A busca por sentido no que ainda não foi alcançado

Raquel Carvalho
Jul 11 · 3 min read
Foto de Cláudio Luiz Castro no Unsplash

Dia desses estava conversando com uma amiga sobre minhas frustrações e sobre o quanto eu estou farta da sensação de estagnação. Parece que minha vida, a MINHA vida de verdade, aquela que vai ser pra valer e eu vou dizer eis aí a minha vida no dia que eu morrer, essa vida está no pause. Minha amiga, que por sinal é muito espiritualizada, me falou que acredita que a gente permanece em uma mesma fase até que se aprenda alguma lição que deve ser aprendida. E o que está me faltando aprender?

Fico imaginando se lá no céu, digo no céu mas quero dizer no alto, por sobre as nossas cabeças, lá onde habitam aqueles que têm o poder de fazer chover, ou aqueles que decidem quem ganha ou não na loteria, lá onde o acaso da vida e a meteorologia se confundem, será que tem um funcionário celeste com uma prancheta registrando quem-aprendeu-o-quê, e dando aval para que as pessoas que aprenderam prossigam para a próxima fase de suas vidas?

Minha amiga espiritualizada ainda levantou a hipótese: será que antes de nascer a gente olha lá de cima e tem o poder de ver tudo o que vai nos acontecer e ainda assim decide nascer só pra ver qual é? Tipo, a gente nasce só pelo prazer da evolução, porque a gente sabe que precisa passar por aquilo pra aprender? Tá aí um li e aceito as condições de uso que eu deveria ter lido melhor. Pior que conhecendo a mim mesma, se fosse o caso, este é o tipo de empreitada idiota que eu aceitaria (com um sorriso inocente de quem grita SIM em uma cabine a prova de som após ser questionada sem ouvir se eu queria trocar uma vida de facilidades por uma vida repleta de aprendizados importantes).

Quem sabe eu poderia marchar decididamente até o escritório central celeste, abrir a porta com um chute, e dizer pra aqueles funcionários de prancheta, que provavelmente estarão tomando seus cafezinhos, EI PESSOAL, O QUE ME FALTA APRENDER? Dê uma olhada na sua prancheta, eu tenho certeza que foi engano, meu nome foi anotado na coluna errada, não é possível que essa seja a MINHA vida.

Ou quem sabe se eu tentasse uma abordagem menos Britney-Spears-2007-careca-com-guarda-chuva-na-mão, e perguntasse com uma voz que não chega a ser aguda, mas com certeza é um tom acima da voz que uso normalmente: oi, tudo bom? — Leio o nome do funcionário no crachá — Ângelo, né? Tudo bom, Ângelo, é que eu queria saber como eu faço pra desbloquear a próxima fase da minha vida. Não é que vocês tenham cometido algum erro, não, de maneira nenhuma, longe de mim pensar isso, mas é que as vezes é um detalhezinho que passa batido, uma coisa de nada, e aí PUF, você fica preso por anos numa mesma fase da vida. Enfim, Ângelo, você pode me ajudar? — Dou uma piscadinha de princesa da Disney para ele.

As coisas na minha vida chegaram a um ponto em que eu flerto com anjos imaginários. Deposito esses meus pensamentos aqui na esperança de que fosse esse o formulário que estivesse faltando para receber meu carimbo de aprovada.

Foi? Não? Ok.

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Gosto de contar histórias cotidianas.

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