Quem é você na fila do pão dos seus relacionamentos?

Já se perguntou quem é você na fila do pão dos seus relacionamentos? Não? Então, faça isso agora mesmo. Chegue a uma resposta. Pegue-a e pense no quanto é capaz de viver sem esse relacionamento e o que sobra de você.
Reflita.
Você mantém um relacionamento de monopólio com algo ou alguém? Sim. Você não sobreviveria sem? Não. Você não sabe até onde está nisso? Não. Você deposita essencialmente nisso o que precisa melhorar em si mesma(o)?Sim. Você se coloca em segundo lugar? Sim. Cuidado! Ou você é a primeira pessoa da fila? Sim. Você é livre para fazer o que deseja com a confiança vitalícia de quem ou o que está ao seu lado ou vivendo? Sim. Você se enxerga sozinha(o) na hipótese do mundo determinar que a solidão seja regra geral a todos? Sim. Ótimo! Você tem amor-próprio.
Amar e ser livre. Longe de dependência para existir. Longe de cobranças. Longe de transferir para o outro aquilo que precisa ser desenvolvido em nós mesmos. Longe de querer ser o que o outro espera ou o que nos peça que sejamos. É uma morte lenta desistir do amor-próprio. É um distanciamento do que somos se ausentar da nossa essência para usar o que o outro é na tentativa de sentir que somos completos assim.
São essas relações de dependência que acabam saturando e sucumbindo. O amor-próprio passa longe delas, na quais há cobrança e possessividade de cada parte por acreditar que tem direito no que outro tem ou é. Se um dia acaba, terminam juntos, viram ruína, bebem a água do fundo do poço e, a medida que passa, vão carregando, mais e mais, pedacinhos dessas relações quebradas e compõem um mosaico com a crença de que o amor é uma farsa. Só que para amar o outro é preciso amar muito a si mesmo sem hesitar, sem ter medo de parecer egocentrismo.
Muitas pessoas acham que no amor, relacionar-se, é viver o outro 24 horas e, assim, ausentar-se. Acham que amar é fazer das tripas o coração para ver o outro bem. Acham que amar é não contrariar ideias incompatíveis que surjam. Acham que é construir a nossa morada dentro de alguém. Só que não! Amar é primeiro ser responsável por si mesmo e de quebra poder ajudar o outro, na medida do possível, a melhorar. É estabelecer limites do que está ao alcance. É não perder lugar que nos é próprio. É ter esse próprio lugar de segurança em caso de vendavais e necessidade de reconstruções futuras. Se assim, depois de tudo o que for discordante, ainda existir vontade de estar perto, então há amor daqueles que valem a pena; em contrapartida, quando não há, valem o desapego.
Quem é você na fila do pão então? Quem coloca o outro ou quem se coloca em primeiro lugar? Espero que seja quem se coloca na primeira posição, sem esquecer que, ainda assim, pode lembrar do que ou quem está junto. Espero que seja a pessoa que aceita que precisa olhar para si com mais cuidado para não entrar como subordinada (o) nas relações. Espero que seja alguém que não coloque nos outros as cicatrizes que carrega na esperança de que sumam. Espero que não seja quem esconde o que lhe desagrada só para manter um meio amor. Apesar de crer que não pode viver sem tais relacionamentos colocados antes de você, você pode, mas o qual possui consigo mesma(a) não. Esse, é questão de sobrevivência, sim.
Na padaria vendem sonhos de doce de leite. Na vida, você busca o seu amor recheado dê que? Amor-próprio é necessário. Não é individualismo. É se enxergar. É o que precisa estar dentro desses sonhos sobre amar para poder saber quem está do outro lado na mesma sintonia e dar certo.

