Quem somos nós sem o nosso passado?

Pó.

Thayná Thoni
Sep 3, 2018 · 3 min read
Foto: Reprodução Facebook

Uma tragédia com perdas incalculáveis. Dia dois de setembro de dois mil e dezoito e uma parte da nossa história vira pó. Cerca de 20 milhões de itens que contavam a história de um povo, de um local, explicavam origens, catalogavam espécies e que agora existirão somente na memória daqueles que puderam estar em contato com eles antes da tragédia lastimável.

Tamanho descaso de um governo que não ouviu os gritos de socorros de um patrimônio que vinha necessitando de verbas há tempos, verbas as quais nunca eram repassadas. E está aí o resultado que todo mundo já conhece. Virou manchete, em 2015: “Museu Nacional, o mais antigo do Brasil, fecha por falta de dinheiro”, em 2016 “Museu Nacional suspende visitação por falta de verba”, até que, em 2018 o último grito por socorro antes da tragédia anunciada: “‘Só temos verba para medidas paliativas’, diz diretor do Museu Nacional”.

E por que estamos surpresos mesmo? Além do mais, já era de se esperar. Hoje, choramos a perda de um patrimônio cultural gigantesco, mas não se esqueçam, não foi a primeira vez que lamentamos algo do tipo. E o incêndio no Museu da Língua Portuguesa, quem lembra? E o incêndio no Instituto Butantan, te foge à memória? Também teve o incêndio que atingiu o Memorial da América Latina, não podemos nos esquecer. A questão que nos resta é: qual será a próxima tragédia que lamentaremos?

Nossa história está morrendo e de um jeitinho que brasileiro parece adorar: parcelada!

Um povo que não conhece o seu passado, tende a repetir os mesmos erros de novo e de novo. A cultura, ciência, história e conhecimento estão morrendo nesse país! Estamos negligenciando tudo aquilo que nos tornou quem hoje somos, ignoramos nosso passado, não encaramos nossas cicatrizes, fazemos vista grossa diante de problemas que estão escancarados. Não é somente um museu que se transformou em cinzas, mas também um pedaço de quem somos. De onde viemos, quem esteve aqui antes de nós, como foi lapidada essa terra que hoje conhecemos, animais que nunca conhecemos, espécies que nem imaginávamos existir, fósseis que comprovavam a existência de vida nas nossas terras muito antes do que pensávamos, o que era tudo isso antes de prédios e avenidas. Sem nossas raízes, estamos à deriva.

Agora, a pergunta que não quer calar: quais são as esperanças para um país sem futuro e sem passado?

Enquanto não reconhecermos a importância do nosso passado, continuaremos a repetir os mesmos erros, a nos lamentar sobre as mesmas coisas de sempre, continuaremos com feridas em aberto. Continuaremos vivendo uma vida de arrependimento, pois decidimos contar com a sorte ao não prevenir o que poderia (e deveria) ter sido evitado. E enquanto nada muda, continuaremos assim, um país sem futuro, uma pátria que só é amada ao entoar o hino nacional orgulhosamente durante partidas de futebol.

Foto: Reprodução Facebook

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ao mesmo tempo em que escrevo para fugir, escrevo para me encontrar | instagram: thaynathoni | 1999

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