Pouco progresso ainda é progresso.

E está tudo bem não estar nada bem.

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Em mais um daqueles dias em que nada parecia fluir corretamente, em que os prazos se arrastavam, a lista de “a fazer” no meu planner se acumulavam, eu tentava ignorar a minha culpa e rolava pelo twitter quando eu vi um tuite simples, mas que parecia ser o que eu precisava ler no momento: “Pouco progresso ainda é progresso”.

E eu venho repetindo essa frase, quase como um mantra, desde então. É a minha forma de tentar assimilar que vai ficar tudo bem mesmo que eu não faça tudo o que eu botei na cabeça que preciso fazer. A verdade é que ninguém consegue.

Se você é uma pessoa que dorme 8 horas por dia, faz exercícios regularmente, se alimenta bem, trabalha das 8 às 18h (no mínimo) e ainda sobra tempo para seus projetos pessoais, amigos, namoros e família, por favor me manda uma mensagem e me conta o segredo. Eu realmente não acredito que essa pessoa exista.

E, mesmo assim, eu me sinto culpada por não ser essa pessoa inexistente.

Me culpo tanto que fico acordada até 2 horas da manhã pensando em tudo o que eu deixei acumular e que não está dando certo não acho uma solução acordo péssima no outro dia e tenho um péssimo dia de trabalho chego em casa cansada e sem vontade de fazer nada mas ainda pensando que deveria fazer todas essas coisas impossíveis (respira!). O ciclo se repete.

“Ei, está tudo bem não estar bem, pouco progresso ainda é progresso, as coisas vão se ajeitar, calma”, é o que eu digo para qualquer pessoa que venha até mim desabafando sobre os mesmos problemas que os meus. Mas eu ainda não consigo assimilar isso na minha vida 100%, é um exercício árduo que venho praticando todos os dias. “Seja mais gentil com você, Stefani”, essa é a frase que eu mais escuto da minha psicóloga, coitada.

Ela está certa, e é por isso que eu venho tentando incorporar a frase-título deste texto. Eu não conseguia escrever nada desde o fim do ano passado, quando eu comecei com uma série de crises de ansiedade e o trabalho me exigia muito. Eu me sentia extremamente culpada, inútil, e focava meu tempo em sofrer e reclamar que eu não tinha tempo. O que não é mentira, mas eu nunca vou ter tempo para fazer tudo o que eu quero e quando eu quero, e está tudo bem.

Está tudo bem eu não ter escrito uma linha dos meus textos, ter feito o que eu sempre digo e bato no peito “é o que eu mais amo fazer na vida”, está tudo bem porque eu li muito em janeiro, e isso faz parte do processo de escrever, certo?

Eu também preciso parar de querer abraçar o mundo, entrar em infinitos projetos e tentar matar todos os meus objetivos do ano em fevereiro. O ano astral nem começou, nem o ano brasileiro.

E vai ficar tudo bem, quem é que pode quantificar o que é pouco ou muito progresso? Metas impossíveis só fazem aumentar a ansiedade e o sentimento de fracasso. O que é ridículo, o meu sucesso é diferente do seu, da outra pessoa, e etc. Talvez eu peça permissão para mudar a frase para “qualquer progresso é muito progresso, você é incrivelmente f*da não importa o que os outros digam, parabéns por isso.”