PZ .9/ os “Vargas”

O Vargas foi um funcionário emblemático do antigo estádio do Grêmio, o Olímpico, em Porto Alegre. Durante anos era o primeiro a chegar, pra organizar a casa. Todo mundo podia vê-los nos jogos, embora nem todos prestassem atenção. Vargas era aquele barbudo que cruzava o gramado com um molho de chaves no bolso, cerca de 10min antes de a partida começar. Eram as chaves do estádio, e quando ele surgia, com seu walk talk, vindo do lado do vestiário dos visitantes até o lado das sociais, era porque a bola podia rolar.

Entre tantos, o Sandro Dreher e a Mari Garske foram dos “Vargas” mais importantes do Ponto Zero — o Sandro, aliás, quando criança, recolhia os cabos de transmissão das equipes de rádio durante os jogos de futebol. Deve ter cruzado com o Vargas muitas vezes. Com quase três décadas como produtor, dez meses no projeto Ponto Zero, ele trabalha desde 1987 com o Zé Pedro. Assim, fica fácil entender quando afirma que “minha função maior é explicar a personalidade dele para a equipe, porque é preciso se apaixonar pelo diretor, pela história, pela obra…”.

Teaser à parte, porque foi feito em uma etapa muito embrionária do filme, a primeira coisa que ele fez para o Ponto Zero foi escolher a camionete que o Ênio dirige. Mas para ela circular pelas ruas da cidade, foi preciso que a Mari fizesse sua parte. Ela tem menos tempo de carreira mas um bom número de filmes no currículo, tanto quanto as visitas que fez em cada uma das ruas que serviram de cenário para Ponto Zero.

– Na pré-produção tive que conhecer cada canto de cada lugar. Fiz umas 30 visitas, a primeira delas já no terceiro dia de trabalho, quando fui conhecer a Farrapos.

Mari fez os fundamentais contatos com os apoiadores institucionais, como Prefeitura, EPTC e Brigada Militar.

– Sem eles, não haveria Ponto Zero, conta Mari.

– A Smov fez conosco todo um esquema para montar o acessório que cobriu os postes. Mudamos a intensidade de luz de alguns e apagamos outros, e assim a luz da cidade ficou a favor da que pretendíamos no filme.

Era um trabalho diário:

– Eles trocavam as luzes do dia, em uns seis, sete postes, e desfaziam tudo no fim do set. Outro grande “trampo” foi da EPTC, porque fechamos a Voluntários e a Farrapos e eles criaram rotas alternativas, retornos e desvios.

A Brigada Militar deu o apoio de segurança ostensivo, porque muitas cenas foram filmadas em regiões perigosas da cidade, e com menos iluminação que o normal. Além disso, auxiliou com viaturas e alguns objetos de cena, e participou efetivamente do filme, quando alguns brigadianos atuaram como

figurantes de uma cena em que faziam uma ocorrência policial. Foi abaixo de uma chuva torrencial, mas eles agiram como se estivessem cumprindo seu dever, e saíram de cena com as fardas literalmente encharcadas. Tudo em nome da arte.

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