Soldados do bem

O pacto inimaginável entre classes no Brasil.

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O Brasil sofre desde os primórdios o controle e a opressão dos senhores sob os escravos e índios, que foram extintos, explorados até a exaustão e forçados a assumir assim atitudes submissas em relação as classes dominantes. Essa subserviência se perpetua até os dias de hoje, onde a distância social entre pobres e ricos aumentou vertiginosamente ao longos dos séculos, junta-se a ela o preconceito contra negros e mulatos.

Diante desse contexto, surge o mestiço, como consequência da procriação do homem dominante com as escravas e índias brasileiras. As crianças descendentes de escravos com senhores, quando adultas, passam a ocupar um lugar intermediário entre esses opostos, que evoluiu para o que é chamado hoje de classe média.

Para manter o poder sobre as classes mais baixas, os senhores começam a demandar serviços mais nobres desses descendentes, exigindo deles desenvolvimento intelectual e oferecendo alguma dignidade para realizar suas atividades laborais. Com isso forma-se uma nova classe entre os senhores e os novos escravos — que mesmo libertados ainda ocupam esse lugar na sociedade moderna.

Essa nova classe tem como grande desejo fazer parte da sociedade dominante e para isso selam um pacto tácito com eles, tornando-se os grandes soldados defensores desses senhores. Agora massificado pela mídia, ano após ano esse comportamento se fortalece e sem que haja qualquer contra ponto que encoraje a reflexão, a defesa da elite pela classe média ganha novas nuances.

O papel do Estado nesta dinâmica tem em seus políticos o veículo ideal para que novas medidas provisórias e emendas constitucionais atendam aos interesses da elite, forma-se então um acordo inimaginável entre políticos, a classe média e a elite, com o apoio intenso da mídia. Sendo a classe média uma ferramenta de um projeto que pretende perpetuar o status quo em nome do “combate a corrupção”.

Essa grande parte da classe média, com um movimento inconsciente, adota o discurso apartidário e contra corrupção e trabalha com hostilidade a serviço dos interesses do mais alto escalão da elite brasileira e dos políticos tradicionais.

O engendramento social brasileiro, onde se impõem ao Estado toda a corrupção existente no país, associado ao pacto tácito existente entre classes, resulta em uma visão míope de um povo que teria como uma de suas principais características, a corrupção.

Com o apoio da grande mídia que divulga anos a fio casos de corrupção no Estado e em suas estatais, a despeito dos bilhões de dólares de dívida que grandes empresas privadas têm com o Estado ou mesmo do relatório aprovado em junho de 2018 que derruba as restrições à aprovação e uso de agrotóxicos no Brasil, incluindo os mais perigosos, torna-se óbvio ululante que este discurso massificado será prontamente adotado por aqueles que consomem o conteúdo da mídia de massa. Como disse o apresentador do telejornal com maior audiência no país: Homer Simpson, o brasileiro médio.

Para trazer ainda mais complexidade a este contexto, há a produção e propagação em escalas vertiginosas de fake news devido a ampla adoção das redes sociais, além da leitura superficial de conteúdos com fontes duvidosas. Tudo isso aumenta as tensões sociais e faz ferver o caldeirão brasileiro às vésperas da eleição presidencial de 2018.

Com a precoce eliminação do Brasil na Copa, os embates foram antecipados e a polarização toma conta das ruas e das redes. A adoção do discurso “apartidário” de que “bandido bom, é bandido morto” dá o tom da narrativa do que será os próximos anos e deixa os fatos e a lei passarem ao largo.

O futuro será capaz de explicar o que aconteceu neste período tão obscuro da história brasileira. Enquanto isso, resta acreditar que o povo brasileiro é criativo e que existem mentes corajosas dispostas a refletir sobre o pacto dominante no país.