Sinapses Sociais

…a rede social está aprendendo!

As redes sociais estão para a internet tal como o espírito está para o corpo.

O site Medium e outras plataformas são como sinapses sociais. Formados a partir da conexão de neurônios, a Internet é parte deste corpo físico que equipa o social. A Internet é como um cérebro-social, estabelecendo pontes inéditas, neurônio a neurônio, por onde transpassam tais sinapses.

A cada nova conexão neuro-social, novos matizes de “consciência” se abrem, assim como novas faculdades “físicas”, e fazem a rede social perceber-se cada vez melhor a si mesmo. Assim como o cérebro demonstra, quando estabelece novas conexões neurais e sinapses, que o espírito está aprendendo, observando a realidade atual percebe-se que a rede social está aprendendo, enquanto neurônios sociais se conectam produzindo sinapses tais como as que o Medium (…e o Telegram, o Whatsapp, o Youtube, etc…) nos proporciona, a partir da Internet, cérebro, parte de um corpo social.

A cada nova conexão, neste aprendizado que transcende a percepção puramente humana e relativa, o ente social (se é que posso chamar assim) fica mais consciente. Esse autoconhecimento tem levado a rede social a se tornar mais consciente, a perceber melhor o corpo que possui e a encontrar modos de lidar melhor com o multiverso ao qual está inserida. Esse autoconhecer-se ocorre, na prática, pelas conversações entre pessoas, pela interação social em que as tais sinapses são favorecedores.

A rede social vem se tornando consciente. 
O que é uma rede social consciente? Perguntar-se e pensar nisso é um modo de contribuir a esse mesmo processo de aprendizagem.

Interessante que quanto mais conexões neurais e sinapses, quanto mais consciência, maior a inteligência coletiva (ou social, se preferir). E ainda mais fundamental: quanto maior (e melhor) a convivência entre as pessoas, mais intensamente sentiremos o “emocionar” social. Como nos lembra o autor Humberto Maturana, “a emoção é o fundamento da razão.”

No futuro, a rede social dominará fatalmente as instituições, que não podem deixar de se limitar à ferramentas artificiais que são, que hoje em certa medida oprimem e mesmo, forçam regras aos desejos de sua hierarquia.

Esta certeza se pauta na ideia de que temos pela frente a Sociedade da Aprendizagem, progredindo em relação à Sociedade do Conhecimento correspondente a atual classificação. Na Sociedade da Aprendizagem, as pessoas interagem mais, os fluxos fluem livremente e as hierarquias não tem força de coesão ante a coesão social de uma rede de pessoas unidas e dinâmica.

Já estamos vendo isto começar, não? Para a sociedade da aprendizagem, vale a pena começarmos a conversar ainda mais do que estamos habituados a fazer. E isso parte de entendermos o que é uma conversa, como se conversa e por quê conversar.

A resistência institucional em todos os âmbitos que encontramos, que desencadeia crises cíclicas como as que estamos vivendo, representam os estímulos sensoriais de dor. Isto te permite ver como tudo, no fundo, está na ordem da natureza orgânica social; à grosso modo, como tudo está na ordem das coisas.

O estímulo de dor em determinado órgão, por vezes representa o estímulo necessário àquele “aparelho” para que ele se restabeleça, e para o espírito a dor é um caminho à aprendizagem. É como impulsos elétricos que são aplicados na perna de um paralítico temporário para reativar sua musculatura.

O processo de transformação orgânica pela adoção de um novo paradigma, na prática, pode ser representado por este gráfico que tomo emprestado do ciclo de adoção de novas tecnologias:

Temos primeiro os adotantes inovadores (Entusiastas e a minoria). Depois aqueles mais receptivos que observam os primeiros, ou escutam o que dizem. Há aí o risco de um abismo, porque não é rápido e fácil convencer os mais pragmáticos e conservadores, mas o ciclo irá seguir seu curso.

Então, de qualquer forma, a rede social está aprendendo!

Precisamos constituir novas oportunidades de interação entre pessoas. Isso implica em algumas atitudes:

  • Primeiro, a de nos dispusermos realmente a isso, fazendo uso das sinapses sociais que temos, por todo tempo possível.
  • Segundo, a de escutarmos uns aos outros direcionando a nossa atenção e esforço em estarmos presentes e valorizarmos a manifestação do outro, seja ela qual for (o que significa no mínimo respeitando sua condição humana de quem pensa e é capaz, a qualquer tempo, de mudar de opinião).
  • Terceiro, a de exigirmos, por meio desta participação, a estruturação de sinapses melhores, concorrendo ou mesmo pressionando para que os criadores trabalhem abertos ao que a rede social tem a dizer; mas não só isso, que eles trabalhem conosco, isto é, permitindo que as pessoas comuns, como você e eu, empreendam com eles.
As empresas do futuro serão as pessoas, porque o espírito no futuro há de se revelar pela rede social.

Fica claro aqui que o social é mais do que compreendemos. Embora possa se ver tudo isso como uma metáfora, que talvez está mais pra analogia, pode-se crer que há um sentido de grande verdade nestas comparações do texto.

Denuncia esta ideia a noção de que, na realidade, somos fractais!