Sobre perguntas que baseiam-se na sensibilidade e “soluções” que não solucionam

Pelo o que tenho observado, ser contra a redução da maioridade penal ou da pena de morte, faz com que o indivíduo seja encarado como uma defensor do crime ou até mesmo um criminoso. — “Então você defende bandidos?” “Por que não leva pra casa?” — Desse modo, o ponto crucial do nosso posicionamento é encarado apenas como uma relevação ao crime cometido. Quase sempre quando digo: “a redução da maioridade penal nunca reduziria a criminalidade” a discussão é levada para um lado sensível e emocional e parece que a “oposição” não entende que em nenhum momento eu disse que sou a favor dos crimes. Eu apenas disse que com a redução da maioridade penal não conseguiremos reduzir a criminalidade.

Antes de tudo, devemos pensar que o objetivo final de qualquer uma das medidas que tomaremos a partir de agora devem solucionar a Redução da violência no país. Reduzir a maioridade penal ou aplicar a pena de morte seriam caminhos muito superficiais, que nada mais fariam do que tentar mascarar a violência, sem garantir os direitos básicos aos jovens e cidadãos, e não solucionar nenhum dos problemas. Sem trazer à tona os direitos sociais que deveriam ser oferecidos aos cidadãos — Que podem ser encontrados nos seguintes links: Direitos do Cidadão e Estatuto da Criança e do Adolescente (Caso você leia um dos dois, entenderá o quanto nosso governo precisa mudar para oferecer uma vida digna à todos), vale lembrar que em nenhum país que foi adotada a redução da maioridade penal ou/e a pena de morte conseguiu-se a redução das taxas de violência.

A pergunta que mais me mata, além das duas já citadas, é a seguinte: “E se eles tivessem matado alguém da sua família, você seria contra a pena de morte ou redução da maioridade panal ?”. Esse tipo de pergunta não passa de um discurso apelativo com função de sensibilizar e tentar modificar o pensamento, mas mesmo assim minha resposta continua sendo “SIM!”. Primeiro que a “vingança” nunca trará de volta o que foi perdido e muito menos reduzirá a violência. Com certeza, a tristeza pela ocorrência do fato idealizado seria muito grande, mas o que devemos encontrar é uma solução para a criminalidade do país e não uma forma de destruir os direitos humanos e o Estatuto da criança.

Repare que nem citei o sistema penitenciário brasileiro, que vergonhosamente mesmo apresentando superlotação, situações insalubres e muita violência apresenta um índice de reincidência elevado (Vale comentar que o índice de reincidência de jovens no crime é muito menor que o índice de reincidências de penitenciários[¹]). Segundo o ideal “vingativo” dos apoiadores da redução da maioridade penal e da aplicação da pena de morte, um sistema carcerário punitivo e coercivo deveria apresentar um índice de reincidência que tendesse a zero. Porém, não é isso que observa-se. Sem investir em educação e sem medidas do governo que tornem as cadeias um local de ressocialização do indivíduos, seguimos apenas com a ampliação de uma grande escola do crime: As cadeias.

Então, espero que entendam que não sou a favor de crimes, apenas luto para a redução da VIOLÊNCIA no país. Lembre-se somos o 16º país mais perigoso do mundo, não precisamos de mais violência, precisamos de solução.

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Originally published at lucasaoquadrado.wordpress.com on June 19, 2015.