Primavera Inovativa: a Estação das multiplicações

Da desintegração do dinheiro à integração em redes multidimensionais para a Sociedade da Aprendizagem.

Ontem, dia 21/10/2015 às 16h29, Marty McFly chegara do passado na sua máquina do tempo, um De Lorean voador construído pelo cientista Dr. Emmett Brown. Agora é o momento de embarcá-lo no De Lorean de novo, de volta para o futuro…

(Comentário) A referência acima é ao filme “De volta para o futuro”.
Eu costumava usar notas de comentários para complementar o texto. Como parece que os responsáveis pela plataforma Medium retiraram a opção das notas públicas, o jeito é improvisar até que algum dia volte como era antes. Então toda vez que você ver o parênteses (Comentário) é out of text.

Nunca antes tantas pessoas estiveram conectadas apesar do espaço, apesar do tempo. No passado, duas eram as condições necessárias para existir interação social que possibilitasse, por exemplo, a origem de algo como a democracia — que surgiu entre os atenienses nas praças de mercado chamadas Ágoras: estar num mesmo local e num mesmo momento. Sem um encontro físico de duas ou mais pessoas, nenhuma conversa poderia acontecer. Sem que se dirigissem no mesmo momento, nenhum encontro físico poderia se dar.

Assim, a complexidade para se interagir fazia com que as relações e aprendizagens ficassem restritas na maior parte das vezes a um mínimo ângulo cultural. Embora a migração, a peregrinação e as viagens ocorressem sem que a distância intimidasse e a estadia nos locais permitisse a ocasião dos encontros, não há comparação possível de se fazer com a realidade atual em termos da quantidade das ocorrências de interação, da diversidade de culturas envolvidas, do volume de pessoas, da facilidade destes acontecimentos.

O Espaço e o Tempo tornaram-se pouco relevantes ante o precedente da internet e o desenvolvimento das tecnologias. Conectividade que revolucionou o mundo ao possibilitar que a interação social acontecesse aqui e agora, isto é, a qualquer hora e em qualquer lugar.

A realidade peculiar mostra-nos ainda a distensão deste panorama de conectividade, apontando a possibilidade no horizonte futuro de nova revolução, fruto da oportunidade de que tal condição de interação se intensifique ainda mais pelo contínuo desenvolvimento das tecnologias e com a multiplicação dos ambientes de aprendizagem. É na interação social que se dá a aprendizagem humana e é na aprendizagem, no compartilhamento — seja de conhecimento, de ideias, de recursos — que a inovação acontece, permitindo supor que quanto mais destes ambientes e situações de interação apareçam (e aqui coloco certa dose de espontaneidade pra isso), maior será a perspectiva de desenvolvimento.

Esta multiplicação vai se dar com a compreensão do fenômeno da aprendizagem — que não mostra relação com ensino como tentou-se fazer acreditar —, de modo que exista uma progressiva reconfiguração das instituições da sociedade que as levem a sair do modus operandi atualmente baseado em reprodução (próprio de dinâmicas de ensinamento) e hierarquia.

(Comentário) Sobre isso segue um dos livros de Augusto de Franco “Hierarquia: explorações na Matrix realmente existente”.

Estações de Escalabilidade de Valor

Novos ambientes precisam surgir — e já estão sendo ensaiados — , capazes de não obstar em nenhum sentido o ir e vir do fluxo de pessoas, seja por cobrar um preço pela sua utilização, seja tornando restrita a exigências de perfil, ou por tentar conduzir pessoas impedindo a autonomia, a liberdade da criatividade humana.

Estas iniciativas serão como Estações de Escalabilidade de Valor, ambientes de interação que disponham a qualquer interessado: espaço, todo tipo de recursos e todo suporte para que ele consiga empreender e inovar tornando realidade suas ideias e negócios, mas, sobretudo, aprimorando sua própria capacidade criativa.

No futuro, estarão em pontos estratégicos, serão locais públicos, abertos à circulação, talvez em algumas praças das cidades. Como Estações de metrô, irão permitir a mobilidade de pessoas de uma para outra estação e haverá comunicabilidade entre todas. Cada uma provavelmente vai proporcionar elementos para atrair o trânsito de pessoas de outras culturas, pois esta será a grande riqueza das Estações, nenhuma será igual à outra. Cada uma caracterizar-se-á pela expressão do conjunto das pessoas que por lá passam e de lá cuidam, sendo especialmente interessante a mistura de culturas para proporcionar insight´s cada vez mais inesperados.

Nestas Estações-Expressas as pessoas desenvolverão ideias e negócios. Se disto surgirem novos modelos de empresas, pode mesmo vir à tona outra natureza de empreendedorismo em que as pessoas serão as empresas e suas vidas, o modelo de negócios de forma que valerão de igual modo as ideias que vingam, tanto quanto as que fracassam, porque o pensamento seguirá o lema de que “ideias não se perdem, se transformam”, uma perspectiva de trabalho atemporal em que o que importa é a construção do Inovador do futuro.

(Comentário) No parágrafo anterior fiz menção a esse texto acima, que escrevi em 2014.

Todos os seres humanos são naturalmente criativos. Entretanto, construímos fronteiras e limites mentais que nos isolam no individualismo, na separação, e afastam de interagir e de livre-pensar sem “pré-conceitos”, “pré-ocupações”, sem julgamentos e apegos que só travam iniciativas, criam dúvida, geram medos e na prática resultam em reprodução de hierarquias. Com a disseminação da cultura da livre interação social, este inovador natural, que é cada um, vai sendo desimpedido de ser o que pode ser.

Imagem em ação: Impressão 3D, Realidade Virtual e mais…

Façamos agora um exercício de imaginação, considerando essa visão de futuro:

A internet, as tecnologias móveis, plataformas sociais, realidade virtual e tecnologias como a impressão 3D são parte da introdução de um novo paradigma que irá se desdobrar, quem sabe, como aconteceu com a revolução industrial no século XIX, ou como após a descoberta da eletricidade, sendo possível que se reinvente, outra vez, o modo de vida da sociedade. Na essência está o fortalecimento da rede social, que se faz na relação entre pessoas e não pode ser confundida com o instrumento (Facebook, Twitter, etc.).

As plataformas sociais tem feito o intermédio entre oferta de valor e o desejo deste valor criando pontes dia-após-dia, por exemplo, entre:

• quem quer acomodação com quem tem acomodação;
• quem precisa de transporte com quem tem transporte;
• quem quer conversar com quem está disposto a conversar;
• quem quer livro com quem tem livro;

…e por aí vai ao infinito.

Assim assistimos à ascendência dos serviços. Nos primórdios industriais a comercialização de produtos prevalecia ante serviços. Progressivamente hoje isto se inverte, apontando uma via de quebra de materialidade que reduz a necessidade de uma relação intermediária — através de uma organização vertical — entre oferta de valor e obtenção de valor.

Agora imagine um mundo em que a impressora 3D torne-se acessível em grande parte das localidades tal como hoje se faz disponível as antenas wifi. Imagine você encontrá-la em lugares públicos, assim como em boa parte dos lares.

Para pensar isso, lembre a revolução que representou a popularização do computador pessoal e do celular. É raro quem não saiba que no passado eram artigos de luxo. Também não é desconhecido o quanto tais tecnologias evoluíram com a popularização pelo barateamento. É o ciclo da tecnologia. Quanto maior a demanda, maior o número de interessados em aprimorar o processo para apresentar melhorias que tornem o produto mais atrativo.

Com a impressora 3D disseminada, gradativamente se tornaria real a possibilidade de desenvolver um produto em sua própria casa. Se quer um celular, ótimo, fabrique um celular. Precisa de um óculos de realidade virtual? Então por que não fabricar o seu?

É óbvio que só num longo prazo (penso em escala de séculos e posso estar errado) veremos algo próximo a um estado da arte para este novo modo de produtividade, com a inclusão progressiva de produtos mediante o aprimoramento que atenda a cada característica de complexidade que se faz obstáculo para se ter um produto perfeito.

Mas isso tudo permite antever um possível quadro em que:

  • o dinheiro começará a desaparecer,
  • o modelo de trabalho será transformado,
  • enquanto cairão as fronteiras das empresas.

Coexistindo o velho no novo mundo: O dinheiro

Naturalmente na história sempre há um longo período de coexistência do antigo com o novo, de forma que qualquer mudança sistêmica ainda tem sua resistência pelas minorias de adotantes. Portanto, aqui, neste texto, não se fala no sentido de transformações radicais (embora pode não parecer), mas de novidades.

No passado, quando ainda não surgira o dinheiro, as pessoas trocavam e consumiam grãos. No ápice do Capitalismo ainda consumimos os mesmos grãos colhidos no plantio, mas a forma de realizar uma troca mudou, embora ainda restem comunidades em algum canto do mundo que permaneçam realizando permutas sem uso nenhum de dinheiro. A realidade evolui, incluindo novas formas de fazer em coexistência com antigas, mesmo que do antigo só fiquem resquícios, como uma lembrança ou moda retrô.

Por esta razão, o dinheiro não irá desaparecer por completo como fiz parecer, mas perderá a importância que tem. Remeta a reflexão à sua razão de origem e não será difícil compreender.

O papel moeda surgiu para servir de intermediário de valor intangível de uma relação de troca (permuta) em que se utiliza quando tenho um valor tangível (como roupas ou outro produto) e preciso do valor tangível que meu vizinho, ou qualquer outra pessoa, disponha (como galinhas). O dinheiro é fundamentalmente útil porque permite que eu me desloque nos territórios, sem restrições de tempo e de espaço para realizar a troca que preciso, pois pode ser muito complicado levar mercadorias consigo. No passado, trocar um objeto dependia de duas coisas: estar ambos com os produtos num mesmo local e a um mesmo momento. Se não superássemos as distâncias carregando nossos objetos, não aconteceria nenhuma troca. Se não chegássemos a um mesmo tempo, não tinha encontro físico.

O papel moeda possibilitou então tal mobilidade, você não mais precisava portar seu objeto até o local. Era-lhe garantido a quantidade de dinheiro correspondente ao seu valor tangível onde quer que estivesse, pois o dinheiro era o mesmo em qualquer localidade e era impresso em abundância pelo governo. Supria, portanto, um problema de comunicação, de transporte, chame como quiser.

Desta forma, o quadro imaginário desenha que, no exemplo da impressão 3D, o transporte do objeto não é mais o centro do problema, pois o objeto se cria nos próprios lugares. Posso eu mesmo criar o produto com o software de desenvolvimento, adquirir a matéria prima e executar o processo, dispensando a necessidade de adquirir o produto final.

Coexistindo o velho no novo mundo: O trabalho

A ideia é: Você aplica seu esforço de trabalho para gerar um produto/serviço que supra a necessidade de alguém que o compra, por sua vez, com seu esforço de trabalho. O trabalho de cada um pode ser contado pelo tempo, complexidade, qualidade e talvez outros diferenciadores empregados (para considerar devidamente a diversidade), sendo o valor puro o que permite que o trabalhador tenha acesso ao produto/serviço que deseja, fazendo com que, novamente, não se dependa mais de uma instituição vertical intermediando a relação de troca.

Mas, claro, é só imaginação…

Apesar da fértil imaginação, outra observação é que trabalhar, desde há muito, tem sido mais associado à tortura — e para a maioria pode-se dizer que é verdade — , quando não chega mesmo a levar alguns à morte como tem sido frequente no Japão. Lá morrer de trabalhar (literalmente) é uma morte comum (chamada por eles karōshi).

Fato é que as pessoas estão insatisfeitas com o modelo de trabalho e por aqui, cada vez mais isso as tem levado a:

  • Frequentemente migrarem de um emprego para outro;
  • Pensar por elas mesmas em soluções particulares mais estáveis, através de empreendedorismo;
  • Se adaptarem a um padrão de vida mais viável, até minimalista, menos consumista e dependente das estruturas econômicas tradicionais;
  • Fazer emergir a cultura da colaboração e do compartilhamento, que por sua vez tem contribuído ao desenvolvimento de um novo paradigma social e ecossistêmico.

Sinto-me, então, autorizado a não só acreditar na minha imaginação como a apostar nela!

No futuro, novas relações econômicas se realizarão. Como o trabalho poderá ser trocado pela oferta de valor, possivelmente, a oferta de valor ganhará qualidade e importância. Melhor será que cada um desenvolva aquilo que gosta e sabe fazer muito bem. Se não, haverão locais que irão ajudar a descobrir um potencial que queiram explorar…

Ei! Espere aí!
Estamos falando também de novas escolas? Ou das mesmas Estações?
Eis aí o ponto cruz. O encontro entre Escolas x Empresas.
E o resultado disso pode extrapolar a via Educação x Trabalho contribuindo a emergir uma nova Política. Assunto que fica para um novo texto.

…Com o esforço comum poder-se-á viver bem e não será difícil atender aos desejos de consumo frente a uma infinidade de soluções de baixo custo. Além disso, imagino que a arte será mais valorizada e a qualidade do trabalho entrará em novo nível (e espero que profissões ou habilidades de Design se difundam e popularizem mais — e olha que eu não sou um Designer!).

Coexistindo o velho no novo mundo: A empresa

Não mais será fundamental que uma organização detenha a produtividade. Porém, ainda assim empresas remanescerão sob o velho modelo. Grandes organizações, por exemplo, são estruturas hierárquicas que apresentam enorme resistência em abandonar seus pressupostos de uma visão de mundo que percebem como invariavelmente competitivo. Resistirão por muito tempo, o quanto puderem, talvez não irão ceder mesmo. Mas o comportamento em que irão fatalmente incorrer é o de integração-desintegração, seja pela fusão entre duas ou mais empresas, seja pela redução de sua estrutura. Isso vai levar progressivamente a que empresas derrubem suas fronteiras, fazendo surgir blocos de organizações que produzam com qualidade e perfeição, caracterizando mesmo o monopólio em seus contextos.

A ideia de monopólios pode trazer um senso critico à tona sobre o caso. Historicamente tem-se que a concorrência foi positiva para a melhoria dos produtos e de seus acessos, criando uma regulação e autorregulação (natural). Isso pode estar certo. Contudo o ponto é que há contexto para um novo passo ser dado (para passar de fase). O consumidor tornou-se hoje também produtor de seu consumo, de modo que não é mais permitido a uma organização que queira subsistir, explorar ou tentar ditar unilateralmente suas regras.

De qualquer forma, a relação das empresas remanescentes com o mundo vai necessariamente mudar. Com a profusão de ambientes de aprendizagem e o aumento do volume de interações inovativas, cada vez mais as organizações remanescentes sofrerão com a pressão externa pela mudança. Os níveis custosos de uma economia baseada em acumulação intensificam mais e mais as pressões internas por resultados — que não mais poderão ser repetidos como antes. Haverão atritos de impacto psicológico e o quadro de constantes crises internas vai reclamar recorrentemente mudanças cada vez mais desgastantes, com demissões, alterações estruturais, de processos, e todo tipo de rearranjo. Do lado externo surgirão desde substituíveis a novos concorrentes que para empresas conservadoras (isto é, com baixo grau de adaptabilidade) são fatores de relevante ameaça e impacto imediato — o moral também é parte de um capital especulativo.

Eis que chegará a nova Estação

As Estações posteriormente irão agregar empresas remanescentes, que de alguma forma em meio a este turbilhão haverão de notar que tais Estações são mais valiosas que bancar centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Primeiro, porque não são centros, mas redes. Segundo porque farão bem o que as empresas tradicionais nunca conseguirão fazer tão bem: pensar diferente. Pois ao reunir um corpo de pessoas, diverso, não-influenciável, a criar com o mundo-diversidade de que dispõem e, sobretudo, em ambientes comunicantes, é fácil imaginar como resultado uma explosão de inovações.

Notar a oportunidade e o valor destes espaços dependerá de um exercício ativo por parte dos envolvidos nestas Estações emergentes, ou passivo a partir da própria percepção das empresas que vislumbrem o potencial inovativo de se facilitar ao máximo toda e qualquer pessoa envolvida na organização, a manifestar, amparada com os recursos de que precise, sua plena criatividade. O grau mais elevado de inovatividade (se é que isto pode ser medido) só pode ser atingido numa completa rede distribuída que faça da interação social e aprendizagem, cultura. Isto implica abrir mão de muito do que hoje seria, talvez, vital para as organizações nesta fase de transição, o que faz uma oportunidade de terceirização para a proposta das Estações.

Essa terceirização da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) vai girar um ciclo no qual a atuação das Estações de Escalabilidade de Valor (EEV) incentiva a que as organizações remanescentes nelas invistam, o que por sua vez torna mais sólidas tais Estações, levando a uma melhor atuação e à sua consolidação. Deste modo, o que imagino como consequência é que organizações de hoje serão absorvidas pelas Estações de amanhã.

Seja interagindo nas EEV´s, seja na migração entre empregos, ou, seja como for, as pessoas vão carregar de uma empresa para outra novas concepções e questionamentos que estão a adensar um já nascente viés cultural.

Nenhuma instituição se mantém por si só inalterada se sua cultura for transformada ao longo do tempo. Isto significa que quanto mais as ideias de um novo paradigma forem aceitas e absorvidas pelas pessoas, mais a instituição deixará de ser como era antes e mais será transformada, porque de fato ela é a expressão de cultura, o produto cultural que é emanado pelo conjunto das pessoas.

Se mudar a cultura, invariavelmente muda a organização!

(Comentário) Não creio que será em pouco tempo. Talvez caberá a uma nova geração de pessoas e empreendimentos, porque é certamente mais complexo desconstruir padrões já arraigados por séculos. Embora não seja tempo a questão, a blindagem de uma cultura patriarcal fez de nossas instituições sistemas de ensinamento de hierarquia, ou sendo mais crítico: igrejas de desumanização.

Um nome melhor: Multiplicadoras

Na prática, a organização do futuro — as EEV´s — deve-se descobrir uma incubadora de pessoas que acelere ideias e multiplique interações, inovações e negócios. De tal forma há um nome mais adequado: Multiplicadoras.

Total atenção agora!

As Multiplicadoras deverão necessariamente estar totalmente comunicantes, integradas em rede, interconectadas — isto é uma condição! Quero dizer, elas não podem ser proprietárias. Precisam ser de código aberto, o que quer dizer que a experiência deve ser transformada em conhecimento explícito disponível (como manuais, tutoriais), de forma que qualquer pessoa seja capaz de criar uma Multiplicadora em qualquer ponto do mundo.

As Multiplicadoras irão facilitar, amparar e provocar a interação trocando o fluxo de recursos com outras Multiplicadoras disseminadas pelo mundo.

Se surgirem Multiplicadoras proprietárias — que impossibilitem a replicação — , elas não serão Multiplicadoras. A multiplicação se dá pela lógica da aprendizagem na interação, o que qualquer sinal de hierarquia ameaça. Qualquer apropriação é restrição de fluxo.

Em um novo texto quero detalhar e contribuir à criação de Multiplicadoras. Portanto, se você se interessou, ou se tem ou faz parte de alguma incubadora ou aceleradora, convido você que lê este texto a cocriá-la em mais detalhes comigo. Em breve irei disponibilizar o texto inicial em draft para cocriação.

Tudo isso é início de um futuro que culminará no entrelaçamento de todas as Estações, Empresas remanescentes e Pessoas-empresas em Redes Multidimensionais.

Redes Multidimensionais

São redes estabilizadas sob uma integração sistêmica na conexão entre:

• Empresas-Empresas
• Empresas-Pessoas
• Pessoas-Pessoas

Serão grandes ecossistemas interligados compondo biomas de produção. Todas as fontes de valor serão interligadas de modo que os lucros (retirados os custos, inclusive de investimento útil) sejam repassados para outras iniciativas nascentes ou que necessitem, para avançar e reequilibrar suas situações. Haverá um contínuo compartilhamento de conhecimentos e experiências e as redes de organizações frequentemente voltarão sua atenção em conjunto ao desenvolvimento das outras que necessitem. O objetivo é ministrar um auxílio concentrado e combinado para desenvolver máximos potenciais.

Toco aqui no aspecto Político (outra vez), pois na emergência de Redes Multidimensionais a interação entre Educação x Trabalho levará ao atendimento espontâneo do que hoje é reservado a uma estrutura política que não mais se sustenta. Significa que o que vem (daqui há tempos) vai substituir e dispensar o serviço profissional político. Basta aguardar algumas voltas em torno do sol.

Isso expressa um direcionamento a um estado de sustentabilidade, que só se pode alcançar criando um senso de uma missão comum à todos, direcionada não só à humanidade mas a toda expressão de vida, o que se pode designar pelo termo interdependência.

Será, contudo, de surgimento independente, talvez não consciente, mas virá — tal como muitos dos quadros apresentados no texto já se mostram reais — da mudança do emocionar que já está acontecendo.

(Comentários) O livro abaixo de Humberto Maturana explica como o emocionar transforma uma cultura. Como diz o autor em outro livro, o “Emoções e Linguagem na Educação e na Política”: a emoção é o fundamento da razão.

Em síntese, tudo vai se concatenar numa cronologia do amanhã em que Marty McFly vai contar o que ouviu ao perguntar a uma pessoa do ano 3.000 a história da realidade:

Surgirão depois da primeira onda (que é sempre fugaz), “protótipos” de Multiplicadoras que irão atrair a atenção de organizações. Com a aproximação, algumas irão se integrar e as iniciativas serão clonadas e irão se replicar em novos pontos do mundo. Inovação e novos negócios serão multiplicados abrindo portas a novas tecnologias, à popularização de outras (como a impressora 3D) e a origem de novas relações de aquisição alternativas ao dinheiro. A consciência da importância de cooperar, ao invés de competir, e de estar em rede como a gerar um ecossistema interconectado irá fazer outras empresas se entregarem ao fluxo, bem como a surgirem novas redes em imitação, levando o modelo a tomar corpo e crescer espontaneamente. …Até que derrubem-se os muros institucionais e surja uma dinâmica de fluxos entre pessoas, pura, una, sustentável em si mesma.

Encerro com a reflexão…

É uma utopia? Absolutamente não no sentido que hoje se atribui. Tudo o que há aqui, neste texto, corresponde a uma protopia, neologismo que “reafirma a importância da transformação radical local para a reconfiguração social, assumindo que cada local protópico criado e transformado serve de inspiração para a transformação em outros locais”.

(Comentário) Peguei emprestado o termo daqui oh! http://pt.protopia.at/wiki/O_que_%C3%A9_Protopia

Portanto, se você leu este texto e chegou pacientemente até aqui, tome um fôlego de coragem, manifeste comigo a sua aposta e vamos logo conversar!

Toda imagin|ação é uma imagem em ação e a prévia das realizações futuras.

Fotos (Carol Gutierrez) tiradas das edições do Festival de Ideias. Evento que se assemelha a uma miragem do que seria esta esperança de futuro.
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