Imagem: pixabay

Se a privacidade das autoridades é vulnerável, imagine a sua

Ailton Mesquita
Jul 10 · 3 min read

Dados valem ouro e os nossos estão nas mãos de grandes empresas, nem sempre de forma segura

A recente repercussão dos vazamentos de conversas envolvendo os membros da Lava Jato me lembrou como nós, donos dos não-altos-cargos, podemos estar constantemente expostos com relação a informações privadas.

Não vamos entrar nas especulações sobre hackers, crackers, piratas virtuais doidões etc. Vamos pelo lado mais simples, que mostra como somos o lado frágil no ambiente virtual por conta do simples uso das mídias sociais. Ao fazer o cadastro, a gente aceita termos de uso e políticas de privacidade da plataforma sem dar uma lidinha básica, só pra poder usufruir dela o mais rápido possível. É tipo “pega logo meus dados, faça o que quiser e abre logo essa porta pra eu entrar”. Mas não se culpe, esses termos não foram feitos para serem lidos facilmente mesmo.

Como exemplo podemos destacar o Facebook, que é o grandalhão das redes sociais. Para que a sua navegação seja mais “confortável”, o sistema armazena muitas (muitas!) informações sobre você e, com base no que você comenta, nas fotos que curte, pessoas que se comunica etc, ele interpreta as informações e o famoso algoritmo mostra na tela as coisas que podem te interessar mais. O último post que você leu e curtiu não estava lá por acaso.

Pode parecer útil — e muitas vezes é mesmo — , mas o que pode acontecer se esse tanto de informação vai parar onde não deve? Pois é, já aconteceu diversas vezes. Só no fatídico caso da Cambridge Analytica, no ano passado, mais de 80 milhões de pessoas tiveram seus dados compartilhados indevidamente, o que abriu caminho para que as informações fossem usadas na campanha eleitoral de Donald Trump no Facebook. A empresa apenas usou a frágil política de dados do Feice e deu um jeitinho de coletar as informações.

Só para usar outro exemplo, falaremos sobre o Google também. O gigante das buscas é tão poderoso que consegue prever possíveis epidemias de gripe usando as pesquisas sobre certos sintomas em determinadas regiões. Mais um grande banco de dados cheio de informações sobre os usuários. O sistema de localização, gera até um histórico dos seus passos e sabe quando você foi na padaria, pra onde você viajou e por aí vai. Ok, não é o foco desse texto, mas pode pra ver os registros do Google sobre os lugares por onde você andou.

As buscas que você faz no Google podem ter resultados diferentes das buscas de outra pessoa na mesma plataforma. Isso porque eles também usam algoritmos que mostram resultados mais indicados para o seu perfil. Existem um certo risco do usuário ficar “preso” nesses algoritmos, com cada rede social mostrando o conteúdo que julga interessante. Assim, se você gosta de política, de fotos de cachorrinhos e de música italiana, há uma probabilidade de que os algoritmos mostrarem coisas relacionadas a isso, o que dificulta a possibilidade de esbarrar em outros assuntos legais que talvez você não conheça. Tem até um livro chamado O Filtro invisível (meio fatalista, mas interessante), de Eli Pariser, que vai direto no assunto do fluxo de informações que isola os usuários em suas bolhas.

E o Google também vazou dados de usuários no ano passado. Informações como e-mail, idade e endereço de mais de 50 milhões de usuários foram expostos por um suposto erro no sistema.

Nesses tempos em que a publicidade digital recebe investimentos cada vez maiores, nossos dados passam a valer ainda mais. Seja por compartilhamento das empresas, erros de sistema ou brechas nas políticas de privacidade, vale lembrar o quanto podemos ser expostos. E não é culpa de quem aceitou os termos sem ler.

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Ailton Mesquita

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Jornalista, escritor & vacilão

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