Você já viu uma pessoa micro-ondas funcionando?

(Foto: babycakes romero)

Sua cabeça já deve ter fervido com uma pessoa micro-ondas. Observá-la funcionando, em alguns casos, é sofrível. E o mais grave, é que não se trata de um caso isolado. O comportamento que se tem notado é generalizado e crônico.

Você sabe de quem estou falando. É exatamente daquela pessoa que se tranca em seu micro-ondas, aperta o botão egoísmo e roda em torno de si mesmo. O que lhe interessa são apenas os traços de sua personalidade. É o cronista de si mesmo. O sujeito autobiográfico.

Aqui vai um conselho: não ouse interrompê-lo quando estiver praticando homenagens de si mesmo. Se assim o fizer, ele reage. Esquenta. Torna-se vítima da sua própria vaidade. Dá piti com classe, isto é, retira do bolso a prolongação de seu egocentrismo — o celular.

Com o celular em mãos, o sujeito nem se dá conta e repete milhões de vezes a mesma coisa. Os assuntos rodam, rodam, rodam. E quando se vê perdido, troca de assunto, com a tendência de continuar proferindo elogios de si mesmo.

Há tantos dias, uma cena cinematográfica se deu em casa. Quando se desligou de seus tópicos, o sujeito autobiográfico, com mania de micro-ondas, perguntou: “Qual é mesma a senha do Wi-Fi?”. Acelerou a conversa entre os dedos, checou vídeos e fotos, e se despediu.

Mas isso não acontece só em casa. Vários são os lugares com cenas similares: na padaria, no restaurante, no barzinho, no trabalho, numa visita, num encontro não planejado, na rua, e, com certeza, na presença de alguém. Na realidade, o roteiro egocêntrico é o mesmo, mudam-se apenas os personagens.

A euforia de contar sobre a própria vidinha, verificar exaustivamente o celular, responder mensagens, e raramente dar atenção para as pessoas, tornou-se um lamentável drama humano.

E afinal, por que continuamos recarregando esse comportamento?

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