Oldboy

Profissão: “sobrinho”

Onde vivem? O que comem? Onde baixam seus vetores grátis?

Sem sombra de dúvidas o parentesco mais odiado no universo do design gráfico é o “sobrinho”. Também conhecido como “micreiro” entre outras alcunhas menos agradáveis, essa entidade se movimenta no mercado causando diversas reações.

O “sobrinho” pode ter várias procedências e ser catalogado com diversos perfis.

O perfil mais inocente seria como sinônimo de amador, ou seja, um indivíduo que tem algum conhecimento nas ferramentas (Photoshop, Illustrator, etc), porém não conhece nenhum fundamento de design ou coisa parecida. Podem ser curiosos ou estudantes. Normalmente pegam pequenos projetos de pessoas próximas como familiares (daí o termo “sobrinho”) ou amigos. Costumam cobrar pouco ou mesmo nada pelo serviço.

O que parece irritar boa parte da comunidade de designers profissionais é quando os “sobrinhos” se autopromovem como designers gráficos e começam a vender seus serviços no mercado de micro e pequenas empresas.
No design gráfico, não existe uma fronteira clara entre profissional e amador, como em outras profissões como médicos ou advogados. Todos podem se proclamar designers baseados no que bem entenderem.
Essa liberdade acaba causando estresse entre os “sobrinhos” e pessoas que estudaram ou estão atuando no mercado há muito tempo.

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Acredito que a presença dos “sobrinhos” no mercado realmente seja prejudicial, não só para a imagem do profissional de design no mercado, como também na percepção design por toda a sociedade. Entretanto, é uma condição real que não foi criada pelos “sobrinhos”. É uma brecha existente na qual os “sobrinhos” simplesmente se encaixam. Não culpo, julgo ou penalizo ninguém por ser um “sobrinho”, pois eu próprio já fui um. Antes de estudar e vir a trabalhar a área, fazia logos para amigos e websites para parentes e não me arrependo nem um pouco disso.

No fim das contas, existem dois tipos de “sobrinhos”:
- “Sobrinho” como estilo de vida: esse vai passar a vida toda fazendo logos de 50 conto. Não se importa em aprender nada, quer apenas fazer uns truques novos no Photoshop e baixar umas fontes free legais. Esse é o tipo de indivíduo com o qual o profissional será sempre comparado quando cobrar um valor mais alto por um projeto.
- “Sobrinho” como fase: em uma fase inicial ser “sobrinho” pode ser benéfico, pois se usar essa experiência da forma certa pode aprender coisas importantes como negociar, defender suas escolhas, etc. Essa fase deve ser acompanhada por estudo constante, não só no ensino convencional, como de práticas profissionais, workflows e entendimento do design como disciplina a ser aplicada.

Então, como fazer com que o mercado não nos veja como “sobrinhos”?

Acredito que a melhor opção é investir na evolução dos “sobrinhos” de fase. Fazer com que eles entendam, o quanto antes, o que é realmente design, vistam a camisa e defendam soluções verdadeiras e fundamentadas. Torná-los multiplicadores de conhecimento. Colocá-los para educar seus clientes, provando que podem fazer muito mais do que simplesmente operar ferramentas gráficas.

Solução pela educação.

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