Sobre felicidade

Photo by Guilherme Stecanella on Unsplash

É quinta-feira à tarde, esperando o meu pássaro de ferro, mais um voo atrasado, mais uma conexão que irá demorar. Em processo de aceitação desse cotidiano aeroportuário brasileiro, recosto a cabeça na poltrona e deixo a memória viajar até a lembrança de uma das minhas muitas conversas com mainha, lembro que estávamos debatendo sobre qual seria a minha segunda graduação, recordo a voz dela de forma firme dizendo que eu poderia ser o que quisesse e da sua cara de negação quando retruquei:

- O que a senhora quer que eu seja? — enquanto passava a mão pela minha cabeça prontamente ela respondeu;

- Que você seja feliz!

E desta forma iniciou-se a cruzada em busca dessa tal felicidade (perceba que não falei tal liberdade fazendo referência ao SPC). Passei um longo tempo questionando o que é ser feliz, como ser feliz e o que é felicidade, afinal de contas mãe é mãe, e, não se desaponta, se obedece.

Pois bem, busquei durante muito tempo e continuo buscando em livros o que os pensadores tem a dizer sobre, passeando por Aristóteles e sua Eudaimonia, Nietszche com o amor fati que em tradução simples quer dizer amor ao destino (gostei tanto que tatuei no braço) e o eterno retorno, as teorias humanistas, capitalistas de felicidade (consumo como base para a felicidade), como também naveguei pelo minimalismo (menos é mais) e budismo, até chegar a um ponto que achei crucial em uma aula online de algum filósofo que agora não me recordo o nome, ele prontamente explicava a turma que amor é ganho de potência acrescido de causa identificável e que para Espinoza ganho de potência era igual a alegria, logo amor se torna alegria com uma causa identificável.

(Chega consigo escutar a voz do leitor dizendo “e la vem ele falando do amor outra vez!” Deixo o seguinte verso para vocês “[…]me perdoem se eu insisto nesse tema mais não sei fazer poema ou canção que fale de outra coisa que não seja o amor […]”❤)

Desta forma amor é alegria com causa identificável, comecei a pensar que essa tal felicidade recomendada por Mainha talvez residisse no amor (não exatamente no amor entre um casal, no amor em si em todas suas formas e cores), o que já explicaria muita coisa em nosso universo, o filósofo francês Luc Ferry pensa no amor como um proposito para vida, ele diz que:

“Vida boa é a vida na qual tenha havido amor, bem-sucedido ou malsucedido, na qual o amor tenha transfigurado a vida cotidiana e dado um sentido à existência.” (Do amor, p.41)

Então é este o local onde reside a tal felicidade? Talvez sim, talvez não… na duvida amem uns aos outros ( aos cristãos “[…] assim como Jesus nos amou”), se esta não for a chave da felicidade, no minimo teremos uma vida em sociedade muito melhor. Enfim, chegou a hora de embarcar, quando chegar em casa questiono mainha sobre a felicidade a partir do amor e volto para contar a vocês ou não.

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