Sobre uma geração de “mimimi”

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Dia 26 de junho de 2015. Uma enxurrada de mudança de fotos no Facebook, acrescentando um filtro de arco-íris. O motivo? A Suprema Corte dos EUA aprova o casamento gay em todo o país. A luta da sociedade LGBTQ ganha mais força, assim como seus direitos e representatividade, tomando forma num dia comum e trazendo uma série de celebrações por todo o mundo. Lindo, né?

Até a intolerância voltar, dessa vez mascarada pela incrível comemoração da conquista de uma minoria.

Boa parte dos meus amigos comemorou no Facebook e eu obviamente fiquei muito feliz pelo acontecimento, afinal acredito que todas as pessoas e formas de amor merecem respeito. Como bom brasileiro, a gente adora fazer uma festa, mas fico me perguntando qual a necessidade de agir de forma agressiva com aqueles que não estão claramente apoiando o movimento da mesma forma que as outras? Outras expressões também merecem respeito, assim com você respeita a celebração e faz parte dela.

Ninguém pode mais perguntar a finalidade de um manifesto, celebração ou movimento, que é atacada com pedras das mais pesadas, em vez de ser guiada ou ensinada sobre o que perguntaram. É uma cultura de, caso você não saiba o que está acontecendo, é excluído pelo simples fato de perguntar o que está acontecendo. Todo mundo é obrigado a saber de tudo, afinal, todos têm fácil acesso à informação. Esse tipo de cultura acaba gerando uma controvérsia por ela mesma: já que pregam por respeito e igualdade, porque não ensinar esses valores ao invés de agir como reacionários e segregadores com quem não entende o que está acontecendo?

E olhe que as pessoas “contra o corrente” nem sempre estão de fato contra ela. Na verdade, elas podem somente se absterem de expressar suas opiniões. Não ter opinião ou não querer se posicionar é a mesma coisa de estar contra o movimento social? Talvez essa fosse a chance de ensinar as pessoas sobre o que está acontecendo, sobre o quão é importante respeitar. Afinal de contas, colhemos o que plantamos.

Ou seja, na internet todo mundo tem direito a uma opinião, mas, ao mesmo tempo, ninguém pode ter sua opinião porque é tolhido pelos outros. Por isso estamos dentro de uma sociedade cheia de mimimi, onde todo mundo tem direito a tudo, mas ninguém pode ter direito à ignorância.