Sexo de direita X sexo de esquerda

Qualquer semelhança é mera coincidência

foto por Charles 🇵🇭 em Unsplash

SEXO DE DIREITA

Quem é de direita e transa gerencia o sexo como se fosse uma empresa. Sexo de direita é como reunião. Liga pra Ritinha da recepção pra marcar e nada de atrapalhar o almoço no Barbacoa. Aqui é eficiência. Uma hora pra gozar é muito tempo. Vinte minutos tá bom demais. E cuidado pra não amassar a polo da Lacoste. Agora, se a pessoa direita tá transando é porque ela mereceu, porra!!! Se ela tá onde tá, é porque me-re-ceu.

Sexo de direita transa no papai e mamãe, porque ele é liberal na economia mas tradicional nos costumes. E se alguém por aí disser que um NOVO jeito de fazer sexo já começou, não se engane. É igual ao que as outras pessoas da direita fazem. Sexo de direita sempre tem camisinha, porque o sexo de direita morre de medo de distribuição de renda.

Recebeu oral de uma pessoa de direita? Parabéns, você é privilegiado, sim! Pra pessoa de direita, o importante é a liberdade individual de cada um. E o sexo de direita se reserva o direito — e a liberdade — de não dar uma chupadinha top. Mas falar top, está sim liberado.

Sexo de direita é sexo privatizado. E privativo. Ele acontece no quarto e vez ou outra no banheiro, se a pessoa tiver cometido a “loucura” de tomar uma catuaba na festa do primo publicitário diferentão.

Sexo de direita é feito ao som de Foo Fighters — a banda mais de ‘paulera’ que a direita consegue escutar — porque é preciso exaltar o que vem de fora.

E agora, se ninguém gozar no sexo de direita, já sabe, né?
A culpa é do PT.

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SEXO DE ESQUERDA
O sexo de esquerda não tem parceiro ou parceira sexual, tem companheiro e companheira. Sexo de esquerda é pautado pela solidariedade e empatia e luta contra a desigualdade sexual no Brasil. Porque no sexo de esquerda, todo mundo pega todo mundo. Vale tudo mesmo, Sr. Sebastião Rodrigues Maia. Homem com homem e mulher com mulher. Homem com mulher e homem e mulher. Cotas sexuais são bem vindas.

Sexo de esquerda é distribuição universal de orgasmos. Apoia a Lei Rouanet e mama, mas é nas tetas do governo de que estamos falando. O sexo de esquerda apoia a cultura, pois acontece ao som do disco novo do Terno ou da nova música da Letrux ou aquele álbum do Chico que você sempre quis ouvir mas não tinha tempo. E melhor de tudo, é em vinil! Sexo de esquerda é patifaria e Discover Weekly do Spotify, tudo junto e ao mesmo tempo. Você sempre sai sabendo mais do que quando entrou e antes de entrar de novo. E sair. E entrar. E sair. E entrar. E sair. Ufa, cansei.

Sexo de esquerda raramente acontece na cama. É na rede da sala, no banheiro da Pilantragi, na sofá pós Santo Forte. No puff, na cozinha. Como diria Geraldo Vandré: quem sabe goza agora, não espera pra meter.

Sexo de esquerda aproveita o corpo todo. Não pode ver uma pele desocupada, que quer ir lá invadir. É beijo aqui, dedo acolá, é uma zona. Erógena, mas é zona.

No sexo de esquerda, o Lula é livre e o gozo também, porque o sexo de esquerda não tem amarras. Quer dizer, a não ser que você curta amarras e cordas, porque aí tem. É mais liberdade e menos preconceito. Mais putaria e menos taxa. Mais “me fode” e menos ‘A Selic me fodeu’. O sexo de esquerda faz amor, não faz guerra. No sexo de esquerda, ninguém solta a mão de ninguém. Opa, confundi, essa é a orgia de esquerda, um evolução do sexo de esquerda que acontece muito também, porque sexo de esquerda é passe livre e sempre cabe mais um.

Sexo de esquerda bagunça a casa, mas não bagunça o ambiente, porque volta pra casa de madrugada, pedalando na ciclovia. Ao som do disco novo do Terno ou da nova música da Letrux ou aquele álbum do Chico que você sempre quis ouvir mas não tinha tempo.