Relacionamentos e gêneros textuais: uma analogia simpática.

Você pega o papel. A caneta. Faz um clássico brainstorm e começa, junto com as palavras-chave, escrever as ideias principais. A partir do seu conhecimento prévio sobre o assunto, logo é decidido o gênero textual que será escrito. O que você vai escrever? Uma redação? Um conto? Uma crônica? Um livro de ficção?

O que você vai viver? Uma redação? Um conto? Uma crônica? Um livro de romance?

Gêneros “texto-relacionais”.

Se redação, se prepare. Saiba que seu texto certamente terá um fim. Será um relacionamento mecânico, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Será algo passageiro. O corpo deverá ser estruturado e cada parágrafo será de acordo com as ideias centrais da introdução, culminando o argumento conclusivo. Uma redação argumentativa-dissertativa, por exemplo, não pode ser escrita em primeira pessoa do singular. Será um relacionamento melhor contado do que vivido. Nesse caso, sua redação pode tanto começar com uma pergunta , que servirá de base para sustentar seu argumento, quanto terminar com uma outra pergunta, que terá a resposta explícita durante todo o texto; “Me passa o número do seu celular?”; “Entendeu por quê terminamos?”.

Um conto é mais liberal. Você pode escrever o que quiser. Pode viver o que quiser. Nessa relação você pode viver no mundo da lua, viajar na maionese ou passar por uma situação sem pé nem cabeça. A vivência de um conto é baseada em seu pequeno período de leitura. É mais curto que toda aquela novela.

Viver uma crônica é diferente. A crônica pode representar um relato de uma ocasião. Uma experiência diferente. Uma situação cotidiana ou até mesmo aquele “caso-de-uma-noite-só” que você nem imaginava viver.

Fábula é complicado. Tanto escrever quanto viver. Acontece toda uma fantasia e no final ainda lhe cabe atribuir uma lição de moral. Além de ser criativo você ainda aprende muitas coisas para os futuros textos.

Comparo romance com casamento. A definição de romance: “ Romance é uma forma do gênero narrativo literário que transpõe para a ficção a experiência humana”. Precisa explicar?

Ponto final. E pronto.

Relacionamentos passam por seus momentos de crise. As vezes é só uma crise, as vezes é só um ponto final. Mas o ponto final, assim como qualquer pessoa que entenda e aprecie a escrita, deve saber que as vezes ele é necessário. Marca uma pausa pontual em um texto, uma pausa para retomar no próximo parágrafo ou na próxima linha. Um ponto final abre um novo horizonte de possibilidades. É isso que as pessoas devem entender. Mas o ponto final as vezes vem por si só. Vem pra terminar realmente, colocar um final naquilo que não consegue mais desenvolver. Não se consegue mais se pontuar. O texto perdeu o tempo. O texto perdeu aquele brilho, aproxima-se da conclusão, daquele momento para qual tudo que foi feito antes culminou. Como num lance eruptivo surge o ponto final. Mas nada de tragédia. Mesmo o ponto final encerrando uma história ruim ou boa, ele é um anunciador de algo novo. Significa que um novo texto pode vir, uma nova história começar, com enredo totalmente diferente ou igual.

Conclusão e revisão.

Encerrado o texto, inicia-se a revisão. Após concluir, leia novamente, e de novo, e mais uma vez. Você será o primeiro analista do seu relacionamento. Se ele acabou mesmo, veja se os parágrafos que você escreveu condizem com cada capítulo ou seção. Esta é a etapa de correção. Um erro pode muito bem passar batido e, o mesmo, pode ser corrigido ou não. Perdoe. Risque. Resolva. Escreva de novo. Dê seu jeito, mas não deixe um erro para trás.

Hora de publicar? Talvez. Tenha paciência. O texto está, primeiramente, guardado na sua memória. Se achar que deve passar pra frente a sua experiência ao vivê-lo, pois bem, passe.

Viva qualquer que for seu gênero textual. Viva, descreva-o e lembre-se: há sempre um novo texto para ser escrito.

Texto elaborado após um conselho recebido do meu amigo Lucas Flôres.