Seria limitador registrar uma viagem inteira apenas com o celular? Um guia visual.

Essa é uma história sobre fotografias tiradas com um iPhone. O resultado pode surpreender uns e/ou motivar outros.

O Caio
O Caio
Dec 4, 2017 · 11 min read

Recentemente, viajei pela primeira vez aos Estados Unidos para conhecer a cidade de Atlanta. Escolhi Atlanta por alguns motivos: como bom fã do Atlanta Falcons, admirador de grandes construções (uma delas sendo o recém construído estádio Mercedes-Benz), e uma boa promoção de passagens (valeu Melhores Destinos 👌).

Foram 10 dias planejados na correria. Queria viajar sem a minha câmera DSLR, uma Nikon D3200 — minha primeira câmera profissional, que por muitos anos me fez feliz. Queria ir sem ela porque tinha a intenção de substituí-la pela recém lançada Nikon D850 (“spoiler alert”, estava em falta em todos os lugares possíveis 😒).

Toda essa história de registrar a viagem com um celular começou em São Paulo: um sinal talvez de que eu não conseguiria adquirir uma DSLR na viagem. Decisão tomada na hora certa. E não me arrependo. Veja a foto que despertou tudo:

Se eu estivesse com uma câmera na mala, provavelmente na hora que conseguiria tirá-la da mala e registrar esse momento. Já estaría debaixo de chuva. Ponto para o iPhone — Aeroporto de Congonhas, esperando o ônibus para o desembarque.

Falando em aviões, não foi uma viagem rápida. Parei por algumas horas em Miami antes de chegar em Atlanta. O que fazer das 5 da manhã até as 2 da tarde em um aeroporto? Que a série no iPhone continue. Até aqui, espaço sobrando no armazenamento.

“Mas essas cores estão muito vivas ou diferentes!” A câmera no modo automático e a saída para ter mais controle sobre o resultado.

Os celulares hoje possuem câmeras poderosas, sem dúvidas. Quero dizer tanto quanto a sua capacidade em megapixels (que por muito tempo foi considerado a propriedade na hora de decidir qual celular comprar) quanto ao software embarcado nela para decidir para você, por exemplo, o quão rápido capturar a foto, a quantidade de luz que passa pela lente, e o equilíbrio de branco nela presente.

As câmeras nada mais fazem que ler o ambiente e identificar por exemplo se temos muita ou pouca luz, e assim diminuir a abertura da lente fazendo com que conseguíssemos identificar um prédio em um dia muito iluminado. Ou o contrário, estamos num bar com pouca iluminação e queremos tirar uma selfie. Neste momento, a câmera vai aumentar ao máximo a entrada de luz na lente, ou ainda, aumentar a sensibilidade a ela com um ISO maior, resultando em fotos mais claras do que o normal, porém com mais ruídos (na maioria dos casos).

Essas decisões automáticas, às vezes, podem prejudicar o resultado final. Vejamos um exemplo de uma foto panorâmica que tirei do estádio Mercedes-Benz (yes! 😎) no final da tarde, na sombra, com o sol (a principal fonte de luz) por de trás do objeto principal. Tudo para dar errado.

Repare que o céu está mais iluminado que o estádio. A foto toda está com um tom de azul prevalecido do céu (controle de temperatura) e as ruas e o estádios bem apagados.

Assuma o controle do resultado final de suas fotos a partir de hoje: edite-as.

A foto acima é ok. É possível identificar o estádio. Bonito, tecnológico, um show de arquitetura moderna. Está faltando o “wow factor” para fazer dela, uma foto para pendurar no seu quarto.

Durante toda a viagem, utilizei uma aplicação (no próprio celular — haja bateria e Starbucks pelo caminho) chamada Adobe Lightroom Mobile para editar as fotografias. Já utilizava a versão desktop para os ensaios do dia-a-dia. É um show de aplicação. Posso escrever um post depois sobre cada funcionalidade presente nela. Resumindo, pode mudar a história contada em uma foto. E realmente fez a diferença nas minhas.

Abaixo, a mesma foto, porém com uma história totalmente diferente:

Opa! Consigo ver as cores reais do estádio; que se trata de uma foto tirada no final da tarde com as cores do pôr-do-sol; e o objeto central está mais iluminado que seu fundo. Outro detalhe, ainda existe uma ave de metal gigantesca próxima a entrada da bilheteria. Bem-vindos ao mundo da pós-edição. As possibilidades tendem ao infinito.

Não só de contraste, saturação e controle de exposição vive uma fotografia: compondo fotos para contar histórias.

O que difere uma fotografia com história de uma qualquer é realmente o poder do olhar. Já ouvimos várias vezes de pessoas que precisamos ter um equipamento caríssimo para tirar a foto perfeita (“Mas essa sua câmera é muito boa hein!”). Talvez muita gente acredita que esse é o fator pelo qual seja caro o serviço de fotografia para eventos, como casamentos. Eu defendo a ideia de que a composição e a história contada através do olhar faz toda a diferença no final. Porém, sem negligenciar a tecnologia, é importante investir em bons equipamentos para se sentir confortável em explorar todas as situações possíveis.

Existem diversas formas de composição: simétricas, a regra dos terços e outras formas livres e criativas que podem ser exploradas. Mas uma única regra prevalece para todas: o que você quer representar? Que história contar? Pergunte a si mesmo da próxima vez que for capturar algo. Dê uns passos para trás ou frente. Mova a câmera para cima ou baixo. Saia da zona de conforto.

Muitas vezes quando tiramos fotos com uma câmera, fazemos no modo paisagem (na horizontal). Por força do hábito, nos celulares, pode acontecer de tirarmos foto no modo retrato (na vertical), o que prejudica a composição no final em alguns casos. Veja um exemplo:

Por outro lado, tirar fotos na vertical em Atlanta, com seus arranha-céus, é uma obrigação. Um show de arquitetura e presença. Check it out!

Considero essa fotografia uma composição perfeita. Tem todos os detalhes necessários para tal: um objeto em foco, linhas que saem dos cantos para o centro direcionando o olhar para o prédio. Ainda com o vermelho e azul se opondo nas cores e as sombras da ponte criando desenhos geométricos.

“Little Five Points” é uma infusão de cores e o ponto mais alternativo da cidade

Existe uma parte de Atlanta conhecida por ser alternativa. Esse lugar se chama “Little Five Points”. O nome é uma referência ao “Five Points”, a estação central da cidade, conectando todas as linhas de metrô no coração de Downtown.

As similaridades acabam aí. Lojas de tatuagens, de vinis, roupas hippies fazem com que todas as combinações de cores e lojas se juntem formando uma paleta dificilmente encontrada em outro ponto da cidade.

Panorâmica da rua principal do “Little Five Points”

Atlanta sediou em 1996 os Jogos Olímpicos. Escolhi o “Centennial Olympic Park” para ilustrar como o outono no hemisfério norte é cheio de cores.

Situado em frente ao Skyview Atlanta (a roda gigante 👆), o parque conecta outros dois grandes pontos turísticos de Atlanta: o “World of Coca-Cola” e o “Georgia Aquarium”, que por muito tempo foi o maior aquário do mundo (hoje acredite ou não, o maior aquário do mundo está em Dubai 🤔).

Além de conectar vários pontos turísticos, o parque conta com chafarizes, os famosos anéis olímpicos espalhados em diversos pontos, pequenas cascatas e muito gramado onde os locais gostam de jogar futebol, americano ou não, fazer um pique-nique ou somente se aquecer ao sol.

Era de manhã e o sol estava subindo e encontrei um momento legal para registrar o sol entre os anéis em uma das esculturas do parque. Porém o resultado não saiu como o esperado. Na foto da esquerda (abaixo) podemos ver prédios e árvores distraindo e poluindo o quadro. O que fazer? Encontrar uma outra forma de enquadrar a escultura e os anéis. É importante ter essa mentalidade de enquadramento para ter a certeza de qual mensagem passar em cada fotografia. Isso garante mais sucesso na comunicação com seus interlocutores.

“World of Coca-Cola” e o aprender a contar histórias.

Panorâmica da fachada do “World of Coca-Cola”. Chamando atenção desde o lado de fora até a sua última gota lá dentro.

Talvez o sucesso seja estar em uma cidade que comece com “A”, pois assim como a Coca-Cola está para Atlanta, a Heineken está para Amsterdã. Se você já esteve visitando o “Heineken Experience” em Amsterdã, saiba que o “World of Coca-Cola” é tão impressionante quanto. No final do dia, é sobre o “story-telling” que estamos falando ou o hit do momento “customer experience”.

Um tour que começa servindo uma latinha de Coca e se encerra em uma degustação de todos os refrigerantes fabricados pela Coca no mundo inteiro. “Spoiler alert”: Existe refrigerante pior que o Kuat! E isso me fez feliz por uns instantes.

A experiência vai desde a primeira garrafa produzida, passando por diversos posters que montam uma linha do tempo tangendo toda a evolução da marca e produto(s).

Você ainda pode visitar o famoso cofre onde está guardado à diversas chaves, a fórmula secreta, ou se contentar com um abraço quente/frio do urso polar.

A frase abaixo me chamou bastante atenção, não só pelo fato de estar escrito em tamanho Lebron James, mas pelo poder que ela carrega de planejamento, estratégia e visão.

“Uma garrafa tão distinta que poderia ser reconhecida ao ser tocada no escuro ou quando quebrada no chão.” 🤯 — Brief de design da garrafa da Coca-Cola 1915

Uma obra de arte dentro e fora de campo: Estádio Mercedes-Benz

Com capacidade tanto para 71 mil pessoas quanto para fazer seu coração disparar. Essa é uma das primeiras vistas ao entrar de seu interior do estádio Mercedes-Benz em Atlanta

Custando mais de 5 bilhões de reais, esse estádio já foi lançado quebrando recordes: único estádio no mundo com selo LEED Platinum de sustentabilidade, economizando energia, água e luz; se desdobrado, o telão gigante no topo se torna o 24º prédio mais alto do mundo, o maior de Atlanta; casa do Atlanta United e do Atlanta Falcons, futebol e futebol americano respectivamente, o estádio vem constantemente tendo seus ingressos esgotados. Motivos não faltam.

Tive o imenso prazer de assistir a uma vitória grandiosa do Atlanta Falcons sobre o Tampa Bay Buccaneers por 34–20. Julio Jones, recebedor do Falcons, ultrapassando pela terceira vez a marca de 250 jardas em um único jogo. O único da NFL a repetir essa marca mais de uma vez durante a carreira.

Falei “diga x” e recebi um “Ráááá”

Lembra do falcão? Apareceu de photobomb na foto.

Foram tantas fotos e vídeos que o armazenamento interno pediu arrego. Mas ainda faltava uma grande atração de Atlanta: o aquário. Bora lá!

Antes de encerrar, uma parada refrescante no aquário da Geórgia

Acho que ainda não mencionei que Atlanta fica no estado da Geórgia (antes tarde do que nunca). Como disse anteriormente, o aquário da Geórgia em Atlanta, é o maior dos Estados Unidos. Já havia notado que a cor azul remete tranquilidade, usado bastante em hospitais e ambientes silenciosos, mas só consegui entender esse conceito visitando o aquário.

Me perdia por muito tempo observando os centenas de peixes ali presentes. Momento propício para fazer fotos com silhuetas: onde o fundo é mais claro que a frente, formando silhetas de desconhecidos. Em destaque, um tubarão baleia.

Confesso que o resultado final de algumas fotografias deixem a desejar em relação à quantidade de ruídos presente nelas (quando tiradas em ambientes internos ou escuros). Eu considero esse o ponto fraco dos sensores presentes nos celulares hoje. Mas não precisamos esperar muito para que isso seja corrigido: existe alguns projetos do Google, Adobe e cia utilizando Inteligência Artificial que estão reduzindo consideravelmente a quantidade de ruído nas fotos, deixando-as mais nítidas.

Porém, a vontade de contar uma história por trás de cada foto foi pouco prejudicada. Abaixo, duas gerações diferentes, com comportamentos diferentes. Mesma janela, dois olhares distintos. Contemplação versus curiosidade.

Expectativas, resultados e extras

Concluo que não imaginava que a cidade de Atlanta tivesse tanto a oferecer. Seja pelas atrações, pelas pessoas que conheci ou pelas experiências vivenciadas.

Quero dizer umas palavras sobre as pessoas e a cidade. Atlanta é extremamente desenvolvida, onde o transporte público funciona, bastante segura e as pessoas são hospitaleiras. Para quem, assim como eu, também tem a intenção de fazer compras, a cidade possui grandes centros de compras e redes do varejo. Uma cidade que contém história, desde o nascimento de uma gigantesca empresa de bebida, até a vida e luta de Martin Luther King pelos seus grandes e importantes sonhos (“I have a dream…”). Uma cidade que reflete muito bem as conquistas de seus cidadãos ao longo dos séculos.

Agradeço a todos que curtiram, comentaram ou visualizaram alguma foto dessa viagem no @imcaioresende e que mandou um “continue postando…”. Sem esse apoio não conseguiria inspirações suficientes para concluir esse projeto.

Comumente, Atlanta é referenciada pelas suas iniciais “A-T-L” e o que me resta dizer é um “A-T-LOGO!”

Extras

Vai aí algumas outras fotos que fizeram parte do projeto. Não faziam parte de nenhuma história maior, mas que cada uma carrega o seu próprio, senão grande, significado.

Sede global da CNN. Novamente, o contraste do azul do vermelho junto com a arquitetura simétrica do prédio.
Umas das fotos que mais transmitiu para mim o espírito americano: um cinema de rua gigantesco com letreiros em neon. O por-do-sol além de ter ajudado a iluminar os detalhes, finaliza com um gradiente a linha de perspectiva do conjunto de lojas.
Pôr-do-sol capturado de cima de uma estação de metrô. O caminho de volta é sempre mais aconchegante.
Detalhes de um grafite na Peachtree street: a artéria que divide Atlanta.

Obrigado por ter chegado até o fim. Gostaria de saber mais dos meus futuros projetos ou deixar algum feedback? Visite o meu Instagram: @imcaioresende

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