Por quanto tempo permanecerei morto?

É 01:10 de uma Segunda-feira e eu resolvi ler um pouco após ter um colapso nervoso.
Estou na página 19 e milhares de pensamentos rodam minha cabeça, inclusive acabei de descobrir que colapsos nervosos não existem.
Em 20 anos, conheci muitas pessoas. E, inúmeras vezes perguntei a mim onde as “pessoas interessantes” se escondiam. Inúmeras vezes ouvi pessoas dizendo que não poderiam controlar o que sentiam. Que havia muitas coisas na cabeça e precisariam absorver. Talvez conheci a pessoa certa na época errada. Talvez ela só esteja confusa. Um dia a gente se encontra de novo. Mas, por quanto tempo permanecerei morto? 
Morte? Quem mencionou morte? 
Fique quieto, ela pode te ouvir. 
Essa linda coisa que não é coisa nenhuma e que ou te assombra ou te preenche. Ela, que desde nosso primeiro choro se aninha nos nossos braços e não nos abandona até nos consumir.
Mas não é ela quem escolhe a vida que você vai ter. 
Uma vez eu conheci um homem que era lindo. Ele era alto, talvez uma versão moderna do James Dean. Sabia falar sobre tudo o que você quisesse, números, filosofia, literatura moderna, arte renascentista... Ele se casou com uma mulher que amou 2 anos de 15. Teve filhos. Depressão. Um emprego que não o fazia feliz. Morreu.
Meu mundo virou de cabeça pra baixo. A dor no meu coração foi imensa e a única pergunta que vinha à minha cabeça era: POR QUE ELE ACEITOU ISSO?
Aceitar. Aceitar. Aceitar.
Tudo na sua vida só acontece se é aceito. Se você aceitar ser infeliz, você será.
Inteligente é quem aceita ser feliz. Não importa quão lindo ele fosse, nem quão alto, nem quantos diplomas ele tinha. Ele não era inteligente.
Todos temos problemas, contas para pagar, pessoas que vão embora, corações partidos, remédios vencidos e dores na junta. Ninguém nunca falou sobre resolver. Vai de você aceitar tudo isso e ser feliz ou ter uma vida infeliz.
É ligeiramente óbvio que vivemos num tempo pós-romântico totalmente romântico. Onde tudo que lemos, assistimos e ouvimos remete à amor de um jeito totalmente dramático e dolorido.
Veja bem, só será assim se você quiser. 
Nenhum sentimento apenas acontece. Você escolhe tê-los. 
Você escolheu se apaixonar pela menina do outro lado do bar, você escolheu pagar uma bebida à ela, à se encontrarem todas as quintas-feiras e casarem num domingo. Você escolheu ficar vulnerável à um passado que te deixa infeliz. Você escolheu ser infeliz.
Não sei quantas vezes já ouvi de minha mãe “Eu controlo tudo que penso, e penso tudo que sinto, então controlo tudo que sinto”
Eu descobri que tem um nome pra isso.
Silogismo. 
Você usa duas premissas, uma maior e uma menor pra obter uma conclusão em que unifica as duas.
Emoções acontecem porque você as escolhe ter.
Talvez o “amor da sua vida” seja uma pessoa que escolheu ser triste. E, talvez, caiba à você escolher se quer ficar perto de alguém triste ou não.
A única pessoa responsável pela sua maneira de sentir é você.
Depois de muito tempo, eu percebi que a minha pergunta dizia muito mais sobre mim do que sobre o defunto. EU não aceitaria uma vida assim, mas ELE aceitou.
Então, me desculpe. Mas, conheço a minha essência, conheço meus sentimentos e não sei quando vou morrer.
Mas, eu sei muito bem que eu não quero permanecer morta. 
Não permaneça.

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