Shazam! A ascensão da Sessão da Tarde

Uma coisa é certa a DC virou a chave em relação aos filmes do seu universo compartilhado no cinema, se Aquaman já dava sinais claros de um afastamento do tom mais soturno de seu universo. Shazam! vem quase que como um ultimato que essa época ficou para trás, entregando um besteirol estilo anos 90 na forma de um filme de super-herói, que se talvez fosse gravado a uns 30 anos atrás teria Ernest a gritar Shazam por aí e não Zachary Levy.

Mas não me entenda errado o filme é bem legal, divertido, engraçado e o mais importante um filme para não se levar a sério, pois nem mesmo o filme se leva a sério e esse talvez seja o charme que o faz funcionar apesar de suas inúmeras piadas prontas. Estamos entrando em uma era que um filme ser “sessão da tarde” não é mais demérito e de certa forma é até uma qualidade, algo que pode ser chamado como a “Ascensão da Sessão da Tarde”, talvez isso seja fruto de um certo saudosismo inerente a nós jovens senhores e senhoras.

Mas enfim sobre o filme não tem lá muito o que dizer em questão de trama até tem umas nuances mais maduras sobre conceito de família e aceitação, que são até bem legais, mas a trama em si é tão batida e comum a qualquer filme que passa no ingrato horário da tarde que dá para resumir assim:

Temos um vilão tão mal que é tido como alguém impuro de coração, Dr. Silvana, vivido por Mark Strong que após descobrir sobre a mágica do mundo coloca como objetivo de vida consegui-la para si, até que enfim ele consegue, porém colocando todo o mundo em risco liberando os malignos sete pecados capitais e nesse momento inoportuno nos aparece Billy Batson, um garoto órfão e trambiqueiro que não é bem o mais puro de todos mas recebe os poderes de Salomão, Hercules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio (S.H.A.Z.A.M genial não?) e a missão de suprimir o mal lançado sobre o mundo, mas antes tem que amadurecer um pouco além dos seus quase 15 anos.

E essa é a trama por onde o filme órbita em seu lado heroico, tão batida quanto qualquer filme de herói hoje em dia com a clássica jornada do herói, existe um problema e surge um herói inesperado para superá-la, o filme não ousa em absolutamente nada nesse sentido, mas pelo menos surpreende como consegue encaixar as piadas pela jornada.

Muito do fato das piadas funcionarem vem do elenco, Zachary Levi está muito bem e bastante confortável em sua versão anabolizada e lançadora de raios de Billy Batson, assim como Asher Angel também faz bem a versão infantil do mesmo personagem e juntamente ao seu fiel escudeiro Freddy, vivido pelo jovem Jack Dylan Grazer, os três são o núcleo da maior parte do humor do filme, complementado pelo resto do elenco mirim que compõe a casa adotiva onde Billy vai parar que são bem carismáticos e também rendem boas cenas de humor, dando talvez o tom Goonies ao filme.

Já na questão da ação do filme ela é meio pífia e até bem ruim de forma geral, não vá imaginando explosões, lutas elaboradas e etc. Pois essa parte do filme é de bem mais ou menos para ruim, mesmo não trazendo as péssimas CG’s características do DCEU o filme não vai bem encantar por sua tecnicalidade gráfica e cenas de ações, pelo menos não possui cidades de isopor.

Shazam! É uma boa comédia de super-herói, leve, divertida e para toda a família, que bebe da fonte mais inocente e careta dos filmes dos anos 90 e que não tenta nunca ser mais que isso, o que não é um problema, pois é mais favorável ver um filme que sabe o que quer fazer e até executa bem isso, do que um que não sabe bem ao que veio.

Definitivamente mais um passo sólido para o futuro por parte da DC/Warner, por mais que o estúdio abandone pouco a pouco a ideia de um universo interligado com uma trama subliminar entre eles, como a concorrência tão bem fez e faz, não dá para reclamar que seus filmes nessa vertente mais solos não sejam divertidos e no fim cinema além de explosões, tramas e dramas também se trata de diversão e ver o estúdio acertando pelo menos em um aspecto de forma mais consistente melhora a perspectiva dos futuros projetos envolvendo o rico universo vindo dos quadrinhos da DC.