor do governo (e quem deu a ordem) e toda a sua família junta. A força daquela ditadura travestida de democracia impunha até mesmo sobre os movimentos dos corpos das pessoas.

A rede social (as pessoas em relações) que surge do conversar, sob uma mesma visão de futuro, tem condições de realizar este pareamento. Neste sentido, é impossível existir unanimidade de ação (tática) em um movimento popular, mas é possível emergir um grupo, ou uma multidão de grupos, capazes de fazer frente e incomodar cada vez mais o grupo institucional.

Com as recentes movimentações no campo dos poderes, fica cada vez mais evidente quem é o outro lado nessa história. Fica cada vez mais claro que trata-se de uma só moeda e que se é Cara ou Coroa não faz qualquer diferença. Vai fazer diferença o momento em que decidirmos parar de lançar a moeda pra cima e a gastarmos com algo que nos seja mais útil, como comprar de volta o futuro do nosso país.

O mal intencionado se atrai e se orienta pelo objeto de sua ambição. Muitas vezes, aquilo que o leva à riqueza, o leva à miséria. Se as “pessoas” físicas e jurídicas de governo buscam oportunidades para manipular nossas proposições, a exemplo da ocasião do acidente com o avião da Chapecoense, podem estar conseguindo algo muito importante para nós, as pessoas comuns, nos unir pela indignação.

E a união faz a força!