você não é obrigado(a) a nada

Ilustração: TC

Talvez você até saiba, mas negue, de alguma forma, que “parte da sua identidade é saber dizer não para as coisas que você não quer fazer”, parafraseando Lady Gaga em certa entrevista que assisti esse dias no YouTube.

Dizer “não” é ter a noção do que soma e merece ficar, do que traz algum sentido pra nossa vida. É delimitar até onde as nossas vontades ocupam território na nossa individualidade e permitem espaço devido ao sim que nos solicitam.

É aquilo: você não é obrigado(a) a nada. Nada! Não precisa sacrificar o almoço por meia dúzia de certificados no Lattes, condenar por pressão social a sua “solidão” ou permitir-se ouvir discursos que vão pesar, negativar, o seu dia, a sua vida, fazendo você só sorrir amarelo pra manter seu nível de deboismo. Não precisa, não. Não precisamos deixar que nos enfiem garganta à baixo o que nos distancia do melhor que podemos e queremos ser. Se a nossa felicidade depende de bons nãos, então partiu gritar as nossas vontades doa a quem doer e se incomodar.

A educação tem que ser baseada pra uma felicidade que dura, que muitas vezes não tem plateia grandiosa e concordante, que não é maré, que não é contra aquilo que se acredita, que se aprende ao separar o que chega e pode ficar e o que nem merece um lugar dentro de cada um. Não temos que ser educados pra sermos prisioneiros de escolhas diárias que são objetivos pra entrar em um padrão de felicidade baseada em likes e no quanto nos parecemos cool. Ser o que somos e beleza. Todos lindos, por dentro e por fora, e ponto. Quem gostou, faça barulho. Já quem não gostou, me poupe, se poupe, nos poupe. Coloque seus julgamentos pra longe daqui. Obrigado.

Ser legal está distante de ser permissivo e deixar que passem por cima do que somos. Então, não é brutalidade alguma impor os nossos limites. Ser legal é ter autenticidade. É ter personalidade e não apenas cair no clichê e vazio de dizer que ela é forte. Temos medo de dizer não, mas faz parte da nossa identidade olhar o que existe dentro da gente, e autoconhecimento nunca é demais, pesar o que exatamente se encaixa na cabeça, na vida, no momento em que estamos, que gostamos disso e detestamos aquilo. Não faz de ninguém vilão mostrar pelo que luta ou que não concorda com certas atitudes. Faz alguém com personalidade pra não ser mais um no mundo entre tantos focados em uma vida ditada em rede sociais.

Pasmem, mas são muitas identidades roubadas à luz do dia pra tentar se parecer cada vez mais parte de um rebanho. Carregam dentro de si o contrário do que mostram externamente, quando deviam encontrar a própria maneira do bem de ser.

É parecer pra ser. Uma pena que a felicidade resumiu-se a likes, ao follow e unfollow, às reações programadas, à popularidade medida em quantas viagens fez pelo mundo, em qual restaurante almoçou ontem à tarde, em quantos pares de sapatos tem no closet, em carros na garagem. Medidas e exibidas. Como se a vida real fosse um leilão na qual compram e entulham em um quarto tudo o que nem precisam, transformando aquela felicidade sólida, que se consegue medir e sentir pelo o que gera dentro do peito de verdade, em algo cada vez mais líquido, superficial, relegado à tanta banalidade que se acumula por pressão de esquecer de dizer “não, não quero isso pra minha vida”.

Um mundo no automático. Vidas desperdiçadas fazendo o que não gostam. Esquecem que pra fazer o bem pra alguém precisam começar consigo mesmas. Não gostou? Fale. Discorde da maldade. Impeça o mecanizado. Você não é obrigado(a) a nada.

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Thomaz Cunha escreve

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27 anos. gaúcho. canceriano. escreve na NEW ORDER. insta: thocunha

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