Precisamos falar sobre o “fascismo”

Ou aquilo que podemos chamar de “fascismo moderno”

Como a aversão ao totalitarismo fascista tornou-se um movimento cultural igualmente autoritário?

Anteriormente às eleições de 2018 — tempos remotos à vitória folgada de Jair Bolsonaro num segundo turno histórico — criou-se um elefante na sala. Esse elefante foi alimentado e bem cuidado a fim de ocasionalmente abandonar suas raízes elefantescas para tornar-se um bode. Sim, um bode. Mas não qualquer bode: um bode expiatório a ser utilizado em inúmeras discussões contrariantes a ideologia vigente e a noção subjetiva do “bem” e do “mal”. O nome do elefante é Fascismo.

Destarte a falha tentativa de transformar política em fábula, temos que “fascismo” ou a atribuição do vocábulo à alguém, sendo esta “fascista”, está muito distante das raízes etimológicas e históricas do termo. É aquilo que Nietzsche chamava de “palavras abstratas”, as quais consequentemente tornam-se meros ruídos, “entrecruzamento de marcas que embaralha todas as pistas”. Alguns autores profetizaram que os fascistas do futuro se denominariam “antifascistas”, algo cristalino ao notar que chamar alguém de fascista hoje em dia nada mais é que lançar mão de uma tentativa descarada de silenciar ideias contrárias às próprias.

Para os teóricos profundos do marxismo esse fenômeno se dá através da chamada novilingua, ou seja a criação (ou até mesmo apropriação) de termos e jargões a fim de rearranjar a paisagem política criando a sensação de verdades ocultas e distorcendo a realidade em nome de um predicado linguístico. O fascismo, portanto, se configura como um novo logo, e é utilizado atualmente para des(is)criminar a Direita, tendo como fim la tan soñada revolución.

A repetição constante de palavras como “antifascismo” e “democracia”, tendo como fulcro nuances da própria ideologia, faz um convite pertinente para todo movimento político e social a aderirem a luta em prol da “paz mundial”, consubstanciada na revolução. Até a corrupção pode se tornar um conceito flexível se tal sacrifício beneficiar a militância (Gleisi Hoffmann que o diga). E daí se roubou? O outro candidato é fascista!

Sempre bom lembrar que o marxismo é uma lógica de pensamento, não uma ideologia. Seria ingenuidade tratá-lo dessa forma.

Tudo àquilo que contraria meu conluio intelectual considero fascista. É essa premissa que muitos carregam nos tempos vigentes. O fascismo, numa concepção clássica, está atrelado a concentração de poder, se opondo ao liberalismo capitalista, com o seu totalitarismo Estatal. Filmes como Amarcord (1973, Fellini) pintam o que foi essa realidade. Tudo dentro do Estado, tudo para o Estado e nada fora dele. E isso pouco tem a ver com prezar racionalmente pela soberania do seu país, importando maior zelo aos anseios do próprio povo frente aos de entidades supranacionais com interesses obscuros.

Manifestação em prol da normalidade das coisas. Fonte desconhecida. More cars, less trees.

Winston Churchill que o diga. A fim de salvar sua pátria, seu solo e a dignidade do Ocidente, o até então ministro do partido conservador tomou a frente como premier da Grã-Bretanha a fim de lutar contra o autoritarismo doentio de Hitler e os nazistas. O partido de oposição à Churchill, temeroso por estar alheio à força que impera numa nação com objetivos comuns, preferia o acordo de paz com a Itália (onde Mussolini seria o intermediador da Europa Ocidental com o império Nazista) ao invés de lutar em defesa dos interesses nacionais. Mas graças a nobreza de um Homem e seu êxito no apaziguamento de forças, todos se uniram e foram à luta, mostrando que é a coragem de estar do lado certo e lutar pelo bem é o que deve nos inspirar.

Gary Oldman as Winston Churchill in the movie Darkest Hour. Directed by Joe Wright. 2017

No Brasil, por exemplo, muitos se dizem em favor da liberdade e autonomia dos cidadãos, entretanto continuam defendendo a escravidão dos programas sociais, a regulamentação exacerbada do Poder Público que continuamente suga o contribuinte, a importância do “bem estar” dos que promovem inúmeras mazelas aos trabalhadores de bem, a unilateralidade da mídia, dentre diversos outros pontos, sendo estes apenas alguns exemplos das incongruências dos novos militantes. Nossa mais recente demonstração de força e dedicação em prol do país foi justamente a eleição de Bolsonaro, onde o foco é resgatar a credibilidade do Brasil como nação soberana, escrevendo nossa história com os próprios valores pátrios.

Nosso Churchill brasileiro, José Bonifácio, condecorado nos Estados Unidos, estaria orgulhoso. Enquanto muitos tomam consciência dos anseios concretos de realidade, temos que os aclamados “ANTIFA” representam o maior elefante na sala de todos os tempos.

Presentes nas redes sociais, nas Universidades do país e nos “encontros culturais”, sendo estes muitas vezes patrocinados com dinheiro público, o novo grupinho de jovens e militantes nada sabe sobre ser nação. Mal imaginam que para um futuro prospero e duradouro são precisos valores sólidos, uma tradição densa e um ideal maior que a si próprio e seu clã, em prol de toda a humanidade. Esses tolos e ingênuos são incapazes de conceber o que é dar a vida em prol de um ideal; Pelo futuro da civilização e por amor à sua pátria. Nas reuniões lacração de DCE nada disso é discutido, apenas ideais utópicos de revolução que na verdade são os principais responsáveis por provocar essas correntes autoritárias, como foi o Nazismo.

The loop of human history. Source: The mad mughais.

Se preocupar com os mais necessitados não pode ser uma desculpa para a covardia e egocentrismo. Não há diálogo com autoritários, e é isso que eles são. Estar a par dos anseios populares, das necessidades do cidadão comum é sempre o caminho certo. A maioria das pessoas quer trabalhar e poder pagar suas contas dignamente, sem utilizar da própria vulnerabilidade a fim de servir como massa de manobra.

Gérard Lebrun em seu manual O que é o poder? (1981) frisa a relação entre força e dominação, nos propondo a seguinte indagação: sob que pressão se produziu essa mutação de poder? Desde quando defender a “paz” e a “liberdade” é desculpa para ser intolerante com os que querem conservar a lei e a ordem? De onde vem essa vontade doentia de acabar com aqueles que são fruto de um Ocidente cristão e fazem parte de uma tradição milenar? Quem lhes deu a audácia e a fundamentação necessária para ir contra o que funciona desde os primórdios da humanidade? Não é retórico, quero respostas.

É realmente uma situação constrangedora. Não há contraditório e senso crítico em quase lugar nenhum. Não poder exprimir opinião sem ser taxado de algo envergonha as grandes figuras que lutaram em prol da verdadeira liberdade. “Ignorar que passa” não funciona. O elefante ficou grande, robusto e agora quer dominar a casa toda. Não basta a sala do Congresso Nacional. Não basta toda a cúpula do STF. Agora o foco é o Brasil inteiro.

Não podemos mais ignorar. O fascismo se concretiza ao serem utilizados termos e premissas a fim de silenciar o outro e cessar sua liberdade. Se formos continuar na democracia de espectro em que estamos inseridos não nos resta muito tempo. Precisamos defender nossos ideais como nação, expurgar qualquer intolerância e incongruência, e a “onda fascista” que tanto ditam é apenas uma tentativa de retorno à normalidade.