O guardião da floresta

Paulo Guajajara, líder indígena, foi assassinado em novembro de 2019, em uma emboscada feita por madeireiros na região da Terra Indígena de Arariboia, no Estado do Maranhão.

Natali Carvalho
Feb 15 · 2 min read
Fonte: Reprodução/YouTube

No dia primeiro de novembro de 2019, uma sexta-feira, Paulo Guajajara foi assassinado cruelmente por madeireiros. Enquanto seu povo chora e clama por justiça, o governo federal fez um post em uma rede social prometendo uma investigação do caso, como o Juiz Sergio Moro que disse que não pouparia esforços para levar os responsáveis pelo crime para a justiça. Até agora ninguém foi preso.

Paulo era um guardião da floresta, responsável por fiscalizar e denunciar invasões na mata, hoje uma das atividades mais perigosas no Brasil. Estava acompanhado de Laércio Guajajara, liderança da região, que conseguiu fugir do ataque, embora tenha sido alvejado.

Nos últimos anos, vários conflitos entre indígenas e madeireiros aconteceram no estado do Maranhão. A morte do líder Guajajara, ocorre em meio a um aumento destas invasões em reservas por madeireiros e grileiros ilegais desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2019 e prometeu abrir terras indígenas protegidas para o desenvolvimento econômico.

Em 2007, o indígena Tomé Guajajara foi assassinado no mesmo local. No ano seguinte, em 2008, madeireiros invadiram a aldeia Cabeceira, atirando contra os indígenas. Em 2015, um agente do Ibama foi atacado na região, mas sobreviveu. Em 2018, o cacique Jorginho Guajajara também foi morto.

Em setembro do ano passado, o governo do estado solicitou à Funai e ao Ministério da Justiça proteção da Terra Indígena Governador, situada na mesma região em que Paulo foi morto. Nesta mesma época, os “Guardiões da Floresta” realizaram a apreensão de quatro caminhões, duas motos e uma motosserra que estavam sendo utilizados na extração ilegal de madeira das terras indígenas. Após o episódio, indígenas relataram que as ameaças aumentaram.

Segundo o Relatório Violência contra os Povos Indígenas (2017), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no último ano foram registrados 109 casos de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio, enquanto em 2017 haviam sido registrados 96 casos. De acordo com o Cimi, de janeiro à setembro de 2019, já foram contabilizados 160 casos do tipo em terras indígenas do Brasil.

De um lado temos madeireiros tentando dizimar a floresta, do outro, índios autodenominados guardiões da floresta, que arriscam, assim como Paulo, suas vidas, graças a ausência do estado. E infelizmente, o guardião se une as estatísticas de um país que não protege seus primeiros moradores.

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Natali Carvalho

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tentando viver sem falhar. colaboradora no @thevalkirias / insta: @artistafalida

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