Qual a razão de vivermos aqui, ao redor deste Sol, exatamente neste lugar da Via Láctea?

Yara Laiz Souza
May 25, 2017 · 3 min read
O Sol se move juntamente com a Via Láctea (Créditos: Divulgação/ESO)

Nosso mundo é cheio de vida e agora os esforços dos cientistas se concentram em descobrir vida mundo afora. Mesmo que eles se sintam esperançosos, não encontramos muitas respostas satisfatórias. O que mais incomoda alguns cientistas é, de certa forma, o fato de sabermos pouco sobre o nosso próprio tipo de vida — baseado em carbono, o único tipo que conhecemos até então.

O Universo como um todo está em movimento constante, isso é inegável. Os planetas se movem, o Universo está em expansão. Nada é parado. O nosso próprio Sol se move se move acompanhando a dança da nossa galáxia Via Láctea. Porém, não entendíamos como que essa dança não culminaria no choque do Sol com os ‘braços espirais’ da Via Láctea, grandes estruturas da galáxia e berço de muitas estrelas jovens. Agora, brasileiros têm a resposta.

Imagem mostrando a localização aproximada do nosso Sol (Créditos: http://faculty.montgomerycollege.edu)

Liderado por Jacques Lépine, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), o trabalho juntou dados precisos das posições de estrelas jovens e órbitas na galáxia para determinar que o nosso Sol reside justamente no meio de dois braços espirais, Sagittarius e Perseus. Assim, o Sol não cruza os braços espirais, evitando a catástrofe que poderia destruir toda a vida na Terra.

A grandiosidade da Via Láctea pode ser vista em todas as suas representações. Como um disco, ela é achatada e possui seus ‘braços’ espirais. Muitas estrelas jovens vivem nessa região. No centro da galáxia, há um núcleo e todas as estrelas da galáxia giram ao redor desse núcleo — o Sol demora 200 milhões de anos para completar uma volta ao redor do núcleo da Via Láctea. Tudo está em movimento, veja bem: até mesmo as próprias galáxias se movem, afastando-se umas das outras como outrora explicado por Edwin Hubble.

“Utilizamos radiotelescópios separados por milhares de quilômetros para medir e observar a velocidade com a qual essas fontes se deslocam no céu”, explica Lépine.

“Não conseguimos ver os braços porque sua estrutura é bastante plana, mas quando se vê uma outra galáxia, conseguimos enxergar as formas espiraladas. Essas estruturas são especialmente muito visíveis por serem o local de nascimento das estrelas, que, dependendo da sua massa, podem ser muito luminosas.”

A pesquisa descobriu que o Sol e os braços espirais giram com a mesma velocidade, impedindo o choque fatal. Esta é uma característica exclusiva de estrelas que estão a uma distância de 26.000 anos-luz do centro galáctico.

O ponto azul representa o Sol no meio dos braços espirais (Créditos: Divulgação/USP)

“Sempre se especulou sobre o que acontece cada vez que o Sol atravessa os braços, e se pensava que isso acontecia periodicamente, por exemplo, a cada 150 milhões de anos”, diz Lépine. “Mas, de acordo com os nossos cálculos isso não acontece nunca”.

Caso o nosso Sol passasse pelos braços espirais, ele atravessaria uma área de intensa explosões de supernovas e nuvens de gases moleculares. Ele causaria um ‘refluxo’ de raios cósmicos, danosos para a vida na Terra, e até mesmo de drásticas mudanças climáticas causadas pelo meio espacial. Seria o fim de toda a grandiosidade de vida que temos. Entretanto, nos últimos 2 bilhões de anos, o Sol não atravessou nenhum braço espiral.

Esta é mais uma luz para os cientistas que desejam procurar por vida: observem o nosso Sol. Nossa própria existência dá muitas dicas e ajudam a tornar a procura por vida uma coisa que não é mais ‘se’ e sim ‘quando’ vão ter respostas positivas.

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Yara Laiz Souza

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Comunicadora Científica, bióloga em formação, pesquisadora da Educação e do Ensino de Biologia.

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