Robôs, conversas e interações

Há algum tempo venho colecionando artigos sobre interfaces de conversação.
(Seriam interfaces conversacionais? Já temos um termo para “conversational interface” em Português?)

Escrito originalmente para o Update or Die!

Em 2013 a Wired publicou um artigo bem interessante sobre o assunto.
Na época estávamos lidando com as primeiras versões da Siri e a capacidade dos computadores de reconhecerem a linguagem “natural”.
Ficamos maravilhados quando os nossos celulares passaram a reconhecer comandos como “Me lembre de ligar para minha mãe amanhã as 13horas”.
O reconhecimento da linguagem natural nada mais é do que a capacidade de quebrar uma frase como essa em instruções.

O argumento principal a favor das tecnologias conversacionais era a diminuição da área útil das telas do desktop para o celular e a necessidade de novas formas de interação além da interface gráfica (GUI).

Ainda nos faltava uma inteligência artificial mais elaborada para chegarmos em verdadeiros assistentes pessoais, como a Siri já pretendia ser.

Em janeiro desse ano encontrei esse texto, em um blog de produto, que me fez retomar a curiosidade pelo assunto.

O texto abre declarando 2016 como o ano dos bots (robôs).
Vivemos uma época de proliferação dos assistentes pessoais: Siri da Apple, Google Now da Google, Cortana da Microsoft, M do Facebook, Alexa do Amazon Echo, o próprio Fin (ainda em desenvolvimento) de onde saiu o texto linkado acima e tantos outros.

Muitos desses serviços misturam inteligência real e artificial.
Veja no próprio descritivo do Fin:

“Fin é um serviço premium disponível 24 horas por dia, alimentado por uma combinação de inteligência humana e artificial, que encontra respostas, envia mensagens e se lembra de tudo por você.
Você usa como a Siri, Echo ou Google Now… só que o Fin funciona mesmo”.
Posibilidades de interação no Fin

Acontece que interfaces conversacionais não se limitam hoje, e certamente não se limitarão no futuro, a assistentes pessoais:

O Slack, plataforma de mensagens para equipes, já inclui bots programáveis, que podem ser criados para automatizar tarefas de seu time.

Rumores apontam que o Facebook já possui planos para liberar o desenvolvimento de bots para o Facebook Messenger.

O WeChat e o Line, populares na China e no Japão, respectivamente, também já permitem interação com marcas.
Por que baixar um aplicativo inteiro para cada empresa ou cada uso específico?
Dentro destas plataformas, que o usuário já utiliza no dia-a-dia, é possível enviar uma mensagem para as contas oficiais, ou chat bots, e fazer compras com um sistema próprio de pagamento conectado à plataforma, pedir um taxi, pagar contas etc.

O Quartz, portal de notícias, lançou no início do mês passado (11/2) um aplicativo para iOS que reinventa a forma como consumimos notícias.
Nele os textos são um pouco menos formais e as histórias vão de desenrolando como conversas.

O Prompt pretende ser “uma linha de comando para o mundo real”, recebendo comandos de texto simples via SMS, Slack ou Web e integrando os comandos com diversos serviços e equipamentos como Google Translate, Uber, Nest, Twitter, Wikipedia, Wolfram Alpha e outros.

A tecnologia que viabiliza esse tipo de abordagem já está disponível e as empresas estão se dando conta das novas possibilidades que surgem desta nova forma de interação.

É preciso lembrar que esse tipo de interação não é uma novidade.
Bots estão disponíveis desde sempre! Minha primeira experiência com esse tipo de tecnologia foi no mIRC no final da década de 90.
Temos também jogos de aventura para computador baseados em texto, sendo Carmen Sandiego o primeiro que me vem à mente.

Estamos às vésperas de termos um HAL 9000, e o design de conversações é o futuro, mas não é algo que começa com uma página em branco.

Muitas lições podem ser aprendidas com o passado.
Vislumbro um futuro promissor para essa tecnologia.


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Ilustração de capa do generosíssimo Filó: