Resenha: Warcraft — O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Já virou chavão falar que adaptações de games para o cinema tendem a fracassar. Alguns até chegaram perto de obter sucesso como o primeiro Resident Evil e Terror em Silent Hill, mas nenhum sequer chegou perto do memorável e o gênero acumula mais fiascos do que sucessos. Ainda assim, o mercado se mantém em alta e todos os anos há ao menos um lançamento. Em 2016, sem contar com o já lançado Angry Birds, serão dois: Assassin’s Creed e o recém lançado Warcraft.

Warcraft — O Primeiro Encontro de Dois Mundos conta a história óbvia do subtítulo. A cidade de Azeroth se vê à beira de uma guerra quando suas terras são invadidas por guerreiros Orcs, que tiveram suas terras destruídas e procuram um novo local para colonizar. De lados opostos, dois heróis são colocados em confronto para decidir o destino de suas famílias, seu povo e seu lar.

A direção do filme é feita por Duncan Jones, filho de David Bowie e uma grande promessa da indústria. Seus dois últimos filmes, Lunar e Contra o Tempo são muito elogiados e possuem diversas qualidades, estas pouco explícitas em seu novo longa, mas não por sua culpa.

Um dos grandes problemas de Warcraft está em seu roteiro. O filme sofre para criar empatia com os personagens e tudo parece acontecer sem conexão alguma, muito provavelmente por conta de seus 40 minutos reduzidos no corte final. Deixaram ação de mais e história de menos. A impressão é que os produtores queriam agradar os fãs com referências e se esqueceram de conquistar o público comum e potencial.

O início é uma grande introdução de game. O CGI, prejudicado pelo 3D, é exagerado e muitas vezes o espectador se sente assistindo aqueles vídeos antes de começar a jogar. A captação de imagens impressiona, mas não consegue salvar o primeiro ato de ser maçante. Porém, quando o núcleo muda para o lado dos humanos, a situação fica ainda pior. Os personagens parecem completamente perdidos e, onde deveria haver uma empatia com o público, na verdade parece ser um vazio. Os acontecimentos são mostrados sem naturalidade e sem muita explicação. Exemplo disso é a relação de Lothar, interpretado por Travis Fimmel e seu filho, onde aparece poucos diálogos e só depois no meio do filme você lembra que ele existe.

Lothar, inclusive, é uma versão bem menos carismática de Ragnar, personagem de Fimmel na série Vikings. Suas expressões e diálogos parecem preguiçosos, um tanto quanto no piloto automático. O restante do elenco o segue e também fazem um trabalho razoável, perdido e pouco a vontade por estar lidando com chromas e mais chromas.

Paula Patton é a que mais se destaca no meio de tantas atuações razoáveis. É dela o papel mais versátil do longa, uma Orc (ou não, eles não explicam isso no filme) prisioneira que faz um papel duplo, ora se identificando com os humanos, ora com o povo que o prendeu. No entanto, sua caracterização é a mais falha. Em meio a tantos Orcs gigantescos e feios, ela é a única que se parece com uma humana não fosse sua cor verde e sua dentadura de chiclete, que inclusive prejudica muito sua dicção.

Confuso, cheio de pontas soltas e mal planejado, Warcraft — O Primeiro Encontro de Dois Mundos paga o preço de deixar 40 minutos de filme de fora. Conquista os fãs mais assíduos, mas perde completamente a mão quando o assunto é convencer o público geral. Ele pode até ser uma das melhores adaptações dos games, mas antes de tudo, é preciso funcionar como filme, mas isso ele não faz nem pela Horda, nem pela Aliança.

De 1 à 5, minha nota para o filme!
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