Sobre o medo de confiar em nós mesmos

Um tutorial de como ver a vida passar enquanto você se sente um perdedor.

Vamos começar esse texto com um desafio porque eu adoro uma interatividade: nomeie pessoas que se encaixam nos critérios abaixo.

  1. A sua amiga mais inteligente, que você sabia que “iria longe” desde que ela era novinha.
  2. Três profissionais que já trabalharam diretamente contigo e que você admira.
  3. Uma pessoa que você conheça que tenha uma determinação incrível, dessas se esforçou pra viver um sonho ou que comprou o primeiro apartamento ainda jovem, por exemplo.

Tranquilo, né? Vamos dificultar um pouco a brincadeira, então. Agora quero ver você listar isso aqui:

  1. Seus três maiores sucessos até agora.
  2. Quais sonhos que dependiam de você (não vale encontrar por acaso um famoso que você admire, por exemplo) você já conseguiu cumprir?
  3. De acordo com as suas metas, quando você vai fazer algo que queira muito ou alcançar um novo objetivo?

Corrija-me se eu estiver errada, mas aposto uma unha do dedo mindinho como você precisou de um momento de reflexão muito maior para responder isso tudo.

É, meu caro amigo, high-five. Bem-vindo ao mundo das pessoas com baixa autoestima. Vou contar um pouco da minha história pra você sentir que não está sozinho no mundo.

Uma novela mexicana

Basicamente, eu nunca acho que sou capaz de conseguir uma vaga de emprego. Mesmo que eu me encaixe em todos os critérios pedidos, eu sempre acho que nunca vou ter a experiência necessária. Algumas vezes eu tenho tanto essa sensação que eu sequer tento. Fico só sendo cagona na vida mesmo.

Outra coisa bacana (#sqn) de você saber é que eu sempre quis morar fora. Acho impressionante essa galera que pede demissão (estamos falando aqui de pessoas que têm chances financeiras de fazer isso, ok?), se joga no mundo sem emprego nem nada e vai procurar a felicidade em outro país enquanto a vontade durar.

Sabe quando eu vou fazer isso? Nunquinha, acertou. Pra ir, eu quero estar com um esquema muito certinho de sustento. E mesmo assim me dá um frio na barriga danado.

Escuta essa que também é boa: eu amo viajar. MUITO MESMO. Tanto que eu sempre quis montar um canal de Youtube pra ajudar as pessoas com dicas de viagem. Não, eu não fui para infinitos lugares, haja dinheiro, né? Mas, pra onde eu fui, sempre contei com blogs, sites e muita pesquisa pra construir uma viagem do jeito que eu queria. Queria poder pegar essa experiência e ajudar as pessoas a conhecer lugares legais também.

Te juro, eu tenho quase tudo: o canal criado, o primeiro vídeo gravado e editado, vários outros roteirizados pra gravar. Até um equipamento básico para gravar me emprestaram. Mas, e se eu não conseguir editar os vídeos num padrão legal? E se não conseguir criar conteúdo na velocidade ideal (afinal, eu trabalho)? E se as pessoas odiarem, acharem super inútil?

Resultado: o primeiro vídeo nunca foi publicado e, por enquanto, só atualizo um perfil de Instagram micro, morrendo de vergonha que alguém descubra e ache escroto. Não consegui ajudar ninguém.

Gente, o papo é tão brabo que até pra começar a postar aqui no Medium foi uma luta! Eu não queria divulgar meus textos por nada no mundo e, quando alguns amigos descobriram e começaram a compartilhar, quase morri de vergonha. Tudo medo do julgamento alheio.

Não seja essa pessoa

Ok, encerrado o momento confissão, vamos às conclusões que interessam. Sabe quando eu vou conseguir conquistar qualquer coisa com esse tipo de pensamento? Aham, nunca. Aos poucos, a base de muita frustração, estou entendendo que não é só dinheiro que não cresce em árvores: oportunidades também não.

O emprego perfeito não caiu no meu colo. Eu coloquei um total de zero projetos na rua no ano passado. E, obviamente, continuo paradinha aqui no Brasil esperando a vida passar.

Por outro lado, sabe o que aconteceu? Depois que comecei a escrever no Medium, tenho recebido muitos elogios aos textos que publico(sério, muito obrigada a todos vocês que já comentaram, vocês não têm ideia de quanto isso estimula uma pessoa). Consegui desabafar aqui com muito mais frequência sem ficar me tremendo dos pés à cabeça. Doido, né?

Não! A real é que tudo parece difícil até a hora que você vai e faz. O bicho-de-sete-cabeças só existe dentro das nossas mentes, botando empecilhos num caminho que você ainda nem tomou coragem de percorrer. Difícil é a gente se dar conta disso.

Um bom exemplo

Agora, entra no Youtube. Joga uma palavra na busca, tipo: organização, finanças, economia doméstica, moda. Qualquer uma. Entra nos canais pequenos, com apenas alguns milhares de seguidores. Depois, entra nos canais grandes, que ganharam fama com seu conteúdo. Sabe o que eles têm em comum? Eles ignoraram os filtros que a nossa mente impõe.

Jackson HendryUnsplash

Esses Youtubers deixaram de lado a vergonha, eles encontraram tempo pra investir nisso, eles acreditaram no que tinham para ensinar a outras pessoas. Eles acreditaram neles mesmos, acima do que poderia ser dito, acima da risada dos conhecidos ou das críticas sobre o conteúdo. Vai dizer que isso não é um ato de coragem?

E assim, no fim das contas, que se dane se não escolherem você pra um emprego. É a velha história de “o não você já tem”. Pelo menos, você tentou. Que se dane se as pessoas não gostarem dos seus projetos. Se eles te fazem bem, se você está satisfeito juntando seu dinheirinho para decorar um apartamento, para sair da casa dos pais, para fazer uma viagem longa ou quer só ter um canal no Youtube, é isso que importa. Afinal, não são os outros que decidem o que é cool o suficiente pra gente fazer. Que se dane se viver em outro país for mais difícil que eu imagino, exigir mais adaptações do que eu imagino: a gente também cresce com as adversidades. Seria uma ótima ocasião para aprender mais coisas sobre mim e sobre o que eu sou capaz.

O desafio de verdade é passar por cima do julgamento alheio e do próprio para criar coragem de ser o que você quiser.

Eu sei que é difícil. Mas quando olhei pra 2017 e não vi muito do que me orgulhar, resolvi fazer o possível e o impossível para que o meu 2018 fosse diferente. Nem que seja um passo a cada vez. Nem que eu vá morrendo de medo. Nem que eu precise quebrar a cara para entender que não era isso. Mas, pelo menos, em 2019 vou poder dizer que tentei.

Respira fundo e vem comigo.