Foto por Sven Scheuermeier (https://unsplash.com/sveninho)

Pare de perguntar se vale a pena ser designer

Uma reflexão para te derrubar de cima do muro

Frequento alguns desses grupos abertos sobre design gráfico nas redes sociais.
Nesses ambientes, para além dos posts do tipo “que fonte é essa” e “quanto devo cobrar por um flyer”, é comum surgirem participantes com dúvidas como:

“Vale a pena ser designer? Ganha bem? Tem emprego?”

Bem, acredito que é um questionamento válido, porém expô-lo em um fórum talvez, não seja a melhor forma de obter um feedback qualificado.

Na minha experiência pessoal, essa dúvida não existiu, pelo menos no início da minha carreira. Não planejei, nem quis ser designer. Fiz faculdade de Publicidade e Propaganda, pois parecia ser fácil e divertido (e foi). Meu interesse por outros temas acabaram me levando a ser um designer. No final dos anos 90, com a chegada da Internet, fiquei hipnotizado pela web. Não demorou muito pra me cansar dos chats do UOL e começar a descobrir como fazer páginas em html. Se não me engano, me chamavam de “Webmaster”, na época. Devido a minha paixão pela música, anos depois, acabei entrando numa “turma” que estava lançando uma revista gringa de Rock. Meses depois, na ficha técnica estava lá meu nome, com o cargo “designer editorial” ao lado.
E assim foi… e é até hoje.

A vida me tornou designer.
Antes mesmo de eu ter ideia ou estudar o que é design.

Voltando ao questionamento, creio que as dúvidas são realmente autênticas, mas as perguntas estão erradas.
Para saber mesmo se quer se tornar um designer, procure respostas para as seguintes perguntas:

1. O que é “ser designer”?

É incrível, mas muita gente que resolve estudar design não entende ou sabe sequer as disciplinas e o contexto do que irá aprender. Corra atrás, se informe. Já vi pessoas entrarem em pós-graduação de design gráfico e abandonarem semanas depois, pois achavam que iriam aprender a dominar o Photoshop. Design é um campo que oferece imensas possibilidades, tanto profissionais como acadêmicas, sendo assim, busque informações sobre esses desdobramentos e veja se vão de encontro as suas aptidões.
Ter noção do que faz e qual é o papel do designer na sociedade é primordial para conseguir se desenvolver profissionalmente com dignidade e saber onde está pisando.

2. Estou disposto a lutar pelo meu “lugar ao sol?”

Isso vale basicamente para qualquer profissão que escolher, entretanto, na área de design gráfico, o buraco é mais embaixo. Praticamente qualquer pessoa que tiver um pacote Adobe pirata no PC vai se declarar abertamente como seu concorrente, seja para um freelance como para uma vaga de emprego. Infelizmente, boa parte do mercado não sabe separar o joio do trigo. Sendo assim, cabe a você, designer, criar o seu espaço de destaque. Assim que possível, deixe de fazer o layout do blog da sua tia, o logozinho do clube de bocha do seu pai e o cartão de casamento da sua prima. Use esse tempo para construir um portfólio estruturado. Trabalhe em projetos, não em peças. Use suas habilidades para demonstrar a todo instante que sabe o que está fazendo e como isso se reflete no retorno para o cliente/empregador. Seja mais do que um técnico de software e prove o seu valor como comunicador. É preciso conhecimento e atitude para ganhar algum protagonismo. A não ser que queira ser um eterno “sobrinho”.

Se encontrar as respostas dessas duas perguntas, já vai ver com mais clareza o que é ser um profissional na área de design e se vale a pena (ou não) escolher esse ofício.

Seria ingênuo da minha parte falar aqui sobre salários e vaga de emprego no setor, mesmo porque não tenho dados suficientes para isso. Entretanto, acredito que o amadurecimento profissional e colocação no mercado de trabalho passam primeiramente pela assimilação das duas perguntas colocadas acima, além de muitas outras que surgirão pelo caminho.

Quanto antes entender os princípios do que é ser um designer, mais cedo irá começar a montar a sua imagem no mercado e alçar voos mais altos.

E então, de que lado do muro vai ficar?

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